O golpe de partilha de ecrã do WhatsApp que não esperava
Os golpes e outras ameaças que circulam em apps de mensagens como o WhatsApp são um forte lembrete de como até mesmo plataformas fiáveis podem ser facilmente usadas contra nós.
A ESET, a maior empresa europeia de cibersegurança, chama a atenção para uma tática enganosa que ganhou força recentemente, envolvendo induzir as pessoas a partilharem os ecrãs dos seus telemóveis durante uma videochamada no WhatsApp.
A funcionalidade de partilha de ecrã, disponível no WhatsApp desde 2023, está cada vez mais a ser usada contra os utilizadores da app para roubar os seus dados, identidades e dinheiro.
Como funciona o esquema da partilha de ecrã do WhatsApp?
Como o objetivo é criar confiança ou pânico para que aja impulsivamente, o esquema depende menos de truques técnicos e mais de manipulação psicológica. Veja como normalmente funciona:
1) A chamada
- Tudo começa com uma videochamada do WhatsApp de um número desconhecido. O golpista faz-se passar por um representante de um banco ou serviço, um agente de suporte do WhatsApp ou Meta, ou até mesmo um amigo ou parente seu em apuros.
- Para parecer legítimo, falsifica um número de telefone local, enquanto o vídeo pode estar desativado, escuro ou desfocado para ocultar a sua verdadeira identidade.
2) O problema
- Em seguida, surge uma sensação de urgência. O interlocutor alegará que há uma cobrança não autorizada no seu cartão de crédito, uma sessão aberta noutro dispositivo que precisa ser encerrada, um prémio pendente que precisa da sua verificação ou um risco de que a sua conta seja suspensa. O objetivo é criar uma sensação de pânico e fazer com que aja sem pensar duas vezes.
3) Partilha de ecrã
- O golpista pede então que partilhe o ecrã do seu telemóvel, aparentemente para o ajudar remotamente, para que ele possa “resolver” o suposto problema.
- Pode ser-lhe pedido que instale uma app de acesso remoto legítima, como AnyDesk ou TeamViewer.
- Assim que o fizer, quaisquer mensagens de texto recebidas e códigos de verificação do WhatsApp ficam visíveis para ele. Com esses dados em mãos, o atacante pode assumir imediatamente o controlo da sua conta do WhatsApp. No entanto, a situação piora ainda mais a partir daqui.
4) Acesso a dados pessoais
- Com o seu ecrã visível para o malfeitor em tempo real, ele também pode roubar as suas senhas, códigos 2FA, senhas de uso único (OTPs), bem como capturar imagens do ecrã ou pedir que abra a sua aplicação bancária e induzi-lo a fazer transferências bancárias – tudo sob o pretexto de resolver o suposto problema.
- Ele também pode enganar as suas vítimas para que instalem malware, como keyloggers, que gravam silenciosamente informações confidenciais para roubo posterior.
5) Roubo de contas e dinheiro
- Depois de obter códigos de verificação e dados bancários, os golpistas podem esvaziar as suas contas bancárias e sequestrar as suas contas de redes sociais e outras contas online, e fazer-se passar por si para continuar a aplicar golpes, desta vez visando os seus parentes e amigos.
Manter-se seguro começa com o ceticismo
O esquema é eficaz porque explora três ingredientes potentes: confiança (criada por uma videochamada de uma entidade fiável), urgência (criada por um problema fabricado) e controlo (concedido através da funcionalidade de partilha de ecrã ou de uma ferramenta de acesso remoto). Esta combinação dá aos criminosos visibilidade quase total do seu telemóvel. Portanto, manter-se seguro contra este esquema depende mais da consciência e da disciplina do que de proteções tecnológicas.
O golpe descrito acima é mais um lembrete de que a engenharia social continua a ser uma das armas mais poderosas no arsenal dos cibercriminosos. Revela também como um lapso momentâneo de julgamento pode acabar com as economias de uma vida inteira. Em casos como estes, portanto, a consciencialização é a sua primeira e mais forte linha de proteção.






















