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NASA faz uma atualização à Voyager 2 e prolonga a vida da sonda lançada em 1977

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Há máquinas que simplesmente se recusam a morrer. A Voyager 2 foi lançada em 1977, está atualmente a mais de 20 mil milhões de quilómetros da Terra e continua a enviar informação científica.

Agora, quase meio século depois, os engenheiros da NASA encontraram mais uma forma de prolongar a sua vida operacional.

NASA encontrou mais alguns watts para a Voyager 2

A Voyager 2 enfrenta um problema inevitável: está lentamente a ficar sem energia. A sonda utiliza um gerador termoelétrico de radioisótopos, conhecido como RTG, que transforma em eletricidade o calor libertado pelo decaimento de plutónio.

É uma tecnologia extraordinariamente fiável e adequada para missões onde os painéis solares já não são uma solução prática.

A energia elétrica das sondas Voyager é fornecida por três geradores termoelétricos de radioisótopos. Eles são alimentados pelo decaimento do Plutónio-238.

Contudo, a produção de eletricidade diminui progressivamente. Segundo a NASA, cada uma das sondas Voyager perde aproximadamente 4 watts de potência disponível por ano. Depois de quase 50 anos no espaço, cada watt passou a contar.

Para perceber a dimensão do problema, a Voyager 2 partiu da Terra com 10 instrumentos científicos. Atualmente apenas três continuam operacionais.

A Voyager 2 está atualmente no espaço interestelar, muito para além da órbita de Plutão e fora da heliosfera, a “bolha” de partículas e campos magnéticos criada pelo Sol.

Operação “Big Bang”

A solução encontrada pelos engenheiros do Jet Propulsion Laboratory recebeu internamente um nome bastante apropriado: “Big Bang”.

Apesar de algumas notícias descreverem a intervenção como uma simples atualização, trata-se essencialmente de uma reorganização profunda da utilização da energia disponível a bordo.

Sabia que cada uma das naves espaciais transporta um Disco de Ouro com mais de uma centena de fotografias que funcionam como uma cápsula do tempo que representa a vida na Terra?

Os engenheiros desligaram simultaneamente determinados equipamentos que consumiam energia e substituíram as suas funções por alternativas de menor consumo.

O desafio estava em encontrar o equilíbrio certo. Não basta desligar equipamentos. A Voyager 2 tem de permanecer suficientemente quente para que os seus sistemas eletrónicos e instrumentos continuem a funcionar no ambiente extremamente frio do espaço interestelar. A operação foi bem sucedida.

Imagem Voyager 2

Voyager 2 ganhou pelo menos mais um ano

Sem esta intervenção, a NASA previa desligar mais um instrumento científico da Voyager 2 antes do final de 2026.

A energia agora poupada deverá permitir manter os três instrumentos científicos restantes em funcionamento durante, pelo menos, mais um ano.

Pode parecer pouco, mas estamos a falar de equipamento concebido na década de 1970 e que funciona continuamente num local onde qualquer reparação física é simplesmente impossível.

Além disso, comunicar com a Voyager 2 tornou-se um exercício de enorme paciência. A sonda encontra-se atualmente a cerca de 143 unidades astronómicas da Terra, ou seja, mais de 21 mil milhões de quilómetros.

Um comando enviado da Terra demora aproximadamente 20 horas a chegar à sonda. Confirmar se determinada alteração funcionou pode, portanto, obrigar os engenheiros a esperar perto de 40 horas entre o envio de uma instrução e a receção da respetiva resposta.

Tecnologia dos anos 70 continua a fazer ciência em 2026

A Voyager 2 foi lançada a 20 de agosto de 1977, cerca de duas semanas antes da Voyager 1.

A missão aproveitou um raro alinhamento dos planetas exteriores para visitar Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno. Continua, até hoje, a ser a única sonda espacial que visitou Urano e Neptuno de perto.

Em novembro de 2018 atravessou a heliopausa e entrou no espaço interestelar, tornando-se, depois da Voyager 1, no segundo objeto construído pela humanidade a conseguir fazê-lo

Desde então, os instrumentos ainda ativos continuam a estudar o ambiente existente para lá da influência direta do vento solar.

Voyager 1 será a próxima

A mesma técnica deverá agora ser aplicada à Voyager 1. A NASA confirmou que pretende realizar uma operação semelhante nos próximos meses.

A situação é ainda mais delicada porque a Voyager 1 está mais distante da Terra e também tem vindo a perder instrumentos científicos devido à falta de energia.

A Voyager 1 encontra-se atualmente a cerca de 171 unidades astronómicas da Terra, sendo o objeto construído pelo ser humano mais distante do nosso planeta.

As duas sondas aproximam-se entretanto de outra marca histórica: em 2027 celebrarão 50 anos no espaço.

O objetivo dos engenheiros é simples: manter pelo menos um instrumento científico operacional durante o máximo de tempo possível.

Quando já não existir energia suficiente para alimentar os instrumentos e os sistemas essenciais de comunicação, as Voyager continuarão a viajar pelo espaço interestelar, mas em silêncio.

Até lá, a NASA continua a demonstrar que, mesmo numa máquina construída há quase meio século, ainda é possível encontrar alguns watts para fazer mais ciência.

Comentários

3
  1. PL
    PLM

    Excelente artigo. Parabéns.

  2. GF
    gFan

    Parabéns pelo artigo, muito fixe!

  3. AD
    Abel Dias

    Simplesmente fantástico…basta ler a noticia. Recordo de quando tinha 13 anos ver a notícia e ficar muito entusiasmado, julgo Carl Sagan era director…hoje as mesmas naves estão espaço interestelar…único.

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