“Mina urbana”: como o lixo poderá tornar-se uma das maiores fontes de riqueza da Europa
Um novo estudo europeu concluiu que os resíduos gerados na Europa poderão transformar-se numa importante fonte de matérias-primas críticas. Se forem implementadas estratégias eficazes de reciclagem e economia circular, mais de metade da procura destes materiais poderá ser satisfeita através da recuperação de recursos atualmente descartados. Ou seja, o lixo poderá tornar-se uma das maiores fontes de riqueza da Europa.
Os resíduos podem tornar-se numa "mina urbana"
A dependência europeia de matérias-primas críticas tem sido uma das grandes preocupações da União Europeia (UE) nos últimos anos.
Afinal, materiais como o lítio, o cobalto, o níquel e o cobre, bem como elementos de terras raras como o neodímio e o disprósio, são essenciais para a produção de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e equipamentos eletrónicos.
Curiosamente, um novo estudo desenvolvido no âmbito do projeto europeu FutuRaM (Future Availability of Secondary Raw Materials) sugere que uma parte significativa destes recursos poderá ser obtida sem recorrer à extração mineira tradicional.
Em vez disso, a Europa poderá aproveitar aquilo que os investigadores designam por "mina urbana", constituída por:
- Resíduos eletrónicos;
- Baterias em fim de vida;
- Veículos abatidos;
- Materiais provenientes da construção e demolição;
- Escória e cinzas provenientes de processos industriais;
- Resíduos de mineração;
- Turbinas eólicas desmanteladas.

O projeto FutuRaM da Europa realizou um mapeamento e quantificação abrangentes de metais e minerais críticos essenciais para a energia limpa, tecnologias digitais, defesa e indústria moderna, além de avaliar a sua recuperabilidade. O relatório aumenta a transparência e a confiança no potencial das "minas urbanas" europeias. Crédito: WEEE Forum, via EurekAlert
Recuperação de materiais poderá atingir níveis históricos
Segundo as projeções apresentadas pelos investigadores, a recuperação de matérias-primas críticas poderá alcançar entre 4,1 e 5,7 milhões de toneladas por ano até 2050.
No cenário mais ambicioso, baseado numa economia circular plenamente desenvolvida, estes materiais recuperados poderão satisfazer até 56% das necessidades europeias.
Mesmo num cenário mais conservador, a contribuição dos resíduos para o abastecimento de matérias-primas seria suficientemente relevante para reduzir de forma significativa a dependência externa da Europa.
Os dados revelam ainda que, em 2022, apenas uma fração do potencial disponível foi aproveitada. Embora cerca de 5,2 milhões de toneladas de matérias-primas críticas tenham entrado na economia europeia, apenas 1,4 milhões de toneladas foram efetivamente recuperadas através dos processos existentes.
Baterias elétricas serão uma das principais fontes de recursos
O crescimento da mobilidade elétrica desempenhará um papel fundamental nesta transformação. À medida que milhões de baterias chegarem ao fim da sua vida útil nas próximas décadas, aumentará também a disponibilidade de materiais valiosos para reciclagem.

Os investigadores estimam que a recuperação de lítio poderá multiplicar-se várias dezenas de vezes até 2050. O mesmo acontecerá com o cobalto e o níquel, materiais essenciais para a produção de baterias modernas e cuja procura continua a aumentar em todo o mundo.
Além das baterias, os equipamentos eletrónicos, as infraestruturas energéticas e os resíduos industriais constituirão fontes cada vez mais relevantes para a recuperação de recursos estratégicos.
Menos emissões e menor dependência externa
Os benefícios não se limitam ao abastecimento de matérias-primas. O estudo aponta igualmente para uma redução substancial das emissões associadas à extração e ao processamento de recursos naturais.
De acordo com as estimativas, a recuperação destes materiais poderá evitar entre 81 e 273 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano em 2050.
Ao mesmo tempo, a Europa reduziria a sua dependência de importações provenientes de mercados considerados estratégicos, aumentando a resiliência das cadeias de abastecimento.
Esta questão assume especial importância num contexto geopolítico marcado pela forte concentração da produção e refinação de várias matérias-primas críticas em poucos países.
A reciclagem não substituirá totalmente a mineração
Apesar dos resultados promissores, os investigadores alertam que a reciclagem, per si, não será suficiente para responder ao crescimento da procura.
A transição energética e digital exigirá quantidades cada vez maiores de materiais, o que significa que a mineração e as importações continuarão a desempenhar um papel relevante nas próximas décadas.
Ainda assim, o estudo demonstra que os resíduos poderão deixar de ser encarados apenas como um problema ambiental para passarem a representar uma importante reserva estratégica de recursos.
Se as metas de economia circular forem alcançadas, a Europa poderá transformar uma parte significativa do seu lixo numa fonte de matérias-primas essenciais para o futuro.



















Reciclar lítio a partir de baterias e pilhas usadas em depósito já é perigoso e caro. É por isso que is capitalistas preferem extrair material virgem. Agora, imaginem o que vai ser quando for preciso ir procurá-lo às lixeiras. O mesmo se podia dizer do PET, PVC, ou do poliuretano, e de tudo o que é plástico, que está nas lixeiras para ser queimado quando não houver mais combustível na Europa. O ar que sobrar vai ser irrespirável. Bottom line: assim como assim, a melhor maneira de não produzir plástico e tudo o que possa ir parar às lixeiras é não fazer compras.
Refere-se a estes capitalistas?
https://pplware.sapo.pt/high-tech/grafico-mostra-o-esmagador-dominio-da-china-na-producao-de-metais-de-terras-raras/