Há 35 anos, em agosto de 1991, um investigador do CERN fez algo que, na altura, parecia pouco mais do que uma experiência destinada a facilitar a troca de informação entre cientistas. Publicou na Internet uma mensagem sobre um novo sistema chamado World Wide Web.
O que aconteceu a seguir mudou para sempre a forma como o mundo utiliza a Internet. A história começou, contudo, alguns meses antes. E há um detalhe importante que muitas vezes é esquecido quando se conta esta história.
A primeira página Web nasceu em 1990
Tim Berners Lee, investigador britânico que trabalhava no CERN, apresentou em março de 1989 uma proposta para criar um sistema de informação distribuído que permitisse aos investigadores partilhar documentos através de uma rede.
A ideia foi evoluindo e, juntamente com Robert Cailliau, acabou por ser formalizada numa proposta apresentada em novembro de 1990.
No final desse mesmo ano, Berners Lee já tinha criado aquilo que viria a ser a base da Web: HTML, HTTP e URLs, além do primeiro navegador e do primeiro servidor Web.
O servidor funcionava num computador NeXT, instalado no escritório de Berners Lee no CERN. A máquina tinha uma etiqueta escrita à mão que avisava:
This machine is a server. DO NOT POWER IT DOWN!!
Era literalmente o primeiro servidor Web da história.
E qual foi o primeiro site?
O endereço era info.cern.ch.
O CERN confirma que este foi o primeiro website e servidor Web do mundo. A primeira página encontrava-se em: http://info.cern.ch/hypertext/WWW/TheProject.html
Não era propriamente aquilo a que hoje chamaríamos um site espetacular. A página explicava o que era a World Wide Web, como funcionava, como criar um servidor e como aceder a outros documentos.
Era, essencialmente, um manual sobre a própria Web. E isso faz todo o sentido: a primeira página Web da história explicava como utilizar a própria Web.

Então porque é que se fala tanto de 6 de agosto de 1991?
É aqui que surge a confusão. A primeira página e o primeiro servidor já existiam no CERN em dezembro de 1990. Em março de 1991, uma versão mais simples do navegador, chamada Line Mode Browser, já estava disponível para utilizadores dos computadores do CERN.
Mas foi a 6 de agosto de 1991 que Tim Berners Lee anunciou publicamente o projecto World Wide Web num grupo de discussão da Internet chamado alt.hypertext.
Nessa mensagem, apresentou o projecto e explicou como obter o software desenvolvido no CERN. A partir desse momento, a ideia começou a espalhar-se para além da comunidade de físicos que inicialmente beneficiava dela.
Por isso, 6 de agosto de 1991 é frequentemente considerada a data do nascimento público da Web.
A Internet já existia
Outro detalhe importante: Berners Lee não inventou a Internet. Quando criou a World Wide Web, a Internet já existia e era utilizada para comunicação entre diferentes redes e computadores.
O que Berners Lee criou foi uma camada que permitia organizar e consultar informação através de hiperligações, páginas e documentos ligados entre si.
A simplicidade dessa ideia foi revolucionária. Em vez de ser necessário conhecer sistemas complexos ou comandos específicos, bastava abrir um navegador, clicar numa ligação e seguir para outro documento.
O primeiro navegador também era um editor
O primeiro navegador criado por Berners Lee chamava-se WorldWideWeb. Mas tinha uma característica que hoje pode parecer surpreendente: não servia apenas para consultar páginas. Era simultaneamente um navegador e editor.
Berners Lee podia abrir um documento e editá-lo directamente através do mesmo programa. O conceito estava muito mais próximo daquilo que hoje fazemos com sistemas como WordPress ou editores colaborativos do que de um navegador moderno como o Safari ou Chrome.

A Web começou a espalhar-se rapidamente
Em dezembro de 1991 surgiu o primeiro servidor Web fora da Europa, instalado no Stanford Linear Accelerator Center (SLAC), nos Estados Unidos. A partir daí, começaram a surgir novos servidores e navegadores.
Em 1993 aconteceu outro momento decisivo: o CERN colocou o software da World Wide Web no domínio público, permitindo que qualquer pessoa pudesse utilizá-lo sem pagar royalties. Essa decisão foi fundamental para a expansão da Web.
Pouco depois surgiram navegadores mais acessíveis, como o Mosaic, e a Web começou a abandonar definitivamente o mundo académico para chegar ao público em geral.
De uma página num computador NeXT para milhares de milhões de sites
É difícil imaginar a dimensão da transformação. A primeira página Web era um simples conjunto de informação sobre um projecto científico, alojado num computador NeXT dentro do CERN.
Hoje, a Web é utilizada diariamente para comunicação, comércio, banca, entretenimento, trabalho, educação, ciência e praticamente todas as áreas da sociedade.
E existe uma curiosidade particularmente interessante: o computador NeXT que serviu como primeiro servidor Web continua preservado no CERN. O próprio CERN lançou, em 2013, um projecto para restaurar e preservar o primeiro website da história.




















