Comissão Europeia reforça independência dos EUA com contrato de 180 milhões de euros
A dependência da União Europeia (UE) face às grandes tecnológicas norte-americanas tem sido, há anos, uma das suas principais vulnerabilidades. Com o atual clima geopolítico a adensar estas preocupações, a Comissão Europeia está a reforçar a sua independência dos Estados Unidos da América (EUA) com contrato de 180 milhões de euros.
Na sexta-feira, a Comissão Europeia adjudicou um contrato de 180 milhões de euros para serviços de cloud a quatro fornecedores europeus, por um período de seis anos, no âmbito de um esforço para reduzir a dependência do bloco face às tecnologias não europeias.
Lançado em outubro de 2025, o contrato foi adjudicado à Post Telecom, do Luxemburgo, à alemã StackIT, à Scaleway, unidade de centros de dados da francesa Iliad, e à belga Proximus.
We’ve awarded a €180M tender for sovereign cloud to four European providers.
This enables EU institutions, bodies, offices & agencies (Union entities) to procure sovereign cloud services.
Scaling the use of EU cloud is key to strengthening Europe’s digital sovereignty. pic.twitter.com/zoYHG94zCH
— Henna Virkkunen (@HennaVirkkunen) April 17, 2026
Os fornecedores foram selecionados com base na sua conformidade com o Quadro de Soberania Cloud da Comissão, ao abrigo do qual tinham de garantir que entidades não pertencentes à UE dispõem de um controlo limitado sobre as tecnologias utilizadas ou os serviços prestados, segundo a Comissão Europeia.
Este concurso apoia os esforços mais amplos da Comissão para reforçar a sua própria soberania, consolidando o controlo estratégico sobre tecnologias e infraestruturas essenciais.
Afirmou o órgão executivo da UE, num comunicado.
Serviços cloud de fornecedores europeus para agências europeias
A Post Telecom conta com os parceiros OVHcloud e CleverCloud, enquanto a Proximus lidera um consórcio composto pela Mistral AI, Clarence, Thales e S3NS, empresa resultante de uma joint-venture de centros de dados da Google Cloud.
Numa publicação no X, o fundador e presidente executivo da OVHcloud, Octave Klaba, anunciou que o consórcio da Post Telecom tinha sido selecionado para prestar serviços cloud às mais de 40 agências da Comissão Europeia.
Este acordo permitirá "demonstrar que existem alternativas credíveis na Europa".



















Há que por os olhos no que aconteceu em resultado das sanções de Trump, em fevereiro de 2025, ao Tribunal Penal Internacional, por ter condenado Netanyahu. As sanções proíbem “qualquer pessoa dos EUA” (o que inclui cidadão e empresas americanas em qualquer lugar do mundo) de fornecer fundos, bens ou serviços às pessoas sancionadas (o que também inclui familiares diretos).
“Os juízes e procuradores afetados enfrentam um isolamento digital e financeiro quase total de serviços baseados nos EUA.
Como os EUA detêm o controle de grande parte da infraestrutura financeira e tecnológica global, o impacto vai muito além da simples impossibilidade de viajar para o país.
Principais Serviços Bloqueados
De acordo com relatos de juízes sancionados (como Kimberly Prost), o bloqueio afeta o dia a dia de forma severa:
• Serviços Financeiros:
• Cartões de Crédito e Débito: Visa e Mastercard cancelam cartões imediatamente, mesmo que tenham sido emitidos por bancos europeus ou de outros países, devido ao medo de “sanções secundárias”.
• Bancos: Contas bancárias podem ser congeladas ou encerradas se a instituição tiver operações ou parcerias nos EUA.
• Transferências: Serviços como PayPal e transferências internacionais via sistema SWIFT tornam-se extremamente difíceis ou impossíveis.
• Tecnologia e Vida Digital:
• Contas Google: Perda de acesso ao Gmail, Google Drive e outros serviços integrados.
• Amazon: Contas de compras e serviços de nuvem são desativados.
• Apple: Dificuldades com IDs Apple, iCloud e compras na App Store.
• Mobilidade e Logística:
• Aplicativos de Transporte: Serviços como Uber e Lyft deixam de funcionar para esses indivíduos.
• Reservas: Bloqueio em plataformas como Airbnb, Booking.com (que processa pagamentos via sistemas americanos) e dificuldades para reservar voos em companhias aéreas que utilizam softwares de reserva sediados nos EUA.”
A Europa que confie no amigo americano e não se precate e consiga alternativas próprias que se vai ver em grandes sarilhos.
Artigo giro, aquilo que não explica nem aqui nem em lado nenhum é que apenas vão migrar bases de dados sensíveis, por uma questão de operação, funcionalidade e custo tudo o resto vai ficar nas public clouds dos 3 grandes americanos.
Por isso a conversa das alternativas é aquela que já venho a explicar desde sempre, não são alternativas, são opções com muitos se’s, muitas limitações, que seria preciso décadas de investimentos bilionários para serem alternativas
Segundo o Instituto Nacional de Estatíscicas, 96% das empresas em Portugal têm menos de 10 trabalhadores. Para a grande maioria delas, e para a forma como utilizam a tecnologia nas sua atividade comercial, há muitas e boas alternativas que podem ser independentes das soluções americanas.
Quanto às restantes 4% bom… para uma boa parte delas, sim, esqueçam lá procurar “alternativas credíveis na Europa” porque por uns bons e largos tempos não as vão ter.
Porque cafés, restaurantes, comércio local, agora são considerados empresas que precisam de tech. A maioria nem um domínio tem nem um website, muito menos email, imagina o resto das ferramentas.
Isso não são empresas são negócios
Mais uns subsidiozinhos….mais uns taxinhos vai ficar tudo na mesma….
Avança “Justiceiro”, as posiçoes estão abertas para concorreres e fazeres melhor!
Eu até compreendo estas posições políticas, mas largar tcnologia americana com tantos anos de uso para as empresas, a mudança não é fácil;
não vai acontecer. A menos que seja uma obrigação legal, aí enfim… treta…lá terá q ser.
Acabou de fazer uma lista com algumas das empresas que deviam ser alvo de boicote pelos vonsumidores europeus. No meu caso, só uso mesmo os cartões de débito e crédito.