X é o principal canal de desinformação contra a UE: políticos são o principal alvo
Um relatório divulgado esta terça-feira refere que a rede social X é o principal canal utilizado para atividades de desinformação contra a União Europeia (UE) e os políticos são o principal alvo.
Num relatório intitulado Ameaças de ingerência externa e de manipulação de informação, o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) indica que, dos cerca de 43 mil conteúdos relacionados com desinformação que analisou em 2025, 88% passaram pela rede social X, muito acima da aplicação de mensagens Telegram (3%) ou do Facebook (2%).
Embora o SEAE ressalve que o relatório não deve ser “interpretado como exaustivo” em termos de ameaças de desinformação, uma vez que deriva de uma monitorização que não cobre “todas as regiões e línguas” e “só representa uma porção pequena das atividades destes atores”, oferece dados relevantes.
A presença de redes de comportamento inautêntico coordenado, a facilidade de criação de contas falsas, mas também o acesso mais fácil a dados explica esta concentração.
Explicou o SEAE, conforme citado pela agência Lusa, acrescentando que “a maioria das grandes plataformas de redes sociais restringe o acesso a dados que permitiriam avaliar a dimensão da manipulação de informação”.

O serviço europeu explicou que “o objetivo é infiltrar-se no espaço de informação para aumentar a visibilidade e credibilidade do conteúdo, ao mesmo tempo que se visam públicos específicos com base em fatores sociodemográficos e geográficos”.
IA é 259% mais usada para desinformação do que em 2024
De acordo com o relatório, o recurso à Inteligência Artificial (IA) está a reforçar-se nas campanhas de desinformação contra a UE, verificando-se um aumento de 259% quando comparado com 2024.
Além disso, o relatório sublinha que a IA está a tornar estas operações muito mais baratas.
Afinal, atores russos e chineses implementaram totalmente ferramentas de IA para acelerar a produção de conteúdos e aumentar as atividades de ingerência com menos recursos.
Períodos eleitorais são os contextos mais utilizados
Na análise que fez a estas campanhas, o SEAE concluiu que a maioria dos ataques (66%) é dirigido contra políticos, com destaque particular para os seguintes:
- Presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky;
- Presidente de França Emmanuel Macron;
- Chanceler alemão Friedrich Merz;
- Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Na maioria dos casos, as campanhas contra estas personalidades são sobretudo “ataques àquilo que um indivíduo representa (como valores democráticos ou princípios)” e uma tentativa de “instrumentalizar a plataforma que têm para alcançar públicos específicos”, segundo o SEAE.

A nível de organizações visadas por estas campanhas:
- Entidades políticas (36%);
- Órgãos de comunicação social (23%);
- Organizações militares ou de segurança (22%).
Segundo o relatório, “os setores políticos e de segurança foram especialmente visados, com o objetivo de minar a confiança nas capacidades de Defesa”.
O relatório refere que momentos de elevada tensão e carga emocional são vistos pelos atores destas ameaças como vulnerabilidades que lhes permitem “atingir os seus públicos-alvo, influenciar o seu raciocínio e amplificar preconceitos cognitivos existentes”.


















