81 anos após a bomba atómica em Hiroshima, Japão está dividido sobre o futuro nuclear
Este ano, a cerimónia em Hiroshima ganhou um significado especial, pois, enquanto se recorda a destruição de 1945, o governo japonês pondera afastar-se, pela primeira vez, de um dos pilares da sua política pós-guerra, os chamados "três princípios não-nucleares".
Esta quinta-feira, Hiroshima recordou os 81 anos desde o lançamento da bomba atómica norte-americana que destruiu a cidade a 6 de agosto de 1945.
Às 8h15, hora local, o momento exato em que o bombardeiro B-29 "Enola Gay" largou o dispositivo nuclear "Little Boy", soou um sino da paz, seguido de um minuto de silêncio no Parque Memorial da Paz de Hiroshima.
Na cerimónia estiveram presentes cerca de 50 mil pessoas, incluindo representantes de aproximadamente 120 países e regiões, entre os quais os Estados Unidos e o Irão.
08:15 AM, Hiroshima.
People observe a minute of silence on the Aioi Bridge, which is said to have been the target of the atomic bomb, 81 years ago Today.pic.twitter.com/cUqzP4p3vU
— Massimo (@Rainmaker1973) August 6, 2026
O apelo do presidente da câmara
O presidente da câmara de Hiroshima, Kazumi Matsui, aproveitou o discurso para deixar críticas diretas às grandes potências mundiais, acusando-as de perpetuarem conflitos e de continuarem a justificar a posse de armas nucleares como forma de dissuasão.
Segundo Matsui, banalizar a desumanidade destas armas e aceitar o uso da força para garantir prosperidade própria pode desencadear novos ciclos de retaliação violenta, com o risco de resultar noutro Hiroshima ou Nagasaki.
O autarca deixou ainda o alerta de que continuar a tratar a dissuasão nuclear como uma abordagem meramente realista afasta cada vez mais o mundo do objetivo de eliminar estas armas.
Possível revisão da política não-nuclear
Esta foi a primeira vez que a primeira-ministra Sanae Takaichi participou na cerimónia desde que assumiu o cargo. Na sua intervenção, comprometeu-se a seguir uma abordagem "realista" rumo a um mundo sem uso de armas nucleares, sempre dentro do quadro do Tratado de Não Proliferação Nuclear das Nações Unidas.
Um detalhe que não passou despercebido foi o facto de Takaichi ter evitado reafirmar um compromisso claro com a continuidade dos três princípios não-nucleares do Japão, que assentam em não possuir, não produzir e não permitir a entrada de armas nucleares no país.
Isto surge num momento em que o seu executivo é apontado como favorável à revisão destes princípios nos próximos documentos de defesa e segurança nacional, nomeadamente quanto à possibilidade de permitir a presença de armamento nuclear norte-americano em solo japonês.

Pessoas a rezar em frente ao monumento dedicado às vítimas do bombardeamento atómico de 1945, no Parque Memorial da Paz de Hiroshima, para assinalar o 81.º aniversário do bombardeamento atómico, em Hiroshima, no oeste do Japão, a 6 de agosto. Crédito: Reuters/Yonhap, via The Korea Times
O que aconteceu em Hiroshima e Nagasaki
Importa recordar que o bombardeamento de Hiroshima matou cerca de 140 mil pessoas até ao final de 1945, entre vítimas imediatas e mortes por queimaduras, traumas e doenças relacionadas com a radiação.
Três dias depois, a 9 de agosto, os Estados Unidos lançaram uma segunda bomba atómica sobre Nagasaki, provocando cerca de 70 mil mortes. O Japão viria a render-se a 15 de agosto de 1945, pondo fim à Segunda Guerra Mundial no Pacífico.
Estes ataques permanecem, até hoje, o único uso de armas nucleares num contexto de guerra e continuam a alimentar o debate global sobre dissuasão nuclear, controlo de armamento e desarmamento.
A frustração dos sobreviventes de Hiroshima
Entretanto, os "hibakusha", como são conhecidos no Japão os sobreviventes dos bombardeamentos atómicos, têm manifestado crescente preocupação com o apoio internacional à posse de armas nucleares como forma de dissuasão, incluindo por parte do próprio governo japonês.
Contudo, o facto de o Japão depender dos Estados Unidos nesta matéria tem levado o governo a recusar assinar o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares da Organização das Nações Unidas, ou sequer participar nas suas reuniões como observador, um pedido antigo dos sobreviventes.
Atualmente, restam cerca de 91.105 sobreviventes, pouco mais de um quarto do número original, com uma idade média que já ultrapassa os 86 anos.
Com o avançar da idade, cresce também o receio de que as memórias diretas do sucedido se percam, uma vez que os sobreviventes mais jovens eram demasiado pequenos para recordar claramente os acontecimentos.
Mais de oito décadas depois, Hiroshima continua a ser um símbolo não apenas da devastação provocada pela guerra, mas também da luta persistente para evitar que a história se repita.
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Neste artigo: bomba atómica, Hiroshima, Japão























A Europa perdoa a Russia na guerra, volta a ter gas e petroleo russo..ignora os estados unidos. Desenvolve relacoes comerciais com a Russia, China e Turquia. Integra Servia, Moldova, Ucrania, Georgia, Albania e Montenegro na UE. Torna-se lider de energias renovaveis com aposta ganha na fusao nuclear. Os estados unidos cada vez mais isolados procuram a guerra mas todos lhes viram as costas…A Apple e os facebooks desaparecem…o mundo torna-se feliz. Os americanos sao os novos piratas do futuro e tentam sabotar tudo e todos, mas sao desmilitarizados e devolvidos aos povos nativos onde voltam a floresta e se tornam povos indigenas. Fim!
… dos tempos!!! right!!!!!!!!
Em que canal posso ver essa serie de ficção?
Troll
Nunca ira acontecer com o bando de inuteis que se tem a liderar a Europa, sao vassalos dos EUA, Moldova, Ucrania, Georgia, Albania deveriam ficar de fora, a serbia tenho duvidas.
Mais inacreditavel e o Japao subjugados a quem lancou duas Nukes sobre eles, masoquistas.
A decadência moral da américa já vem de muito lá atrás, uma nação manipulada pelo medo e emburrecida acerca do resto do mundo será sempre um perigo para o mundo e outras ideologias e maneiras de estar já para não falar em produzirem mortes com as bombas. Deviamos todos ter uma visão do futuro sem a américa predominante, o sistema americano não é saudável e merecemos melhor.
As alternativas são todas piores.
Viva a Europa, muitos artistas e até intelectuais fogem da U.S.A. para a Europa, tenta lá perceber porquê apesar do teu “realismo” estar bastante enviesado.
E Europa é fraca e se não fosse pela proteção da Nato (sejamos realistas, dos EUA), já há muito que tinha sido controlada pela ex-URSS e posteriormente desaparecido. Não gosto do tipo de política e cultura dos EUA, mas também não sou ideologicamente cego ao ponto de não reconhecer isto.
Os psicopatas dos agressores é que são o problema, o que falta à Europa é união, o resto vai-se resolvendo ou queres tipo o povo escravizado como na China ou estupidificado como a USA?
Percebo o que está a dizer, mas tu falas sempre de uma utopia inalcansável. E é inalcansável devido à natureza humana. E essa, na globalidade, não a consegues controlar. Ninguém consegue. Já falámos sobre isto noutros comentários de outros artigos. Agressores existem e sempre existirão. E não é com palavras apenas que os consegues parar. Do que conheço do mundo, não escolheria outro lugar para viver que não na Europa, mas a Europa é fraca e depende de terceiros para não ser atacada. E para não depender de terceiros, neste caso dos EUA, vai ter de se armar. Se eu gosto disso? Não. Mas é com este mundo imperfeito que temos que lidar todos os dias. Não com fantasias.
Mas eu escrevi que a Europa não se devia de defender?! óbvio que não mas a melhor defesa é na educação e dar condições de vida ás pessoas e espalhar know how pelo mundo para evoluirem e não invejarem a Europa e atacar-nos. O povo devia de ser educado a recusar participar em guerras e a pendurar os fascistas nas praças públicas e destrui-los.
Se nada disto resultar é começar a revolução espiritual, se no mundo externo é o caos ao menos que no interno haja alguma ordem.
Prepara-te para o argumento “woke”…
Estão como estamos quanto às armas nuclerares:
– Subscreveram o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e são oficialmente reconhecidos como detentores de armas nucleares 5 países: Rússia, EUA, China, França e Reino Unido:
– Possuem armas nucleares mas não subscreveram o TNP 4 países: Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Isral:
– Têm estacionadas no seu território armas nucleares dos EUA (mas não possuem a propriedade ou o controlo das armas, ou seja, o controlo operacional e os códigos de lançamento continuam em mão dos EUA) os países da NATO: Alemanha, Itália, Bélgica, Países Baixos e Turquia.
– Atualmente o único país que tem estacionadas armas nucleares russas é a Bielorússia (armas nucleares táticas).
Situação semelhante à do Japão (não possuir, não produzir e não permitir a entrada de armas nucleares no país) era a da Finlândia, até 2026. Neste ano, o parlamento finlandês removeu restrições – ao trânsito, transporte e presença temporária de armas nucleares de aliados (da NATO, a que a Finlândia aderiu). Continua proibido o fabrico, aquisição e detonação de armas nucleares.
É natural que o Japão também altere alguma coisa, para procurar obter meios de dissuasão nuclear (possuir armas nucleares como meios de dissuasão nuclear não significa a intenção de as usar – a finalidade da dissuasão nuclear é exatamente para não se usarem armas nucleares), mas também implica riscos.
Parece haver uma contradição o Japão estar dentro do TNP (não proliferação) mas fora do TPNW (proibição total)
– O Japão é é um dos subscritores originais do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) – subscreveu-o em 1970 e ratificou-o em 1976, .
– Mas não assinou o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (TPNW), negociado em 2017, que proíbe não só ter armas nucleares mas incentivar qualquer atividade relacionada com elas.
Os argumentos do Japão:
– Falta de eficácia prática do TPNW – nenhuma das potências nucleares (Rússia, China, EUA e as outras) o assinou ou tem intenções de o fazer. O Japão argumenta que um tratado em que não participam os países nucleares não representa um avanço para o desarmamento, preferindo o reforço do TNP
– O facto de depender do “guarda-chuva nuclear” dos EUA para a sua segurança nacional e para a segurança regional, face a países nucleares como a China e a Coreia do Norte tem sido considerado pelos sucessivos governos japoneses incompatível com subscrever o TPNW.
O Japão não ter assinado o TPNW não pode ser visto como tendo abandonado a sua política de “não possuir, não produzir e não permitir a entrada de armas nucleares no país”, reafirmada pela primeira ministra em Hiroshima.
A memória japonesa é curta, está apenas ligado á vassalagem que tem com o agressor!
A omissão dos agressores de forma continua não presta homenagem a todos aqueles que foram vitimas deste terrível crime…
Com a China como vizinho e armamento atómico, acho que o Japão tem andado adormecido, vamos ver se já não é tarde.
As armas nucleares não são para serem usadas, são para dissuadir loucos e incompetentes que gostão de resolver tudo como animais pré-históricos usando a força.
Diz lá quantos países a China já invadiu!
A retórica japonesa desde Outubro é que se apresenta mais belicista. Sanae Takaichi tem sido a voz do dono…