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Nem a eletricidade, nem as baterias: custo da IA está a cair a um ritmo sem precedentes

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Um novo relatório estima que, desde 2023, o custo de atingir um determinado nível de desempenho em modelos de Inteligência Artificial (IA) desceu cerca de 47% por trimestre, o equivalente a 13 vezes por ano, um ritmo superior ao observado na eletricidade, no poder de computação, nas baterias de iões de lítio e na sequenciação de ADN.

O relatório da Epoch AI, da autoria de Luke Emberson e David Roodman, procura medir o quão rápido baixa o custo de obter um dado nível de desempenho em IA, e não o preço médio dos produtos ou serviços da área. Para isso, analisa cinco benchmarks de matemática, ciências e jogos de perícia, e calcula o custo real de atingir cada nível de pontuação, o que inclui a quantidade de tokens consumida pelos modelos e não apenas o preço por token.

Como foi feita a medição

Para cada nível de desempenho, a análise considera o modelo mais barato capaz de o atingir em cada momento, o que pressupõe um utilizador que procura constantemente a opção mais económica para cada tarefa.

Os cinco benchmarks principais são os seguintes, todos com dados que começam em 2023:

  • AIME (OTIS Mock);
  • Chess Puzzles;
  • FrontierMath (níveis 1 a 3);
  • GPQA Diamond;
  • Mystery Game Puzzles.

Como exemplo, a Epoch estima que o o3, lançado pela OpenAI a 31 de janeiro de 2025, alcançava uma pontuação de 75% no GPQA Diamond, um teste de escolha múltipla com perguntas de física, química e biologia de nível de doutoramento, a um custo médio de 0,30 dólares por pergunta.

Menos de 18 meses depois, o GPT-5.6 Luna obteve a mesma pontuação por 0,0004 dólares, uma queda de 725 vezes. Os 75% são calculados a partir do mínimo esperado por simples palpite, pelo que equivalem a 81,25% de respostas certas.

Uma queda mais rápida do que noutras tecnologias

O relatório compara o ritmo da IA com séries de preços de outras tecnologias, expressas em reduções anuais compostas:

  • 1,05 vezes por ano para a eletricidade residencial nos Estados Unidos entre 1892 e 1973;
  • 1,16 vezes para as baterias de iões de lítio entre 1991 e 2024;
  • 1,51 vezes para a computação entre 1940 e 2001;
  • 1,84 vezes para a sequenciação de ADN entre 2001 e 2025.

Em log points, ou seja, a rapidez com que o preço se reduz de forma composta, a descida do custo da IA é cerca de quatro vezes mais rápida do que a da sequenciação de ADN, seis vezes do que a da computação, 18 vezes do que a das baterias e 54 vezes do que a da eletricidade.

Ainda assim, os autores admitem que a comparação mistura realidades diferentes. O “preço do pensamento” agrega serviços variados e em constante evolução, ao passo que, nas outras tecnologias, se dispõe de preços de mercado de produtos provavelmente mais homogéneos e talvez menos dinâmicos.

Variação por tarefa e abrandamento

O ritmo depende do tipo de tarefa, com descidas de 39% a 43% por trimestre nos jogos e de 50% a 52% na matemática. Em três dos cinco benchmarks, o custo desce mais depressa logo após um nível de desempenho ser atingido pela primeira vez, e em média, nos cinco, a queda é de 66% por trimestre nesse momento e de 32% dois anos depois.

Uma explicação possível, que o estudo não testa, é que quem atinge um novo nível pode cobrar um prémio durante pouco tempo, até a concorrência fazer o preço cair.

Análise curiosa, mas com limitações

Como limitação para a sua análise, a Epoch refere o risco do chamado benchmaxxing, isto é, de os modelos serem treinados especificamente para os testes, e lembra que bons resultados num benchmark não equivalem a trabalho útil. Além disso, uma vez que os utilizadores reais não mudam constantemente para o modelo mais barato, não obtêm as mesmas poupanças.

Assim, com apenas três anos de dados e várias formas razoáveis de calcular médias, os autores avisam que os números não devem ser lidos como exatos.

Ainda assim, consideram “indiscutível” que o preço desceu muito depressa, ressalvando que os lucros acima do normal podem ser passageiros para qualquer modelo em particular, o que é, ao mesmo tempo, causa e consequência da corrida entre empresas do setor.

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