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UE trava pedido de Portugal e outros cinco países para taxar lucros das petrolíferas

38 Comentários

Portugal juntou-se a mais cinco países da União Europeia (UE) para pedir a criação de um mecanismo fiscal permanente que permita tributar os lucros extraordinários das petrolíferas sempre que houver um choque nos preços da energia. A Comissão Europeia já respondeu.

Numa carta enviada à Presidência irlandesa da UE, e avançada pela Reuters, os ministros das Finanças de Portugal, Alemanha, Espanha, Itália, Áustria e Polónia pedem que o tema seja discutido na próxima reunião do Conselho para as Questões Económicas e Financeiras (ou Ecofin), agendada para os dias 18 e 19 de setembro, em Dublin.

O ministro das Finanças português, Miranda Sarmento, já tinha avançado, em abril, ao lado de Espanha, Alemanha, Itália e Áustria, com um pedido semelhante à Comissão Europeia, que resultou num imposto temporário sobre os lucros extraordinários do setor energético, aprovado em maio.

Desta vez, o grupo ganha um sexto membro, a Polónia, e quer ir mais longe.

Da medida pontual a um mecanismo permanente

Em vez de um imposto avulso e discricionário, como o atual, os seis países querem um mecanismo europeu permanente, aprovado ao mais alto nível no Conselho Europeu e depois legislado pelo Parlamento Europeu.

Este instrumento ficaria disponível para ser ativado sempre que surgisse um novo choque petrolífero, sem necessidade de negociar tudo de raiz a cada crise.

Os ministros justificam o pedido com a subida dos preços provocada pelo bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz, no contexto do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.

Segundo os dados citados na carta, o petróleo bruto subiu cerca de 25% desde 28 de fevereiro, data do início do conflito, mas os combustíveis refinados subiram ainda mais: na Europa, o gasóleo valorizou mais de 70% e a gasolina cerca de 20%.

Para o grupo, isso é sinal de que as petrolíferas estão a lucrar acima do que a simples subida do crude justificaria, e pedem também os resultados de uma investigação europeia às margens de refinação, por forma a perceber se as refinarias estão a aproveitar-se da escalada de preços.

Bruxelas recusa avançar com uma medida comum contra as petrolíferas

Questionada pela RTP Antena 1, a Comissão Europeia esclareceu que a tributação de lucros extraordinários é uma competência nacional, e não algo que a UE vá impor de forma centralizada.

O porta-voz, Maciej Berestecki, explicou que cabe a cada Estado-membro decidir se quer avançar com este tipo de imposto, usando a sua própria legislação fiscal, desde que essas medidas respeitem sempre as regras europeias.

A Comissão Europeia promete acompanhar caso a caso as decisões de cada país, divulgar boas práticas e avaliar o impacto no Mercado Único. Não obstante, não assume, para já, propor uma taxa comum como fez em 2022.

Em 2022, propusemos, de facto, uma medida neste sentido, mas foi em circunstâncias extremamente extraordinárias, em que os preços atingiram níveis sem precedentes.

Justificou a porta-voz chefe da Comissão, Paula Pinho.

Assim sendo, o pedido dos seis países fica, assim, dependente da discussão política que deverá acontecer em setembro, em Dublin.

Para já, a Comissão Europeia não considera a hipótese de uma taxa europeia coordenada a curto prazo, deixando a decisão nas mãos de cada governo, incluindo o português, que continua a defender um caminho comum para toda a UE.

 

Leia também:

Governo português cria taxa extraordinária sobre lucros das petrolíferas

Comentários

38
  1. FI
    Filas

    Isto só mostra que existe um tacho muito grande em Bruxelas, como sempre existem muitos a comer e acabar com a galinha de ovos de ouro é não pode ser…

    Por isso é que a Europa está como está…

    1. IT
      ItsmeMikey

      Não compreendeste a noticia.
      Bruxelas passou o ónus para os estados membros que quiserem aplicar o imposto segundo a sua politica fiscal.
      ”
      O porta-voz, Maciej Berestecki, explicou que cabe a cada Estado-membro decidir se quer avançar com este tipo de imposto, usando a sua própria legislação fiscal, desde que essas medidas respeitem sempre as regras europeias.

      A Comissão Europeia promete acompanhar caso a caso as decisões de cada país, divulgar boas práticas e avaliar o impacto no Mercado Único. Não obstante, não assume, para já, propor uma taxa comum como fez em 2022.
      ”

      Que é o que faz sentido.
      As politicas fiscais são diferentes em todos os estados.

      1. A
        A

        Sim são competência do pais membro, mas há uns detalhes há leis Europeias que apenas permitem como excepcionalidade, e que estabelece limites mini e máximos, para dar um exemplo o Estado Membro, não pode de repente dizer que o IVA dos barcos ou carros, seria a taxa reduzida do IVA, ou que a compra não tivesse IVA, já dizer se a taxa normal é 21% ou 19, 23%, já é competência do EM

        Lucros extraordinários, por natureza a Lei Europeia, pode bloquear a não ser que seja possível fazer uma derrogação, ou por ex não haver acordos entre EM, que impeçam a dupla tributação, são tudo exemplos que Bruxelas, não permite, provavelmente será aqui o caso …

    2. JL
      JL

      Um tacho ? Ou estão a proteger os consumidores?

      Se implementarem mais uma taxa , mesmo que seja sobre os lucros, quem a vai pagar ?

      1. FC
        Fernando Costa

        Porque será que os membros da UE não se interessaram pela questão?
        O que os motiva?
        Se fosse para taxar pequenas empresas que não têm poder de influência, era mais fácil para a UE.

        1. JL
          JL

          Porque é mais um custo para os consumidores.

      2. MO
        Morty

        Olha o JL a dizer coisas acertadas xD

    3. CO
      corretor

      Não, apenas mostra que se Portugal quisesse já o podia ter feito em vez de andar a arrastar o assunto.

      1. FC
        Fernando Costa

        Também é verdade

    4. GR
      Grunho

      Não é novidade nenhuma. Os parasitas de Bruxelas – do PPE partido popular europeu- são subordinados da indústria petrolífera.

  2. AN
    Analista

    Portugal não tem soberania fiscal. UE protege as petrolíferas que pagam aos burocratas.

    1. NH
      nhecos

      Literalmente no mesmo artigo – “Cabe a cada Estado-membro decidir se quer avançar com este tipo de imposto”.

    2. JL
      JL

      Ou está a proteger os consumidores de mais uma despesa ?

      1. GR
        Grunho

        É suposto que o imposto saísse dos bolsos dos donos das petrolíferas, não dos consumidores.

  3. ZE
    Zec

    A loira deve receber muito por fora..

    1. OO
      -O_O-

      recebe é “tudo lá dentro” 😉

  4. MA
    Max

    O post fala em duas coisas que convém não confundir:
    – lucros das petrolíferas
    – margens de refinação.
    A Galp, em Portugal (ou a Repsol, em Espanha) – é uma petrolífera integrada, ou seja, possui a produção/extração e a refinação (e ainda a atividade gasolineira, de venda em postos de combustíveis). O imposto que se está a falar é sobre o lucro do grupo integrado.
    Já a margem de refinação, convém distinguir entre a) margem teórica de refinação – a diferença entre o preço de venda dos refinados e os custos do petróleo às cotações internacionais, e b) margem efetiva, considerando os custos reais do petróleo.
    Como se sabe, a ERSE, no estudo recente, não encontrou irregularidades na margem de refinação (teórica) da Galp (nem nas margens das gasolineiras, em que, do mesmo modo, são considerados nos custos as cotações internacionais dos refinados e não os preços que efetivamente suportam).
    Quanto aos falados “impostos sobre os lucros extraordinários das petrolíferas”, em Portugal é só sobre a Galp. O governo anunciou o imposto, a ver vamos se avança. Em todo o caso, à semelhança de 2022-2023, em que houve um imposto semelhante, será um valor relativamente reduzido.

    1. AN
      Analista

      A culpa é da Golp, têm o monopólio da refinação há 86 anos

      1. MA
        Max

        Culpa de quê? De ter mais lucros do que o habitual devido à subida das cotações internacionais? Deve baixar os preços refinados quando os lucros sobem? Ou, como qualquer empresa, limitar-se a pagar um valor maior de impostos quando os lucros sobem?
        Quanto ao monopólio da refinação, sim é a única refinaria em Portugal. Mas o que é facto é que, em 2020, com a Covid, quando o negócio da refinação andava em baixo por falta de consumo, ninguém quis investir na refinaria de Matosinhos, que foi fechada. E há gasolineiras, como a Repsol, que não compram à Galp – importam os refinados.
        Além disso, a refinação é uma atividade regulada pela ERSE – a Galp não pode ter uma margem de refinação excessiva.

        1. A
          A

          esses preços não são regulados, agora não podem impedir de comprar tudo em Espanha, França, etc

          1. MA
            Max

            Preços regulados são preços sujeitos à supervisão de um regulador, em Portugal a ERSE. Não é o mesmo que preços fixados.
            O pessoal está cada vez mais preguiçoso, não se esforça minimamente em se informar antes de arrotar …

      2. NA
        Nuno Amorim

        A Culpa é do Estado que leva 51%/54% de impostos sobre o preço final.

  5. JP
    Joao Ptt

    É estranho que em um produto tão essencial não tenha uma taxa de imposto total compatível com a importância dele, que em Portugal deveria ser de 6%.

    Fica a reflexão.

    Tão preocupados em ir roubar mais dinheiro a quem trabalha: as petrolíferas, mas quando trata-se de não fazer nada e cobrar uma exorbitância, aí estão os políticos para serem “úteis”.

    Bem que dizia um país qualquer desses grandes produtores de petróleo durante uma crise qualquer, que os países estavam muito preocupados com o preço elevado, mas baixar os impostos elevadíssimos sobre os mesmos isso eles não faziam, e isso eles não criticavam (os seus próprios elevados impostos).

    1. MA
      Max

      Em Espanha, de março a 30 de junho, o IVA sobre os combustíveis baixou de 21% para 10% (além de ter baixado o equivalente ao ISP).
      Ao fim de 4 meses, voltou para 21%, porque o orçamento não aguentava, e também porque em junho, o preço do petróleo tinha descido bastante (mas voltou a subir depois).

    2. JL
      JL

      Portugal continua a baixar o ISP, afinal há quem se interesse.

      1. MA
        Max

        Portugal é um dos países com maior carga fiscal sobre os combustíveis.
        Inventaram o desce/sobe para compensar o sobe/desce do valor do IVA, para os preços não subirem tanto – mas o valor dos impostos sobre os combustíveis (ISP e IVA) nunca baixa.
        Espanha tem habitualmente uma carga fiscal sobre os combustíveis menor que em Portugal – mas de março até 1 de julho baixou os impostos muito mais (ao fim de 4 meses teve que se render a Trump, não há quem aguente).

        1. JL
          JL

          Dos ? só fica em sétimo.

          E fizeram eles muito bem.

          Baixa, acabou de dizer que baixou.

          E não é sobe e desce, é só desce, porque se não houvesse esse desconto não subia.

        2. RE
          Realista

          Sim, Portugal é um dos países com maior carga fiscal a vários níveis. E porquê? Porque não há governo que tenha coragem de fazer descer a despesa, incluindo o atual. E a despesa tem de ser paga. E para isso são necessários impostos. Com o país que temos, qualquer tentativa no sentido de descida da despesa implica contestação e demagogia a todos os níveis. Implica notícias e hordas de indignados na abertura dos telejornais. E todos os governos recuam perante isso.

          Mas a culpa também é de todos nós. Todos queremos reformas estruturais e descida de despesa… mas desde que só atinja a quintinha dos outros. A nossa não. A culpa é dos sucessivos governos por terem medo de fazer as mudanças necessárias, sim, mas acima de tudo é nossa porque queremos mudanças, mas sem as dores associadas às mesmas. E isso não existe.

          E com a qualidade da classe política atual, isso não vai mudar nos próximos anos. Tanto do lado do atual governo, que está a ser uma desilusão completa, como do lado da oposição, que até assusta pela demagogia e falta de ética na oposição que tem feito, o que nos deixa num beco sem saída nas próxima eleições. Infelizmente, não prevejo nada de bom nos próximos anos que aí vêm. E muito menos qualquer descida da carga fiscal sobre os combustíveis.

  6. MI
    Muito mais que isso.

    O curioso é que, em Portugal, o combustível antes de impostos — já refinado e pronto para distribuição — é mais barato do que em Espanha.A grande diferença está no peso brutal dos impostos, uma carga fiscal esmagadora que incide sobre quase tudo no país.Os sucessivos governos acabam por esgotar a paciência dos cidadãos com esta gestão e com a constante manipulação dos preços.

  7. PE
    PeterJust

    Pegar neste dinheiro e aplicar no incentivo de troca de carros antigos por VE’s, assim quanto mais lucrassem, mais depressa as vendas de combustiveis baixavam, e iam pensar 2 vezes antes de quererem lucros extraordinários, mas não há grande coragem para abanar as petroliferas

    1. MA
      Max

      Os lucros extraordinárias das petrolíferas de que se está a falar são desde fevereiro, e resultam do ataque dos EUA e Israel ao Irão e da resposta do Irão bloqueando o estreito de Ormuz, que fez subir as cotações internacionais do petróleo e dos refinados.
      Nada tem a ver com mais ou menos veículos elétricos a circular.
      E por que é que se deve aumentar os impostos sobre a Galp para subsidiar a compra de veículos elétricos? Os elétricos têm é que pagar impostos, não é mamar.

      1. PE
        PeterJust

        Porque se a maior parte dos veiculos a circular forem eletricos, andam com energia produzida cá e muito mais barata, não precisamos de estourar milhões diariamente em petróleo e não ficamos dependentes de guerras estupidas que só beneficiam para as petroliferas e os amigos do trump. O ser mais ecológico é um bonus e funciona bem como marketing. Acho que é fácil de compreender.

        1. MA
          Max

          A app ViaGas tem uma opção para encontrar a bomba “+barato” ou “+perto”.
          Escolhi o “+perto” e dei-me ao trabalho de contar as que estavam a menos de 5 km. São 36. A maior parte dos que as usam não tem garagem para carregar um elétrico ou no emprego.
          Com carros elétricos, diz-me lá como é que todos os que abastecem nestas bombas vão carregar as baterias em postos de carregamento.
          Por certo há uma app para os elétricos que também dá os postos de carregamento público nas proximidades. Define um perímetro e diz quantas bombas vs. postos de carregamento.
          O pessoal que apregoa a eletrificação dos carros parece que vê tomadas por todo o lado.
          Já o pessoal que tem carros elétricos nem quer que aumentem muito, senão não conseguem carregar nas autoestradas para chegar ao Algarve em agosto.

          1. PE
            PeterJust

            Agora o problema é como carregar… grande problema… Na europa não há eletricidade em lado nenhum… é uma coisa rara encontrar eletricidade, tem que se fazer um buraco no chão de 2km para começar a jorrar eletricidade… é mesmo um problema muito dificil de resolver.

          2. MA
            Max

            E o número de postos de carregamento e o número de bombas de gasolina nas proximidades, em vez do bréu-bréu?

          3. PE
            PeterJust

            É como te digo, é um grande problema, eu nem sei porque é que as pessoas compram carros eletricos se depois tem de ir a espanha carregar porque cá não há postos e como ninguém carrega, são cada vez menos, há até quem diga que são uma especie em vias de extinção. Ainda bem que podemos carregar os nossos carros a gasóleo numa qualquer torneira que temos em casa se não ia ser uma tragédia.

          4. YA
            Yamahia

            Podes pois ó Peter e tbm podes no meio da estrada deserta ou no cimo de um monte em pleno trilho.

  8. JT
    Joao Tomé

    Viva a Europa da garrafinha de plástico e da sua tampa acoplada.
    Da abertura de fronteiras, da destruição da industria. Viva, urra!!

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