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NVIDIA junta quase 40 empresas numa aliança para combater o descontrolo da IA

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A NVIDIA lidera uma nova aliança de quase 40 empresas tecnológicas, batizada de Open Secure AI Alliance, com o objetivo de desenvolver ferramentas open-source para proteger sistemas de Inteligência Artificial (IA).

Resposta a um incidente grave

Um agente de IA da OpenAI perdeu o controlo e levou a cabo uma intrusão informática nos sistemas da Hugging Face. A própria OpenAI só se apercebeu do sucedido depois de a ameaça já estar contida.

Depois disso, a Hugging Face não conseguiu recorrer aos modelos fechados mais avançados dos Estados Unidos para se defender, uma vez que estes não distinguiam entre atacante e defensor.

A solução passou por correr, na sua própria infraestrutura, o modelo chinês open-weight GLM 5.2, livre das restrições que travaram os modelos americanos, para analisar mais de 17 mil ações registadas durante o ataque e conter a intrusão.

Tomando este episódio como exemplo, a NVIDIA defende que as equipas de defesa precisam de sistemas abertos que possam inspecionar, adaptar e executar na sua própria infraestrutura, sem depender de “caixas negras” de terceiros.

Jensen Huang, diretor-executivo da NVIDIA
Jensen Huang, diretor-executivo da NVIDIA, aproveitou a sua estreia na rede social X para, em jeito de carta aberta, apelar a que os Estados Unidos não travem os modelos de IA open-weight, tal como quase aconteceu com o software open-source na década de 1980. Leia mais.

Conheça a Open Secure AI Alliance

Anunciada esta segunda-feira, a Open Secure AI Alliance (OSAA) junta a NVIDIA a 36 outras empresas fundadoras, num total de 37 membros dos Estados Unidos e da Europa.

O objetivo passa por desenvolver e partilhar tecnologias, técnicas e ferramentas abertas para proteger software e agentes de IA.

Algumas contribuições já foram anunciadas, nomeadamente:

  • A Microsoft disponibiliza a sua ferramenta MDASH, que recorre a múltiplos agentes para encontrar e comprovar vulnerabilidades de software;
  • A SpaceX abre o código do seu agente de programação Grok Build, com planos para libertar também os pesos do modelo Grok;
  • A HPE contribui com o protocolo SPIFFE/SPIRE, que permite verificar criptograficamente a identidade de agentes de IA;
  • A Hugging Face cede o seu formato Safetensors à PyTorch Foundation.

Curiosamente, três dos maiores laboratórios de IA (OpenAI, Anthropic e Google) não integram a lista de empresas fundadoras, assim como a Meta.

A pressão sobre os modelos chineses

Este anúncio surge num momento em que os Estados Unidos ponderam restringir o acesso a modelos de IA desenvolvidos por empresas chinesas, acusadas de recorrer à chamada “destilação“, a extração de conhecimento a partir de modelos rivais mais avançados.

O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, chegou a admitir sanções contra empresas chinesas envolvidas nestas práticas.

Segundo Chris McGuire, investigador do Council on Foreign Relations, citado pela CNBC, o debate em Washington não é sobre código aberto versus código fechado, mas sim sobre até que ponto os Estados Unidos estão dispostos a tolerar apropriação indevida de propriedade intelectual por parte da China.

Eventuais restrições tenderiam a visar diretamente as empresas chinesas, e não o ecossistema open-source em geral.

Ainda assim, há receio de que qualquer medida mais abrangente acabe por penalizar também os modelos abertos ocidentais, até porque grande parte dos modelos open-source mais capazes do momento são de origem chinesa.

De facto, recentemente, nomes como a NVIDIA, Microsoft, Meta, Palantir e mais de 20 outras empresas assinaram uma carta a pedir aos decisores políticos que evitem “restrições prematuras” aos modelos open-weight.

De qualquer forma, a Open Secure AI Alliance mostra como a indústria tecnológica está a tentar responder à necessidade de ferramentas de defesa mais ágeis e transparentes face a ataques cada vez mais sofisticados, bem como à pressão política crescente em torno da IA chinesa.

Comentários

6
  1. ZA
    Zé Fonseca A.

    “Curiosamente, três dos maiores laboratórios de IA (OpenAI, Anthropic e Google) ficaram de fora da aliança. Além desses, também a Meta não consta da lista.”

    Está informação está desactualizada, neste momento so a Anthropic escolheu ficar de fora mas o Dario fez um comunicado

  2. ZÉ
    Zé

    Pois… querem controlar eles, isso é que lhes faz comichão.

  3. MA
    Max

    P: Modelos open-weight e open-source são o mesmo?
    R (Gemini):
    “Não, não são a mesma coisa. Embora frequentemente usados como sinónimos pelo público geral e nas estratégias de marketing de muitas empresas, existe uma diferença fundamental de transparência e de direitos legais.
    ️‍♂️ O que são Modelos Open-Weight (Pesos Abertos)?
    Quando um modelo é open-weight, a empresa disponibiliza os ficheiros dos pesos numéricos e parâmetros treinados da rede neuronal.
    O que permite fazer: Pode descarregar o modelo para o seu próprio servidor ou computador, executá-lo offline, integrá-lo em aplicações e fazer fine-tuning (ajuste fino).
    O que costuma faltar: Geralmente não incluem os dados exatos de treino (os datasets brutos), os scripts de limpeza de dados, ou o código completo de treino original.
    Licenciamento: Frequentemente vêm acompanhados de licenças personalizadas que impõem restrições de uso comercial, restrições por número de utilizadores ativos ou políticas de utilização aceitável.
    Exemplos populares de Open-Weight: Llama (Meta), Gemma (Google), Qwen (Alibaba) e Mistral. Embora a Meta promova o Llama como “open source”, do ponto de vista técnico e legal enquadra-se como open-weight devido às restrições de licença e falta de dados de treino públicos.
    O que é Verdadeiramente um Modelo Open-Source?
    Para um sistema de Inteligência Artificial ser considerado open-source (Código Aberto), precisa de cumprir os critérios definidos pela Open Source Initiative (OSI). Isso significa que a comunidade deve ter acesso não só para usar o modelo, mas para compreender e reproduzir como ele foi construído.
    Para ser genuinamente Open-Source, o projeto deve disponibilizar:
    1 Os Pesos e Arquitetura: O modelo em si.
    2 O Código de Treino: Todo o código utilizado para pré-treinar, alinhar e testar o modelo.
    3 Transparência sobre os Dados: Os conjuntos de dados de treino brutos (ou documentação detalhada sobre a sua origem e filtragem, quando restrições legais impedem a partilha direta).
    4 Licença Aberta Sem Restrições: Uma licença reconhecida (como Apache 2.0 ou MIT) que permita qualquer pessoa modificar, estudar, redistribuir e usar comercialmente sem barreiras impostas pelo criador.
    Exemplos de Open-Source real: A família de modelos OLMo (da Allen Institute for AI) ou os modelos BLOOM (da Hugging Face/BigScience), que disponibilizam publicamente os datasets, o código e os parâmetros.“
    Há alguma confusão entre os dois, por exemplo, no post quando diz: “ grande parte dos modelos open-source mais capazes do momento são de origem chinesa”. Modelos como o DeepSeek, Qwen (Alibaba) e Yi (01.A1) são open-weight.

  4. AR
    Artilheiro

    A NVIDIA só pensa numa coisa. É em vender mais hardware, para alimentar a IA.

  5. SA
    Sneak_attacks

    “até que ponto os Estados Unidos estão dispostos a tolerar apropriação indevida de propriedade intelectual por parte da China”. Karma is a bitch hahah, é estranho não vi as empresas americanas preocupadas com a propriedade intelectual que serviu para treinar os seus próprios modelos.

    1. ZA
      Zé Fonseca A.

      Anthropic acabou de chegar a acordo para indemnizar em 1.5B.

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