NASA faz uma atualização à Voyager 2 e prolonga a vida da sonda lançada em 1977
Há máquinas que simplesmente se recusam a morrer. A Voyager 2 foi lançada em 1977, está atualmente a mais de 20 mil milhões de quilómetros da Terra e continua a enviar informação científica.
Agora, quase meio século depois, os engenheiros da NASA encontraram mais uma forma de prolongar a sua vida operacional.
NASA encontrou mais alguns watts para a Voyager 2
A Voyager 2 enfrenta um problema inevitável: está lentamente a ficar sem energia. A sonda utiliza um gerador termoelétrico de radioisótopos, conhecido como RTG, que transforma em eletricidade o calor libertado pelo decaimento de plutónio.
É uma tecnologia extraordinariamente fiável e adequada para missões onde os painéis solares já não são uma solução prática.

Contudo, a produção de eletricidade diminui progressivamente. Segundo a NASA, cada uma das sondas Voyager perde aproximadamente 4 watts de potência disponível por ano. Depois de quase 50 anos no espaço, cada watt passou a contar.
Para perceber a dimensão do problema, a Voyager 2 partiu da Terra com 10 instrumentos científicos. Atualmente apenas três continuam operacionais.

Operação “Big Bang”
A solução encontrada pelos engenheiros do Jet Propulsion Laboratory recebeu internamente um nome bastante apropriado: “Big Bang”.
Apesar de algumas notícias descreverem a intervenção como uma simples atualização, trata-se essencialmente de uma reorganização profunda da utilização da energia disponível a bordo.

Os engenheiros desligaram simultaneamente determinados equipamentos que consumiam energia e substituíram as suas funções por alternativas de menor consumo.
O desafio estava em encontrar o equilíbrio certo. Não basta desligar equipamentos. A Voyager 2 tem de permanecer suficientemente quente para que os seus sistemas eletrónicos e instrumentos continuem a funcionar no ambiente extremamente frio do espaço interestelar. A operação foi bem sucedida.
Voyager 2 ganhou pelo menos mais um ano
Sem esta intervenção, a NASA previa desligar mais um instrumento científico da Voyager 2 antes do final de 2026.
A energia agora poupada deverá permitir manter os três instrumentos científicos restantes em funcionamento durante, pelo menos, mais um ano.
Pode parecer pouco, mas estamos a falar de equipamento concebido na década de 1970 e que funciona continuamente num local onde qualquer reparação física é simplesmente impossível.
Além disso, comunicar com a Voyager 2 tornou-se um exercício de enorme paciência. A sonda encontra-se atualmente a cerca de 143 unidades astronómicas da Terra, ou seja, mais de 21 mil milhões de quilómetros.
Um comando enviado da Terra demora aproximadamente 20 horas a chegar à sonda. Confirmar se determinada alteração funcionou pode, portanto, obrigar os engenheiros a esperar perto de 40 horas entre o envio de uma instrução e a receção da respetiva resposta.
Tecnologia dos anos 70 continua a fazer ciência em 2026
A Voyager 2 foi lançada a 20 de agosto de 1977, cerca de duas semanas antes da Voyager 1.
A missão aproveitou um raro alinhamento dos planetas exteriores para visitar Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno. Continua, até hoje, a ser a única sonda espacial que visitou Urano e Neptuno de perto.
Em novembro de 2018 atravessou a heliopausa e entrou no espaço interestelar, tornando-se, depois da Voyager 1, no segundo objeto construído pela humanidade a conseguir fazê-lo
Desde então, os instrumentos ainda ativos continuam a estudar o ambiente existente para lá da influência direta do vento solar.
Voyager 1 será a próxima
A mesma técnica deverá agora ser aplicada à Voyager 1. A NASA confirmou que pretende realizar uma operação semelhante nos próximos meses.
A situação é ainda mais delicada porque a Voyager 1 está mais distante da Terra e também tem vindo a perder instrumentos científicos devido à falta de energia.
A Voyager 1 encontra-se atualmente a cerca de 171 unidades astronómicas da Terra, sendo o objeto construído pelo ser humano mais distante do nosso planeta.
As duas sondas aproximam-se entretanto de outra marca histórica: em 2027 celebrarão 50 anos no espaço.
O objetivo dos engenheiros é simples: manter pelo menos um instrumento científico operacional durante o máximo de tempo possível.
Quando já não existir energia suficiente para alimentar os instrumentos e os sistemas essenciais de comunicação, as Voyager continuarão a viajar pelo espaço interestelar, mas em silêncio.
Até lá, a NASA continua a demonstrar que, mesmo numa máquina construída há quase meio século, ainda é possível encontrar alguns watts para fazer mais ciência.





















