Uber considerada inocente na primeira de muitas ações judiciais por agressão sexual
Numa decisão que está a gerar bastante controvérsia, um júri da Califórnia considerou a Uber não responsável por uma agressão sexual ocorrida durante uma viagem em 2016. Este veredito marca o desfecho do primeiro de milhares de processos judiciais semelhantes que a empresa enfrenta nos Estados Unidos, o que levanta questões sobre a responsabilidade das plataformas digitais.
O caso que esteve em julgamento
A deliberação do júri determinou que, embora a Uber tenha agido com negligência, essa falha não foi um "fator substancial" para o dano sofrido pela vítima. Este é o primeiro caso a ser julgado de um conjunto de processos consolidados, o que significa que, apesar de serem julgados individualmente, partilham procedimentos processuais e podem ser apresentados perante o mesmo juiz.
As queixas alegam que passageiras foram "raptadas, agredidas sexualmente, violadas, mantidas em cárcere privado, perseguidas, assediadas ou atacadas de outras formas" por motoristas da Uber.
A queixosa no primeiro caso, identificada como Jessica C., relatou que, em 2016, quando era uma estudante universitária de 18 anos, solicitou uma viagem para o aeroporto de San Jose. Segundo o seu testemunho, pouco depois de entrar no veículo, o motorista desviou-se da rota, imobilizou-a, apalpou-a, beijou-a e tentou despi-la.
A vítima afirmou ter resistido, dizendo repetidamente "Não, não, não", e tentado afastá-lo. O trauma resultante levou-a a abandonar os estudos e a desenvolver stress pós-traumático.
"Um dia triste para as vítimas de abuso sexual"
De acordo com a legislação da Califórnia, a Uber seria considerada responsável se tivesse falhado na implementação de medidas de segurança adequadas e se essa negligência tivesse sido um "fator substancial" na causa do dano. Para ser ilibada, a empresa teria de convencer o júri de que não sabia, nem poderia prever, que o motorista se aproveitaria da situação criada pela plataforma.
Os advogados de Jessica C. acusaram a Uber de ocultar a verdadeira dimensão do problema. Durante a fase de instrução do processo, foi revelado que mais de 558.000 viagens, entre 2017 e 2024, resultaram em denúncias de agressão ou conduta sexual imprópria, um número muito superior ao que a empresa tinha admitido publicamente.
A acusação argumentou ainda que a Uber falhou em implementar sistemas de proteção eficazes, como a gravação de vídeo obrigatória nas viaturas.
Por sua vez, a defesa da Uber alegou que o motorista em questão tinha passado nas verificações de antecedentes e não possuía um historial de queixas que pudesse servir de alerta. A empresa sustentou que, apesar de investir em múltiplas ferramentas de segurança, não pode garantir a ausência total de transgressões por parte dos motoristas.
Durante o julgamento, o responsável pela segurança da Uber, Gus Fuldner, chegou a testemunhar que os passageiros utilizam o serviço por sua conta e risco.
O advogado da queixosa, John Taylor, classificou a decisão como "um dia triste para as vítimas de abuso sexual em todo o país", acrescentando que o tribunal permitiu que a Uber culpabilizasse Jessica C. pelo sucedido, o que desencoraja futuras denúncias.
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Isto é como querer culpabilizar a carris pela falta de uso de desodorizante pelos indostânicos.
Seria compreensível uma notícia sobre uma decisão judicial num país europeu, mas não, tem de ser sobre os Estados Unidos, como se Portugal ou a Europa tivessem o mesmo sistema judicial.
Esqueçam os EUA, deste lado do Atlântico há coisas muito melhores.
Sendo o nosso sistema judicial cópia do de França e muito mais conservador que os EUA, o que achas que vai ser diferente dos casos tugas?