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4 carros novos por dia: a China está a afogar-se em modelos que ninguém compra

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O mercado automóvel da China vive uma corrida de lançamentos sem precedentes. Só entre janeiro e maio de 2026 chegaram às ruas 542 modelos novos ou renovados, uma média de 3,6 por dia. O problema é que a procura não está a acompanhar esta avalanche de novidades.

Indústria de automóveis da China está em sobreaquecimento

Os números foram revelados por He Zhiqi, vice-presidente executivo da BYD, numa apresentação a 14 de julho. Segundo dados citados pela Gasgoo, entre janeiro e maio deste ano o mercado de automóveis de passageiros da China recebeu 542 modelos novos, o equivalente a 108 por mês, ou 3,6 por dia.

Já dados da plataforma Dongchedi, citados pela Bloomberg e recolhidos pelo Jalopnik, apontam para cerca de 650 lançamentos ou atualizações no primeiro semestre do ano, praticamente quatro por dia.

Para se ter uma ideia de comparação, o estudo anual Car Wars da Bank of America Securities projetava apenas 159 lançamentos de modelos novos nos Estados Unidos ao longo de quatro anos, depois de 2024 ter registado um mínimo histórico de 29 lançamentos.

O contraste é ainda mais gritante quando se olha para a procura: a capacidade do mercado chinês caiu 20% em termos homólogos. Ou seja, há cada vez mais carros novos a chegar a um mercado que tem cada vez menos espaço para os receber.

Porque é que as fabricantes da China não param de lançar carros

A lógica por detrás desta avalanche não tem que ver com uma explosão da procura, mas sim com uma espécie de defesa desesperada de quota de mercado.

Com a transição energética já numa fase avançada e a procura a estagnar, as fabricantes chinesas vivem sob uma ansiedade coletiva: lançar modelos novos constantemente ou arriscar-se a ficar para trás.

O resultado é um consumo desordenado de recursos em toda a indústria. Cada modelo novo, bem como cada pequena atualização, implica custos de investigação e desenvolvimento, ajustes nas linhas de produção, distribuição e marketing.

Como a maioria destes modelos não consegue atingir volumes de vendas estáveis, o retorno do investimento demora cada vez mais tempo a chegar, arrastando a eficiência de toda a indústria.

Para He Zhiqi, a indústria automóvel chinesa já não é apenas competitiva, é um combate brutal e sem regras. Na sua perspetiva, este ambiente está a esmagar a margem de sobrevivência das fabricantes mais pequenas.

Outro dado curioso é que grande parte destes lançamentos peca pela homogeneidade. Muitos dos ditos “modelos novos” resumem-se a pequenas alterações de cor ou de equipamento, sem qualquer avanço tecnológico real. Ou seja, há muita quantidade, mas pouca inovação genuína.

O preço da guerra de preços

Esta densidade de lançamentos, combinada com um mercado em contração, tem alimentado diretamente uma guerra de preços. Para escoar stock e manter os números de vendas, as fabricantes veem-se obrigadas a baixar preços continuamente, o que aperta ainda mais as margens de lucro.

Entre janeiro e maio de 2026, na China, a margem de lucro da produção automóvel caiu para 3,4%, o valor mais baixo dos últimos cinco anos.

Com uma margem tão apertada, praticamente não há espaço para erros. Ou seja, um modelo mal-sucedido, uma decisão de preço errada ou uma acumulação de stock podem ser suficientes para levar uma empresa à falência.

Segundo Cui Dongshu, secretário-geral da China Passenger Car Association (CPCA), embora a indústria automóvel esteja a dar um enorme contributo à cadeia de fornecimento a montante, o peso que ela própria carrega tem-se tornado cada vez mais difícil de suportar.

Seleção natural da indústria

Apesar da pressão financeira, esta competição extrema também tem um lado positivo a médio-longo prazo. O vice-presidente executivo da BYD compara o mercado atual a um “ginásio gigante”: os jogos de mercado brutais funcionam como um treino de alta intensidade, obrigando as fabricantes a afinar as suas capacidades tecnológicas, de produção e de gestão.

Fabricantes sem tecnologia própria de baterias, motores e sistemas de controlo, sem algoritmos de condução autónoma próprios ou sem cadeias de fornecimento maduras terão cada vez mais dificuldade em competir apenas com preços baixos ou pequenos ajustes visuais.

Já os líderes da indústria, com tecnologia diferenciadora e controlo de custos apertado, conseguem manter margem mesmo em plena guerra de preços, conseguindo ganhar quota de mercado.

Para o consumidor, a curto prazo, esta guerra tem vantagens claras, como carros com melhor equipamento, mais tecnologia e preços mais baixos.

Entretanto, ninguém sabe ao certo quanto tempo será possível manter este ritmo de 3,6 a 4 lançamentos por dia. Contudo, sabe-se que não é sustentável a longo prazo. Quando as margens de lucro chegam a níveis tão baixos como os atuais 3,4%, mais cedo ou mais tarde alguém vai ceder.

 

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Consumidores estão a trocar de carro elétrico chinês mais depressa do que de telemóvel

Comentários

34

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  1. Avatar de Manuel
    Manuel

    Continuo com a mesma dúvida: porquê que os chineses na Europa (e os mais abastados na China), não andam em carros chineses?

    1. Avatar de Toni da Adega
      Toni da Adega

      Porque em Portugal é que é se compra carros com 20 anos e chamam isso um semi novo. Em portugal um carro de 20k é quase considerado um carro de luxo.
      Eles deixam o barato para os portugueses e vao para a gama mais alta

    2. Avatar de JL
      JL

      Porque ganham bem e não precisam de comprar carros baratos, já lhe foi respondido noutro post.

    3. Avatar de Caps
  2. Avatar de Zé Fonseca A.
    Zé Fonseca A.

    O PCC segura, o que importa é produzir

    1. Avatar de Realista
      Realista

      Quando a economia é comunista tu esperas pelo produto, quando a economia é capitalista é o produto que espera por ti.

  3. Avatar de A
    A

    Isso é igual ás casas construídas em massa e que ficaram vazias ou desvalorizaram para metade…..na China consegue-se alugar um apartamento luxuoso por 500 euros por mês ..nao sei como muitos reformados ainda nao deram por isso

    1. Avatar de Realista
      Realista

      Duh… os reformados não entendem Mandarim.

  4. Avatar de joao
    joao

    O capitalismo de estado e ansia de arrasar o mercado para no futuro dominar, faz este tipo de coisas. Eu? desejo que se afoguem nos carros chineses, vou sempre tentar comprar UE, uma vez que é onde sou natural e vivo. Só residualmente aceito o resto…

  5. Avatar de Sarandipilha
    Sarandipilha

    Vão acabar a vender os carros na Cochinchina a metade do custo de produção.

    1. Avatar de Realista
      Realista

      Há quem diga que os carros elétricos são caros…

    2. Avatar de Rui
      Rui

      Atenção que os carros eléctricos chineses são subsidiados pelo Governo Chinês. Por esse mesmo motivo os EUA, a UE e todos os restantes países ocidentais devem proteger-se e aplicarem tarifas pesadas para defendermos a nossa indústria!

      Sou absolutamente contra empresas com condições dispares gladiarem-se no mercado pelo preço mais baixo, por exemplo, as marcas cá pagam salários muito mais elevados, energia pelo menos 4 vezes mais cara, um trabalhador faz bem menos horas que no sistema 996 chinês e ainda por cima são subsidiados pelo Governo Chinês, porque é que concorrem com as marcas europeias? É um roubo! E ainda por cima temos a taxas e taxinhas como a de carbono, que nenhuma empresa chinesa tem!!!!!!

      1. Avatar de JL
        JL

        Onde falam em eléctricos ?

        E os a combustão não ?

    3. Avatar de Nuno
      Nuno

      Sim, porque nem há notícias destas a cada 2 anos…

  6. Avatar de Joe Doe
    Joe Doe

    Vão vender para África e América Latrina, eles lá gostam de coisa da xina.

    1. Avatar de Nuno
      Nuno

      Que marca de carro compras cá que seja produzido na Europa?

  7. Avatar de Rui
    Rui

    É comprar carros chineses, de marcas que nunca ouvimos falar, que no caso de correr mal para a marca, esta fecha a porta e ficam com um lindo pisa-papeis eléctrico!!!!!

    1. Avatar de JL
      JL

      Onde é que falam em carros elétricos ? Tendo em conta que a China exporta muito mais carros a combustão do que elétricos !

      1. Avatar de Mário
        Mário

        Não sei onde foste buscar que a china exporta mais carros a combustão do que elétricos, em 2026 até agora a exportação de carros da china foram cerca de 53% totalmente elétricos e o resto foram híbridos e a combustão.

        1. Avatar de Nuno
          Nuno

          Vamos lá ver…
          O JL diz que a China exporta muito mais carros a combustão que elétricos…
          Tu dizes que é ao contrário…
          Não me digas que o JL está a mentir…

        2. Avatar de JL
          JL

          Onde é que foi buscar esses números ?

          1. Avatar de Nuno
            Nuno

            Porque é que em vez de questionar onde ele foi buscar os números não colocas logo a tua fonte?

          2. Avatar de JL
            JL

            Por acaso meti, mas desapareceu, procure na razão automovel, têm um artigo sobre isso.

          3. Avatar de JL
            JL

            https ://www.mol-service.com/blog/china_vehicle_en_2

          4. Avatar de Nuno
            Nuno

            Pois desapareceu… É o mundo contra ti…

  8. Avatar de Mac
    Mac

    Ainda existe gente que acha isto normal. Nunca como hoje se viu tanto artigo, publicações ou referências aos carros elétricos chineses para lavar o cérebro aos tacanhos que aos poucos se vão deixando arrebanhar nesta prisão tecnologica que os vai tornar completamente reféns de uma agenda perversa, fastidiosa e nefasta de dumping canibalesco.
    A Europa precisa de acordar para a realidade.
    Acorda povo!

    1. Avatar de Nuno
      Nuno

      A Europa produz os seus carros na China, no México , em Marrocos… Esta conversa de manipulado vale nada para quem sabe para onde se têm deslocado as fábricas…
      Notícias de fabricas a fechar na Europa temos muitas… Mas as notícias delas a abrir na China ninguém mostra. Porque será?
      Querem que a Europa acorde? Não pode! Já hibernou há anos!

      1. Avatar de Zé Fonseca A.
        Zé Fonseca A.

        Oh jumento, os fabricantes com fábricas nesses países fabricam nesses países para vender no mercado local para reduzir os custos de importação e poderem concorrer com mão de obra local para estar-me em pé de igualdade.

        1. Avatar de JL
          JL

          E não vem de lá peças para outras fábricas ? Afinal não aproveitam a mão de obra ?

          Acorde para a vida.

        2. Avatar de Nuno
          Nuno

          Podes insultar-me à vontade que só me mostras que não percebes nada do assunto.
          Se eu não trabalhasse na área até ia achar a tua resposta convincente…
          Mas continua com esse pensamento que pior que um cego, é aquele que não quer ver.

          1. Avatar de Zé Fonseca A.
            Zé Fonseca A.

            Limpar retretes na Autoeuropa não qualifica como trabalhar na área

          2. Avatar de Nuno
            Nuno

            A Autoeuropa não tem expressão no assunto…
            500 carros por dia não significam nada.
            Mas se quiseres vir ver a produção da Alemanha e a quiseres comparar com a produção no México, Marrocos ou China depois falamos…

    2. Avatar de JL
      JL

      Já foi abastecer o diesel ? É que segunda vai aumentar, depois diga quem realmente está refém de alguma coisa.

      Mas já agora, onde falam em carros eléctricos no artigo ?

  9. Avatar de Yamahia
    Yamahia

    Problema antigo. Há muito q se sabe q das centenas de marcas chinas, apenas meia dúzia vão sobreviver num futuro próximo