Este elemento foi desenvolvido em 10 dias, há 30 anos. Hoje mantém a internet viva
O JavaScript, linguagem de programação conhecida por todo o círculo da tecnologia, foi concebido num prazo quase impossível. Contudo, tornou-se a base fundamental de toda a experiência digital contemporânea.
A génese de Brendan Eich: o mito dos 10 dias
Corria o ano de 1995 quando Brendan Eich, um engenheiro ao serviço da Netscape, recebeu uma tarefa complexa: criar uma linguagem de programação capaz de conferir interatividade ao browser, e fazê-lo em tempo recorde.
Em apenas dez dias, Eich desenvolveu o núcleo do que hoje conhecemos como JavaScript. Pressionado pela administração da empresa para que o novo código se assemelhasse visualmente ao Java - que gozava de enorme popularidade na época -, o engenheiro adotou uma sintaxe baseada em chavetas e pontos e vírgula.
Contudo, sob esta superfície comercial, o JavaScript era um híbrido sofisticado. Eich integrou:
- A elegância funcional da linguagem Scheme;
- E o modelo de objetos orientado a protótipos da linguagem Self.
Esta fusão apressada, embora genial, deixou como legado diversas inconsistências técnicas que, ainda hoje, os programadores em todo o mundo tentam contornar, num misto de frustração e admiração pela flexibilidade da ferramenta.
A evolução da marca JavaScript
É frequente ignorar-se que o JavaScript nem sempre teve este nome. O projeto nasceu como Mocha, evoluiu para LiveScript e, finalmente, foi batizado como JavaScript numa clara manobra de marketing para aproveitar o sucesso da Sun Microsystems.
Esta decisão gerou uma confusão histórica que perdura: para o utilizador menos familiarizado com a tecnologia, Java e JavaScript parecem parentes próximos, quando, na realidade, a sua relação é tão distante como a que existe entre um carro e uma carruagem.
Esta estratégia não só confundiu o público como enfureceu a Microsoft. Em resposta, a gigante de Redmond criou a sua própria variante, o JScript, provocando uma fragmentação que dificultava o desenvolvimento de páginas web universais. Para travar o caos, a linguagem foi submetida à organização ECMA, estabelecendo-se em 1997 sob o padrão ECMAScript, que serve de base técnica até aos dias de hoje.
O salto para o servidor e a era das aplicações dinâmicas
Durante o seu primeiro decénio, o JavaScript foi muitas vezes desvalorizado como um mero "brinquedo" para pequenas validações em formulários. O paradigma mudou radicalmente em 2005 com a tecnologia AJAX, que permitiu que serviços como o Gmail ou o Google Maps atualizassem dados sem necessidade de recarregar a página.
A web deixava de ser uma coleção de documentos estáticos para se tornar um ecossistema de aplicações fluidas.
O segundo grande momento de rutura ocorreu em 2009 com o lançamento do Node.js. Esta inovação permitiu que o JavaScript saísse do confinamento do browser e passasse a correr no servidor. A possibilidade de utilizar a mesma linguagem em toda a stack de desenvolvimento catapultou a sua popularidade, resultando no atual repositório npm, que conta com milhões de pacotes disponíveis para a comunidade.
O papel do TypeScript
Atualmente, o domínio do JavaScript é incontestável. De acordo com dados de 2025, a linguagem é utilizada por mais de 60% dos programadores mundiais, superando o Python e o SQL. A sua presença extravasou a janela do browser: hoje, o JavaScript alimenta aplicações de desktop através do Electron, aplicações móveis com o React Native e até sistemas complexos de inteligência artificial (IA).
No entanto, este crescimento trouxe uma complexidade acrescida. Bibliotecas e infraestruturas como React, Angular e Vue dominam o mercado, mas o peso crescente destes recursos começou a afetar o desempenho de muitos portais.
Este cenário está a impulsionar um regresso ao chamado "Vanilla JavaScript" (código puro), previsto como tendência para 2026. Paralelamente, o TypeScript, criado pela Microsoft, veio trazer a segurança e o rigor que faltavam à sintaxe original de Eich, tornando-se o padrão de excelência para projetos profissionais de grande escala.
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infelizmente. 🙁
E mais ridiculo que a propria lingaguem, é o próprio nome, ligado ao JAVA, que nada tem a have, que após Sun Microsystems por parte Oracle, está envolvida em polémica, porque o spec da linguagem chama-se ECMAScript e nao javascript e muito dos evento associados a linguagem nao podem usar a palavra JavaScript, porque precisamente começar por JAVA, devido ao direitos que, anteriormente Sun e atualmente Oracle, tem a JAVA.
E a empresa Deno, entrou com processo em tribunal, para retirar esse direito, porque a Oracle nao dá o seu uso em nenhum dos seus produtos. lol
Nenhum dos browser, se deu o trabalho de criar uma alternativa, como sugeriu, o criador de JSON. 🙁