Já pensou porque não vê as estrelas quando está a viajar de avião?
Se já viajou de avião durante a noite, provavelmente reparou num detalhe curioso, apesar de estar a mais de 10 mil metros de altitude, onde o ar é mais limpo e rarefeito, o céu raramente aparece repleto de estrelas como acontece em zonas afastadas da poluição luminosa. Afinal, porque é tão difícil observar o céu estrelado a partir de um avião?
A resposta envolve vários fatores, desde a iluminação da cabine até às características físicas das janelas dos aviões modernos. E há ainda um detalhe importante, os nossos olhos não conseguem adaptar-se à escuridão da mesma forma dentro de uma aeronave comercial.
A luz dentro da cabine “apaga” as estrelas
O principal motivo está relacionado com a adaptação da visão humana. Para conseguirmos ver estrelas ténues, os olhos precisam de vários minutos em ambiente escuro para ativar totalmente a visão noturna.
Num avião comercial, isso quase nunca acontece. Existem luzes na cabine, ecrãs dos passageiros, iluminação de emergência, sinais luminosos e até reflexos provenientes dos dispositivos eletrónicos. Tudo isto impede que a pupila dilate totalmente e reduz drasticamente a capacidade de observar objetos pouco luminosos no céu.
Mesmo em voos noturnos onde as luzes são reduzidas, continua a existir iluminação suficiente para limitar a adaptação dos olhos.
As janelas dos aviões também não ajudam
Outro fator importante é o próprio design das janelas.
As janelas dos aviões comerciais são compostas por várias camadas de materiais transparentes extremamente resistentes, desenvolvidos para suportar diferenças de pressão, temperatura e impactos. Contudo, estas superfícies provocam reflexos internos e dispersão de luz.
Além disso, muitas aeronaves modernas utilizam revestimentos especiais com proteção UV e controlo térmico, o que altera ligeiramente a transmissão da luz exterior.
Em alguns modelos mais recentes, como o Boeing 787 Dreamliner, as tradicionais cortinas físicas foram substituídas por sistemas eletrónicos de escurecimento. Apesar de mais confortáveis, estes sistemas podem reduzir ainda mais a perceção das estrelas.
A altitude do avião não é suficiente para escapar à atmosfera
Embora os aviões comerciais voem normalmente entre os 10 e os 12 quilómetros de altitude, continuam muito abaixo da fronteira do espaço.
A atmosfera terrestre ainda está bastante presente nessas altitudes, continuando a dispersar luz proveniente das cidades, da Lua e até da própria aurora atmosférica natural da Terra.
Além disso, muitos voos atravessam corredores aéreos sobre regiões densamente povoadas, onde a poluição luminosa é intensa. Essa luminosidade espalha-se pela atmosfera e reduz o contraste do céu noturno.
O papel da Lua e das nuvens finas
Existem ainda outros elementos que dificultam a observação. Quando a Lua está brilhante, a sua luz torna-se suficientemente intensa para “ofuscar” muitas estrelas menos luminosas. O mesmo acontece com nuvens muito finas ou cristais de gelo presentes nas camadas altas da atmosfera.
Mesmo quando parecem invisíveis a olho nu, essas partículas refletem e espalham luz, reduzindo a nitidez do céu.
Então porque os astronautas conseguem ver tantas estrelas?
A comparação com os astronautas é inevitável. Nas imagens captadas no espaço, o céu aparece frequentemente repleto de estrelas. No entanto, existe uma diferença fundamental, no espaço praticamente não existe atmosfera.
Sem atmosfera, não há dispersão de luz. Além disso, os astronautas podem observar o céu a partir de ambientes completamente escuros e sem interferência luminosa constante.
Curiosamente, em muitas fotografias tiradas a partir da Estação Espacial Internacional, as estrelas também não aparecem. Isso acontece porque as câmaras ajustam a exposição para captar objetos muito iluminados, como a Terra ou a própria estação espacial.

Netsa image, a vista do céu estrelado com parte da Via Láctea, captada a partir da Estação Espacial Internacional. O astronauta Donald Pettit utilizou a janela de estibordo da nave Dragon da Crew 9, juntamente com o seu localizador orbital de estrelas, para eliminar o efeito de rastro das estrelas a partir da órbita.
Algumas condições permitem ver estrelas a partir do avião
Apesar de tudo, ver estrelas num avião não é impossível.
Os melhores cenários acontecem em voos:
- Sobre oceanos ou regiões remotas
- Durante a madrugada
- Com pouca iluminação na cabine
- Longe da Lua cheia
- Em assentos junto à janela e afastados das asas
Em voos transatlânticos noturnos, especialmente sobre o Atlântico ou zonas polares, alguns passageiros conseguem observar constelações, planetas brilhantes e até fenómenos raros, como auroras boreais.
A ciência da visão noturna explica o fenómeno
Os especialistas explicam este fenómeno através da chamada adaptação escotópica, o mecanismo biológico que melhora a sensibilidade dos olhos em ambientes escuros.
O processo pode demorar entre 20 a 40 minutos para atingir o máximo desempenho. Qualquer exposição a luz intensa reinicia parcialmente essa adaptação.
É precisamente por esse motivo que observatórios astronómicos utilizam iluminação vermelha fraca. A luz vermelha interfere muito menos com a visão noturna.
Os aviões do futuro poderão melhorar a experiência?
Com o avanço da aviação comercial, algumas fabricantes já estudam soluções para reduzir reflexos e melhorar o conforto visual nas janelas.
Há também interesse crescente em experiências de turismo astronómico aéreo, especialmente em voos de luxo e em viagens polares dedicadas à observação de auroras.
No entanto, enquanto existirem luzes na cabine e camadas atmosféricas significativas entre os passageiros e o espaço, os céus vistos de um avião dificilmente terão o mesmo impacto visual observado a partir de desertos, montanhas isoladas ou do espaço.
Afinal, paradoxalmente, estar mais perto das estrelas nem sempre significa conseguir vê-las melhor.























Quando se está a voar acima das nuvens, de noite, os relâmpagos são um espetáculo. Mas as hospedeiras não deixam levantar a persiana. Está mal, se alguém se sentir incomodado mude-se!
Já a levantar ou a aterrar, de dia ou de noite, com ou sem relâmpagos, querem as cortinas levantadas.
Tendo em conta que o Max é que se sente incomodado/a recomendo a mudar-se. Não faz sentido os restantes 200 passageiros a mudarem-se por si.
Em relação às cortinas levantadas durante as fases de descolagem ou aterragem e, independente da hora, é explicado pela óbvia conclusão que se tratam de manobras críticas, e todos os olhos postos no exterior são importantes para detectar qualquer anomalia funcional nas asas, motor, fuselagem, etc.
Não, ó artista – levanta-se as persianas, na descolagem e na aterragem, para o caso das luzes do avião se apagarem e, se só depois se abrissem as persianas, os olhos demoravam mais tempo a habituar-se à luz exterior, uns segundos que são importantes em caso de emergência.
Quanto aos passageiros mudarem-se enfim … todos deviam abrir a persiana para ver os relâmpagos, mas não o fazem. Eu é que, abrindo só uma fisgazinha, já sei que 5 segundos depois aparece a hospedeira. Não tem mais nada que fazer?! Se paguei o bilhete tenho direito a ver o espetáculo!.
Não sei que companhia é essa, que obriga a manter as persianas fechadas.
Se obriga ou se pede não distingo. Limitei-me a contar o que me aconteceu, mais do que uma vez, quando quis ver (e nem era com a persiana toda aberta) os relâmpagos nas nuvens, em baixo, que é um espetáculo magnífico.
Que companhia foi?
ZZZ… ZZZZ …
Mas andas de avião ao menos? Tens visto persianas abertas de noite?
Por não se tratar de um procedimento normal, e ao qual eu nunca vi, nem nos meus quase 10 anos a trabalhar numa companhia aérea, decidi questionar.
Mas como você por norma escreve comentários de 3 páginas de estatísticas retiradas do chatgpt que não interessam a ninguém, e se relacionam de todo com os artigos, quis perceber de onde veio essa história.
Já tinha percebido que estavas a melgar e só podia haver um motivo – de vens em quando dou-te uma estocada onde dói.
Explica lá então:
– Todas as cortinas do avião de noite estão fechadas – sim ou não?
– Foram todos os passageiros, por cortesia, que decidiram fechá-las?
– Se um passageiro não fechar a sua, não é habitual o pessoal de cabine pedir-lhe para fechar?
– Fui só eu, nas centenas de horas de voos que fiz, muitos deles de noite, com a cortina corrida, que, quando qis ver os relâmpagos, tive o azar de me dizerem para fechar a persiana?
Tens que te esforçar mais … e não me apanhas porque eu não minto. E coça onde dói 😉
Certo, um espertalhão que viaja centenas de horas, que deve ser gold e nem diz qual é a companhia, tipico portugues que sabe tudo… O meu trabalho não é ver se as persianas estão fechadas, tenho algo mais importante para fazer dentro do avião. De qualquer modo, apesar da diminuição das luzes na cabine, em voo noturno, em particular em longo curso, os passageiros fecham, pois as luzes anticolisão podem ser incomodativas, assim como a luz do amanhecer. Nunca na minha vida, ouvi falar sequer desse procedimento de ir um comissário/assistente de bordo “dar ordem para fecho da persiana”. E trabalho numa companhia legacy, a não ser que isso seja algum procedimento do flight simulator. E para finalizar, nem como passageiro vi isto acontecer nas inúmeras companhias que já viajei, nem quando vou em serviço como dead head crew.
Espertalhão era o teu pai e casou-se.
Para terminar.
Fiz muitas viagens intercontinentais, muitas entre o hemisfério norte e sul, com duração de 8 horas ou mais. Ida e volta são 16 h, 10 viagens são 160 h, fiz sem qualquer dúvida centenas de horas, a maior parte de noite.
Ao contrário do que é normal, em que se vê um relâmpago ou outro, os casos em que me disseram para baixar a persiana eram completamente diferentes, uma violenta tempestade com raios permanentes, intensos e de várias cores – um espetáculo. Disseram-me apara baixar a persiana, presumo que para não incomodar os outros passageiros.
@Max, eu pelo menos faço uma grande viagem intercontinental por ano e já tenho viajado com a janela “aberta”, eu também procuro sempre que possível ir em voos noturnos, mas dentro de alguns meses vou voltar a fazer uma viagem transcontinental vou estar com atenção a isso.
Resumindo…apesar desses insultos de crianca ofendida, ja nao era bem assim de “darem ordens” e, talvez fosse para nao incomodar os passageiros. Chegamos onde quis chegar. I rest my case.
Os abiões saem do domo. O céu é fake