O que os seus hábitos de condução dizem sobre o futuro da sua mente
Combinadas com outros sintomas, as informações sobre a condução de uma pessoa podem ajudar a formar um diagnóstico, com as nossas escolhas em termos de horários e percursos de viagem a serem um potencial indicador da nossa saúde mental futura.
Um novo estudo mostrou como a adição de dados de localizadores GPS a testes padrão de idade e memória, juntamente com outros fatores demográficos, permitiu detetar com precisão o declínio cognitivo entre indivíduos com comprometimento cognitivo leve (em inglês, MCI) pré-existente em 87% das vezes.
A identificação precoce de condutores idosos em risco de acidentes é uma prioridade de saúde pública, mas identificar pessoas que não são seguras é desafiante e demorado.
Descobrimos que, usando um dispositivo de rastreamento de dados GPS, podíamos determinar com mais precisão quem tinha desenvolvido problemas cognitivos do que apenas analisando fatores como idade, resultados de testes cognitivos e se tinham um fator de risco genético relacionado à doença de Alzheimer.
Explicou Ganesh Babulal, investigador em neurologia, conforme citado.
Conduzir com menos frequência e para menos locais
Os investigadores analisaram dados de 56 indivíduos já diagnosticados com MCI, um precursor da doença de Alzheimer, comparando-os com 242 pessoas de uma faixa etária semelhante, sem problemas cognitivos. A idade média de todos os participantes era de 75 anos.
Depois, a equipa analisou os padrões de condução registados automaticamente pelos veículos dos voluntários durante um período de estudo de até 40 meses, juntamente com os resultados de testes bem estabelecidos, incluindo tarefas relacionadas com a memória, a atenção e a função executiva.
Mesmo após o ajuste de fatores como a idade, a educação e o risco genético de Alzheimer, o grupo com MCI apresentou diferenças na sua condução ao longo do tempo: conduziam com menos frequência, para menos locais, através de percursos mais simples e com menos excesso de velocidade.
Uma análise dos dados de condução por si só identificou corretamente indivíduos com MCI em 82% das vezes. Embora os investigadores sugiram que parte disso se deve à autorregulação que tende a ocorrer à medida que as pessoas envelhecem, é, também, promissor enquanto sinal precoce de declínio cognitivo.
Segundo Babulal, "observar o comportamento diário das pessoas ao volante é uma forma relativamente fácil e discreta de monitorizar as suas capacidades cognitivas e funcionais".
Conduzir como ferramenta da saúde cognitiva
Ainda que seja fácil entrar num modo piloto automático ao conduzir, especialmente para aqueles que já conduzem há muitos anos, a verdade é que isso requer muita capacidade cerebral e coordenação, o que é parte da razão pela qual as distrações são tão perigosas.
Entretanto, os investigadores planeiam testar a sua hipótese em grupos maiores e mais diversificados de pessoas, acrescentando outros dados que possam ter influência, como o tipo de veículo, a área geográfica e outras condições médicas.
Esta extensão do estudo poderia "ajudar a identificar motoristas em risco mais cedo para uma intervenção precoce, antes que eles sofram um acidente ou quase acidente, o que geralmente é o que acontece agora", segundo Babulal, que ressalvou que é importante, ainda assim, "respeitar a autonomia, a privacidade e a tomada de decisões informadas das pessoas".
Fonte: Science Alert
Neste artigo: conduzir, declínio cognitivo






















Começando por uma anedota:
Um sujeito, que circula na autoestrada, liga o rádio e ouve: “Atenção aos condutores que se deslocam na A1, na zona de Coimbra há um condutor que circula em contra-mão”. E diz ele: “Um!? Centenas!”
Foi sempre uma coisa que me fez espécie e se não seria do desenho dos acessos – por exemplo, na entrada da A23 para a A1, para Lisboa, há uma rampa inclinada que, seguindo a trajetória apontava para o Porto, antes de a trajetória mudar para a direita na direção de Lisboa … De noite, em que todos os gatos são pardos, a chover …
Fui ver as notícias e não são só idosos – “Condutores até aos 30 anos são os mais envolvidos em acidentes em contramão. Dos 310 sinistros entre 2017 e 2020, 97 dos condutores eram jovens ate aos 30 anos de idade, um número substancialmente superior aos praticados noutros escalões etários. A GNR indicou ao JN que a maioria desses acidentes acontecem nas autoestradas e que os principais motivos prendem-se co inversões de marcha-atrás após falha na saída que pretendiam” (Auto+, 14/12/2020).
Não, não é dos acessos. Espero que os tais testes, a novos e idosos, dêem resultado.
Acima: queria dizer IP3 (e não A23)
“o grupo com MCI apresentou diferenças na sua condução ao longo do tempo: conduziam com menos frequência, para menos locais, através de percursos mais simples e com menos excesso de velocidade.” Parece que mais condutores com MCI melhor.
Os condutores de elétricos vão ficar desgraçadinhos daqui a meia dúzia de anos.