Eurosky: projeto quer responder à procura dos europeus por redes sociais locais
Os europeus parecem estar a pedir alternativas locais às redes sociais controladas por grandes empresas tecnológicas norte-americanas. Por isso, um grupo de empreendedores revelou o projeto Eurosky, que visa reduzir a dependência relativamente aos Estados Unidos da América (EUA) nesta matéria.
A moderação continua a ser uma barreira importante à criação e lançamento de novas redes sociais, que procuram oferecer alternativas a plataformas como o Facebook ou o Instagram.
De facto, a tentativa de conter conteúdos indesejáveis, ilegais ou criminosos, que vão desde dados roubados até pornografia infantil, tem sido o calcanhar de Aquiles das maiores plataformas. Apesar dos vastos recursos humanos e financeiros, este objetivo não tem sido cumprido com sucesso.
Assim sendo, impulsionado em parte por dados de sondagens que mostram uma forte procura, na Europa, por redes sociais locais, um grupo de empreendedores tecnológicos europeus revelou o Eurosky, um projeto que planeia criar uma plataforma de moderação descentralizada, semelhante à que está por detrás da rede social Bluesky.
Ainda não são conhecidos detalhes, mas parece que esta iniciativa dará forma a uma estrutura de moderação externa, sem fins lucrativos, que pode ser usada por várias redes sociais, evitando que cada uma tenha de criar sistemas próprios.
Esta abordagem pode ser positiva pelos seguintes motivos:
1️⃣ Coerência e transparência na moderação
Com um sistema externo, as regras de moderação serão aplicadas de forma uniforme em todas as plataformas que adotem o modelo.
- Evita-se a subjetividade ou arbitrariedade de empresas privadas.
2️⃣ Redução de custos e complexidade para as plataformas novas
Plataformas emergentes não precisam de construir sistemas próprios de moderação a partir do zero. Além de serem processos caros, são tecnicamente exigentes.
- Estimula-se o surgimento de redes sociais alternativas e locais, facilitando a concorrência.
3️⃣ Alinhamento com leis e valores europeus
Uma infraestrutura de moderação comum poderá seguir diretamente a Lei dos Serviços Digitais e outras normas da União Europeia, garantindo proteção contra abusos e desinformação, sem depender da política de empresas estrangeiras.
- Preserva-se a soberania digital, pois as decisões sobre liberdade de expressão não ficam nas mãos de entidades fora da jurisdição europeia.
4️⃣ Credibilidade e confiança dos utilizadores
Um sistema sem fins lucrativos é visto como mais neutro e menos sujeito a interesses comerciais ou políticos.
- Pode potencializar-se a confiança nos processos de denúncia e revisão dos conteúdos.
Maioria quer redes sociais com sede na Europa
Uma investigação realizada pela YouGov para os grupos de defesa People vs Big Tech e WeMove Europe mostrou que, em França, Alemanha e Espanha, a maioria é a favor de redes sociais com sede na Europa, com apenas 5% dos entrevistados a preferir os fornecedores das plataformas com sede nos EUA.
Segundo Sherif Elsayed-Ali, um dos responsáveis pela iniciativa, a soberania digital é importante.
O espaço da informação é algo que deve ser governado pelas nossas leis, os nossos valores, as nossas regras, e não estar sujeito ao controlo de ninguém - empresa ou governo estrangeiro.
Sem revelar quais, o empreendedor partilhou que o projeto teve o apoio inicial de quatro governos europeus.
Conforme avançado pela Reuters, ao lado de Sherif Elsayed-Ali estão nomes como Sebastian Vogelsang, desenvolvedor por detrás do Flashes, um rival do Instagram construído no Bluesky, e Robin Berjon, ex-estrategista de dados do The New York Times.
Corroborando a necessidade de redes sociais europeias, a agência noticiosa informou, recentemente, em relação a uma mudança discreta no uso pelos utilizadores europeus de fornecedores de e-mail e pesquisa sediados nos EUA para fornecedores sediados na Europa.
Esta mudança terá sido em parte impulsionada por preocupações com a soberania digital e as relações entre os líderes de tecnologia dos EUA e o Governo liderado por Donald Trump.
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A tentação de controlar o que se escreve nas redes sociais é cada vez maior, em nome dos valores europeus dizem eles. Chama-se censura, podem inventar as desculpas que quiserem.
O Musk veio com a teoria da liberdade mas parece que o algoritmo do x passou a ser altamente tendencioso. Aquilo é a chamada liberdade?
isso mesmo,nunca vi ninguem ir preso nos EUA por tweets ou posts no facebook , mas na europa acontece todos os dias ate em portugal recentemente, eles que metam o eurosky naquele sitio que todos sabemos
Chamas censura por proibir espalhar fake news?
Discordo totalmente com o que são se diz. Ninguém quer alternativas como nunca ninguém saiu do whatsapp