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Os motores elétricos recondicionados chegaram, e custam menos 30%

7 Comentários

A Renault começou a vender motores elétricos recondicionados com um preço médio 30% inferior ao de uma peça nova, numa altura em que cada vez mais elétricos saem da garantia. No sentido de reparar em vez de substituir, as baterias podem ser o próximo passo.

Motor Renault

A novidade foi apresentada na Automechanika 2026, em Frankfurt, pela The Remakers, empresa especializada em remanufactura automóvel desde 1949 e subsidiária da The Future is NEUTRAL, a divisão de economia circular resultante de uma joint venture entre a Renault Group e a SUEZ.

Em conjunto, lançaram uma nova linha de recondicionamento para o motor elétrico 6AM, usado no Renault Mégane E-Tech, no Scénic E-Tech e na Master elétrica.

O processo de desmontagem, inspeção e revisão decorre nas instalações da Renault em Flins, em França, antes de as unidades regressarem ao circuito de peças de substituição.

A Renault garante que os motores recondicionados têm desempenho e fiabilidade equivalentes aos de um motor novo, com garantia total, apesar de custarem, em média, 30% menos.

Esta oferta junta-se à do motor 5A, usado no Zoe e na Kangoo elétrica, e à do controlador eletrónico de potência, que a The Remakers já recondicionava.

Segundo a Renault, a viabilidade do projeto é facilitada pelo facto de o 6AM ser um motor síncrono de rotor bobinado, o que significa que não depende de ímanes permanentes fabricados com terras raras, uma vez que o campo magnético é gerado por um enrolamento elétrico, reduzindo a dependência de materiais críticos e facilitando todo o processo de recondicionamento.

Menos 67% de impacto ambiental

À consultora Quantis, a Renault encomendou uma Avaliação de Ciclo de Vida realizada segundo normas ISO e sujeita a revisão externa independente, que analisou oito famílias de componentes recondicionados pela The Remakers e avaliou cinco indicadores de impacto ambiental:

  • Alterações climáticas;
  • Uso de recursos minerais e metálicos;
  • Acidificação;
  • Eutrofização de água doce;
  • Formação de ozono fotoquímico.

Os resultados mostram que os motores elétricos recondicionados reduzem o impacto ambiental em pelo menos 67% em cada um dos cinco indicadores, enquanto a eletrónica de potência recondicionada reduz esse impacto em pelo menos 47%.

Este último ganho resulta em grande parte do reaproveitamento de cobre e de componentes eletrónicos, materiais cuja extração e transformação têm um custo ambiental elevado.

O estudo confirma ainda benefícios semelhantes no recondicionamento de motores de combustão e de transmissões manuais e híbridas.

Segundo a Renault, quando as baterias de carros elétricos não são mais capazes de alimentar um veículo, podem ser recicladas para uso no armazenamento de energia elétrica. Na Refactory, em Flins, mais de 500 baterias fornecem armazenamento estacionário de eletricidade em larga escala (15 MWh).

As baterias entram no mesmo jogo

Se o motor não costuma ser o componente mais problemático de um elétrico, a bateria é o mais caro, pelo que esta tendência de reparar em vez de substituir pode ser ainda mais relevante.

Do lado da Renault, a GAIA, outra subsidiária da The Future is NEUTRAL, já diagnostica e repara baterias de tração, permitindo que, consoante o seu estado, continuem a ser usadas no mesmo veículo, tenham uma segunda vida noutra aplicação ou sigam para reciclagem.

A Renault estima que 99% das baterias de veículos elétricos sejam reparáveis e que, só em 2025, foram recondicionadas 3000 baterias elétricas ou híbridas no Centro de Especialização e Reparação de Baterias, também instalado em Flins.

Fora do universo Renault, a chinesa CATL, a maior fabricante mundial de baterias, tem avançado num caminho semelhante através da sua marca de pós-venda Ning Service, cuja tecnologia Cell-to-Pack permite reparar módulos ou células danificadas sem substituir a bateria inteira, o que pode baixar o custo de uma reparação para cerca de 10% a 20% do valor de uma substituição completa.

A CATL já opera centros de reparação na Europa, incluindo na Noruega e na Turquia, com o objetivo de chegar a 100 cidades a nível mundial até ao final de 2026.

Entretanto, à medida que os carros elétricos acumulam anos e quilómetros, o problema deixa de ser apenas quanto custa fabricá-los e passa a ser também quanto custa mantê-los e repará-los fora de garantia, com motores, eletrónica de potência e baterias a seguirem o mesmo caminho, de reparar por componentes em vez de substituir o conjunto todo.

Comentários

7
  1. PG
    Paulo+g.

    No Renault Zoe, por vezes é só reparar o rolamento, que a Renault recuse-se a vender

  2. MA
    Marco

    A Renault a se preocupar? A primeira marca a trocar o motor por causa de um rolamento e a incutir o custo astronómico ao cliente…haja pessoas a se formar nestas mecânicas e electrónicas para pararem com estas loucuras das marcas. Já vai havendo, mas é preciso muito mais!

    Estas táticas de substituir as peças ou modulos completos e depois apregoarem que preocupam-se com o meio ambiente é das maiores hipocrisias do mundo automóvel nos dias de hoje, sejam de eléctricos ou a combustão.

    1. YA
      Yamahia

      Realmente tenho ouvido muitas queixas de proprietários de ZOE’s em relação a esta matéria.

    2. GR
      Grunho

      O chiffre d’affaires das marcas e dos concessionários faz-se com os carros que avariam. Os que duram, o cliente compra uma vez e nunca mais volta para bater a nota. É esfolar, vilanagem!

  3. GR
    Grunho

    Um motor elétrico é suposto durar 50 anos ou mais. Praticamente não tem peças em contacto e desgaste por atrito. Os carros elétricos da Carris e STCP alguns têm motores com 100 anos e mais e continuam a operar. E a facturar aos turistas.

  4. CO
    CombustãoInterna

    Até os novos dão problemas quanto mais os condicionados! LOL

    1. VM

      Não dão problemas, tanto é que até podem ser recondicoonados 😉

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