Maior queda de sempre no mercado mundial de smartphones: “choque semelhante a tsunami”
A escassez de memória está a impactar vários setores, que têm registado ou prevêem aumentos dos preços. Segundo previsões da International Data Corporation (IDC), o mercado mundial de smartphones deverá cair 13% em 2026, registando a maior queda de sempre.
Esta quinta-feira, a IDC publicou as suas estimativas relativamente às remessas de smartphones em 2026.
De acordo com o Worldwide Quarterly Mobile Phone Tracker da IDC, em 2026, prevê-se que as remessas mundiais de smartphones diminuam 12,9% em termos homólogos, para 1,1 mil milhões de unidades.
Citando a empresa, "esta queda levará o mercado de smartphones ao volume anual de envios mais baixo em mais de uma década".
A previsão atual representa uma descida acentuada face à previsão de novembro, num contexto de agravamento da crise de escassez de memória.
Segundo Francisco Jeronimo, vice-presidente de Worldwide Client Devices da IDC, num comunicado oficial, "o que estamos a testemunhar não é um aperto temporário, mas um choque semelhante a um tsunami com origem na cadeia de fornecimento de memória, cujos efeitos se propagam por toda a indústria da eletrónica de consumo".
Também para Nabila Popal, diretora sénior de investigação do Worldwide Quarterly Mobile Phone Tracker da IDC, "a crise da memória provocará mais do que um declínio temporário; marca uma redefinição estrutural de todo o mercado, remodelando profundamente o TAM (Total Addressable Market), o panorama de fornecedores e a composição dos produtos a longo prazo".
Conforme informámos, recentemente, o mercado de hardware atravessa, também, um período de forte instabilidade, impulsionado pela febre da Inteligência Artificial. A HP, por exemplo, que é uma das maiores fabricantes do setor, revelou que o custo dos componentes atingiu valores históricos, com um impacto direto nos consumidores.

O cenário é particularmente crítico no segmento da memória RAM, que passou a representar uma fatia desproporcional no custo de fabrico de um PC.
"Não haverá regresso à normalidade para fornecedores e consumidores"
Ainda de acordo com Francisco Jerónimo, "o mercado global de smartphones, em particular as fabricantes Android, enfrenta uma ameaça significativa", com os fornecedores cujo negócio se concentra sobretudo no segmento de entrada a serem os mais afetados.
O aumento dos custos dos componentes irá pressionar as suas margens e não terão alternativa senão transferir esses custos para os consumidores finais.
Disse o vice-presidente de Worldwide Client Devices da IDC, acrescentando que, "em contrapartida, a Apple e a Samsung estão melhor posicionadas para atravessar esta crise".
À medida que as fabricantes Android mais pequenas e posicionadas no segmento de baixo custo enfrentam dificuldades devido ao aumento dos custos, a Apple e a Samsung poderão não só resistir à turbulência como aumentar a sua quota de mercado, à medida que o panorama competitivo se torna mais restrito.
Segundo Nabila Popal, é esperado um processo de consolidação, à medida que os intervenientes mais pequenos abandonam o mercado e os fornecedores de baixo custo enfrentam quedas acentuadas nos envios devido às restrições de oferta e à menor procura em níveis de preço mais elevados.
Nas suas palavras, "embora as remessas registem uma queda recorde, prevê-se que o preço médio de venda dos smartphones aumente 14%, atingindo um valor recorde de 523 dólares este ano".
Apesar de se prever que os preços da memória estabilizem em meados de 2027, é pouco provável que regressem aos níveis anteriores, tornando permanentemente inviável o segmento abaixo dos 100 dólares (171 milhões de dispositivos). Em suma, não haverá regresso à normalidade para fornecedores e consumidores.
A nível regional, a ICD prevê que os mercados com maior concentração de smartphones de baixo custo registem as maiores quedas.
O Médio Oriente e África enfrentarão a descida mais acentuada, de 20,6% em termos homólogos, enquanto os dois maiores mercados mundiais, a China e a Ásia Pacífico (excluindo Japão e China), deverão cair 10,5% e 13,1%, respetivamente.
À medida que a crise começar a estabilizar em meados de 2027, a IDC prevê uma recuperação modesta de 2% nesse ano, seguida de uma recuperação mais forte de 5,2% em termos homólogos em 2028.






















Se virmos encomendas de stocks de ram para 2028 que ainda só começam em produção em 2028 e já estão reservados é para terem uma noção de como anda a coisa, ou outras empresas começam a produzir RAM ou senão isto vai ter um impacto em tudo porque tudo que é electrónico e que use RAM.
outras empresas começam a produzir RAM? com que wafers e com que fabricas? deves pensar que isto é produzir batatas fritas
Já cá faltava o Zézinho, não é como produzir batatas fritas mas se temos um problema de oferta com datas alargadas podes crer que o mercado não tem que ser dividido entre as 3 grandes Samsung, SK Hynix e Micron, 2 e 3 anos pode ser execuivel, claro que não estou a falar para competir no mercado de topo de densidade e velocidade das memórias da Samsung ou Micron mas sim memórias inferiores para aliviar o mercado.
Por exemplo temos a chinesa CXMT que pode começar a abalar o mercado já este ano e 207/2028.
Quando existe procura, não interessa se demora 2, 3,4 anos vai existir empresas a querer uma fatia do mercado.
logico, mas daí até começarem a produzir, já a procura estabilizou
Afinal a Samsung é fixe. E a Apple?
Não culpem só o preço dos chips, a falta de inovação também é um factor importante. Encher o smartphone com mais lixo de IA não é inovação.
Notícia dos últimos dias: a Samsung pretendia um aumento de 60% no preço a pagar pela Apple. Propôs um aumento de 100%, para começo das negociações … e a Apple aceitou-o.
a apple é quem tem as maiores margens nos equipamentos, o que eles fazem é o que sempre fizeram com NAND, dominam a procura para conseguirem manter a oferta, aguentam 2 anos e volta tudo ao mesmo enquanto lideram vendas.
Isto é tudo uma treta do mercado, uma desculpa para aumentar os preços. As empresas já perceberam uma coisa: deixam passar para o público a informação que querem, fazem-se de coitadinhas e dizem que a culpa do aumento dos preços é de terceiros. Depois aumentam os preços e as pessoas continuam a comprar a mesma coisa, às vezes até com menos qualidade e a um preço superior.
Isto está a acontecer em vários setores. Depois o preço da matéria-prima desce, mas os preços mantêm-se altos.
logico, a escassez dita o preço mas embora os preços estabilizem nunca voltam ao que eram, nem têm que voltar, nestes casos leva anos até estabilizar, nessa altura já a supply chain se ajustou e o consumidor também, por iriam recuar quando podem ter mais lucro? só concorrência faz os preços recuar
O mercado está saturado e bastante estagnado. Qualquer Smartphone com 3 anos está a par com modelos actuais. As diferencas sao minimas (se existirem)
depende dos modelos apenas devido às features de AI, poucos equipamentos conseguem correr modelos localmente no dispositivo
Que 1, em cada 25 milhões, de utilizadores precisa… pagar 6000 euros, por um telemóvel, para isso, não é para 99,999999% dos clientes.
Já me tinha esquecido que o pessoal anda a comprar smartphones para correr Modelos de AI localmente no dispositivo
conheço algumas empresas que definem isso como politica de segurança
Já é esperado, não pelo preço, da RAM e dos chips.
As empresas lançaram 4776330 de modelos (base) em 2023. Em 2024, desceram 24%. Em 2025, voltaram a descer 46%. É normal que 50%-66%, desçam, em 2027. Lembram-se de ver (aqui e redes sociais) 5000 milhões, de anúncios a novos modelos, desde os low cost aos flagship? Nestes últimos anos, isso tem afundado. Acrescentando 800 triliões, de dólares, de perdas, nas criptomoedas, ainda se percebe mais, porquê.
Finalmente, e que não fique só por este ano. Há demasiado lixo, produzido por estas empresas.
Não é , neste momento o que é que podes inovar mais, além de melhorar as funcionalidades progressivamente, os smartphones já têm mil funções como um canivete suíço, agora estão a evoluir para o software ser autónomo, é algo totalmente necessário e tem de ser uma corrida desenfreada ao invés de algo que fosse evoluindo gradualmente secalhar não, mas nos tempos que correm é isto…