Terra Primitiva: descobertos “continentes perdidos” de há 4 mil milhões de anos
O nosso planeta não foi o inferno de magma que imaginávamos. Novos estudos revelam uma Terra surpreendentemente habitável muito antes do que se pensava.
Uma história reescrita através de cristais microscópicos
A imagem que temos da Terra primitiva passa invariavelmente por uma enorme bola de magma incandescente, com condições absolutamente incompatíveis com qualquer forma de vida. Mas esta visão consolidada enfrenta um problema: não existem rochas com 4.300 milhões de anos que a confirmem.
O que temos são cristais microscópicos chamados "zircões", e estes minúsculos testemunhos geológicos contam uma história bem diferente, segundo revela um estudo de investigadores da Universidade de Wisconsin-Madison publicado na revista Nature.
Nem tudo era fogo e enxofre
Durante décadas, a geologia debateu duas teorias principais sobre o comportamento da superfície terrestre no período conhecido como Hadeano: ou existia uma tectónica de placas onde uma placa se afundava sob outra, ou a Terra tinha uma espécie de "tampa estagnada", uma superfície rígida e quente onde o calor apenas escapava através de grandes colunas de magma.
A verdade, revelam agora os zircões, é que ambos os processos ocorreram simultaneamente.
Houve cerca de 800 milhões de anos de história da Terra em que a superfície já era habitável, embora não tenhamos evidência fóssil e não saibamos quando surgiu a vida pela primeira vez.
Explicou John Valley, o geocientista que lidera o estudo.

O Hadeano (Hádico ou Hadaico) é o primeiro e mais antigo éon da história da Terra, iniciado há cerca de 4,54 mil milhões de anos, aquando da formação do planeta. A sua datação baseia-se na idade dos materiais sólidos mais antigos do Sistema Solar, encontrados em meteoritos com cerca de 4,57 mil milhões de anos. Foi também no início deste período que terá ocorrido a colisão que deu origem à Lua. O Hadeano terminou há cerca de 4,03 mil milhões de anos, dando lugar ao éon Arqueano, numa fase possivelmente marcada pelo chamado Intenso Bombardeamento Tardio.
Um mosaico tectónico primitivo
A Terra primitiva não escolheu um único modelo geológico. Em vez disso, diferentes processos tectónicos coexistiram em locais distintos do planeta. Não era uma tectónica de placas estável como a atual, mas antes episódios violentos e curtos de subdução (deslizamento de placas) que conviviam com enormes jorros de magma ascendente do interior terrestre.
Esta descoberta é fundamental para compreender a formação dos continentes e o surgimento da vida. Sem tectónica de placas, não existiria a crosta continental félsica que flutua sobre o manto e forma as terras onde vivemos.
Além disso, a tectónica regula o clima e recicla nutrientes, saber quando começou a funcionar ajuda-nos a perceber quando a Terra se tornou compatível com a vida.

Na Terra primitiva, existiam ,mais que um modelo geológico. Como tal, ocorriam diferentes processos tectónicos em locais distintos do planeta.
As cápsulas do tempo de Jack Hills
A equipa de John Valley analisou os famosos zircões de Jack Hills, na Austrália Ocidental. Estes minerais do tamanho de um grão de areia são autênticas cápsulas do tempo que guardam o único registo direto dos primeiros 500 milhões de anos do nosso planeta.
Utilizando tecnologia de alta resolução, os investigadores procuraram "impressões digitais" químicas que revelassem onde e como se formaram.
Os resultados foram surpreendentes: 47% dos zircões oceânicos apresentavam níveis elevados de urânio em relação ao nióbio, indicando que se formaram em zonas de subdução onde a água dos oceanos penetrava no manto.
Por outro lado, os zircões encontrados em Barberton, na África do Sul, mostravam ter nascido de rocha virgem do interior do planeta, confirmando a teoria da "tampa estagnada".
Dois mundos numa só Terra
Enquanto na Austrália a crosta se afundava e criava protocontinentes, no que é hoje a África do Sul a Terra tinha um comportamento distinto, com uma crosta rígida e estagnada. A Terra primigenia era, afinal, um mosaico de estilos tectónicos.
A conclusão é revolucionária: o nosso planeta não passou de um inferno ardente para o mundo que conhecemos da noite para o dia. Foi antes um processo híbrido e gradual que gerou as condições necessárias para a vida muito mais cedo do que imaginávamos, revelando "continentes perdidos" que já existiam há 4 mil milhões de anos, quando pensávamos que tudo não passava de fogo e rocha fundida.
Ainda sabemos pouco sobre o mundo que nos ampara de pé. Se pensarmos bem, a Terra formou-se há cerca de 4,54 mil milhões de anos, num processo que deu origem ao sistema solar tal como o (des)conhecemos hoje. Já os humanos modernos, o Homo sapiens, existem apenas há cerca de 300 mil anos, uma presença muito recente na história do planeta.






















A verdade cientifica e’ real, apenas ate’ a próxima descoberta e mesmo essa não e’ definitiva.
Tentaste ser sarcástico mas a Ciência é isso mesmo. Não fica presa a dogmas quando surgem novos factos.
Então podems descartar a ciência das alterações climáticas, ou aquecimento global como era conhecido há pouco tempo atrás.
Só podes descartar com factos