Novo método forense que revela impressões digitais em munições disparadas
O que era antes apenas possível nos filmes, agora, já está ao serviço do combate ao crime. Nova tecnologia para revelar impressões digitais em munições disparadas.
Investigadores da Maynooth University, na Irlanda, desenvolveram um processo eletroquímico que permite visualizar impressões digitais em cápsulas de munições disparadas, algo até agora considerado praticamente impossível.
Desafio histórico na forense de armas
Tradicionalmente, quando um projétil é disparado, o calor extremo e a pressão elevados dentro do cano destroem ou alteram profundamente os resíduos deixados pelas digitais.
Assim, métodos convencionais de visualização (como aplicação de pós, fumigações com cianoacrilato ou tratamentos com ninhidrina) falham frequentemente nesse contexto.

A tecnologia por trás do processo, Deposição de Metal a Vácuo (VMD), tem sido utilizada pela ciência forense e pelas comunidades policiais há várias décadas. As provas são colocadas numa câmara de vácuo e, em seguida, pequenas quantidades de metal, tradicionalmente ouro e zinco, são aquecidas e vaporizadas.
Estes métodos dependem sobretudo de resíduos sebáceos e suor deixados pela pele, que aderem ou reagem com reagentes químicos para evidenciar os padrões de cristas digitais.
O método eletroquímico: como funciona
O novo método utiliza a impressão digital como “máscara” sobre a superfície metálica (como o latão) da cápsula.
Quando é aplicada uma baixa voltagem, procede-se à deposição metálica apenas nas regiões livres da máscara deixada pela impressão, resultando numa imagem de alta contraste das cristas em negativo.
Em termos simples: a área onde o dedo deixou resíduos impede a deposição, enquanto o resto se reveste com metal. Isso permite ver o padrão das cristas mesmo após o disparo, contrariando a premissa antiga de que isso era inviável.
Estado atual e limitações
Apesar do grande avanço, a técnica ainda está em fases preliminares. Os investigadores destacam que o tipo de metal (latão mostrou bons resultados), a presença de corrosão, a exposição a calor extremo ou ambientes agressivos podem comprometer a eficácia.
Por exemplo, superfícies de aço inoxidável, alumínio ou munições muito expostas ao tempo/ar podem apresentar desafios significativos, alterações metalúrgicas ou oxidação podem impedir a máscara deixada pela impressão de funcionar como previsto.
Potenciais aplicações
Além das cápsulas de munição usadas em crimes com armas de fogo, o mesmo princípio poderá, futuramente, aplicar-se a outras superfícies condutoras, como lâminas, fragmentos de bombas ou material sujeito a chamas/arcos elétricos.
Contudo, cada novo tipo de superfície exigirá otimização dos reagentes e do procedimento, em função da natureza dos resíduos, do dano térmico ou da deformação da amostra.
Impacto no domínio forense e legal
Se confirmada a fiabilidade em ambientes reais, não apenas laboratoriais, esta técnica poderá transformar a forma como armas e suspeitos são ligados à cena do crime. Até aqui, encontrar digitais em cápsulas disparadas era uma das “regras difíceis” da forense moderna.
Mas, como lembra um advogado criminalista norte-americano, o facto de a tecnologia parecer promissora não basta para que seja aceite em tribunal: é indispensável que o método seja validado, reproduzível, testado às cegas e aceite pela comunidade forense.

Atualmente, a melhor análise forense de cartuchos de munição consiste em compará-los com a arma que os disparou. Contudo, com esta nova metodologia, será possível identificar a pessoa que carregou a munição na arma. Imagem: Maynooth University
Conclusão
O método desenvolvido pela Maynooth University representa uma inovação significativa na ciência forense: a possibilidade real de recuperar impressões digitais em cápsulas de munição já disparadas.
Ainda assim, resta percorrer um caminho de validação e adaptação antes de se tornar prática corrente em investigações criminais. A evolução poderá abrir novas fronteiras na análise de armas e evidências em cenas de crime.























Pelo estudo ser em latão, imagino que o estudo seja para revelar a impressão digital nos invólucros, o que provavelmente significa que qualquer tipo de crime aplicável foi cometido ou por amadores, ou numa situação de urgência. Quem sai a pensar em cometer algum crime com arma de fogo, se souber o que está a fazer, utiliza um revolver, que não é ideal, por produzir mais decibéis ao calibre equiparado a uma pistola semiautomática, exemplo, .32 SW em revolver, comparado a .32ACP de pistola (por vezes chamado 7,65mm), ou para casos mais práticos, utiliza-se uma pistola silenciada, com um sistema de bloqueio de culatra, geralmente uma alteração feita na patilha de segurança, que evita a ejeção do invólucro.
Mesmo assim, uma camada leve de WD40 antes de se colocar as munições, com luvas, no tambor ou carregador, deve resolver facilmente as marcas de gordura transmitidas para o latão.