Vivo na Eslovénia e há um serviço que levaria imediatamente para Portugal
Uma das melhores coisas da globalização e da facilidade com que hoje podemos viver, trabalhar ou viajar entre diferentes países é a oportunidade de observar como outras sociedades funcionam. Há dois anos na Eslovénia, esta é uma das coisas que levaria imediatamente para Portugal.
A Eslovénia é um país de natureza e, ainda que isso se deva essencialmente à sorte, que lhe atribuiu um clima particular e uma geologia que convida os aventureiros, essa vantagem reflete-se na forma como as pessoas se deslocam no dia a dia.
Especialmente na capital, mas, também, nas cidades mais pequenas, é comum ver cidadãos ativos que caminham, usam bicicleta ou recorrem a transportes públicos, em vez de dependerem do carro.
Por aqui, é comum ver-se os mais novos a aprender a desbravar a estrada, caminhando em cima da bicicleta, ainda sem pedais.
Existe um esforço claro para promover estilos de vida mais sustentáveis, desde a criação de ciclovias até ao incentivo à mobilidade elétrica e partilhada.
De facto, a capital eslovena, Liubliana, tem investido fortemente em mobilidade sustentável, com um centro histórico praticamente livre de carros, redes de bicicletas partilhadas e soluções de car-sharing.
O resultado é uma cidade onde se vive facilmente sem carro, combinando bicicleta, transportes públicos e veículos partilhados.
Levaria a qualidade deste serviço para Portugal imediatamente
Durante muito tempo normalizei a utilização do carro para praticamente tudo: ir ao supermercado, tratar de burocracias, fazer pequenas viagens ou simplesmente deslocar-me dentro da minha freguesia e cidades perto.
Contudo, este serviço mudou a forma como penso a mobilidade: chama-se Avant2Go e é uma das coisas que gostava de ver a funcionar em Portugal.
Não sendo uma novidade para os portugueses, especialmente os que vivem em grandes cidades, não vejo as alternativas amplamente divulgadas.
O conceito é simples. Trata-se de um serviço de car-sharing com carros elétricos espalhados por várias cidades. Através de uma app para smartphone, é possível ver os carros disponíveis, reservar um deles, desbloqueá-lo e começar a conduzir.
O pagamento é feito apenas pelo tempo e pelos quilómetros utilizados, "à taxa de elétrico", com um limite diário máximo que, uma vez atingido, não aumenta o custo nas 24 horas seguintes.
As tarifas variam conforme o modelo do veículo e podem incluir carros urbanos pequenos e veículos maiores, por exemplo:
- Um Renault Twingo tem uma tarifa de 0,11€/minuto ou 0,39€/km durante o dia, e 0,03€/minuto ou 0,39€/km durante a noite. A tarifa diária é de 36€, com o mínimo fixado em 4€.
- Um Renault 5 E-Tech tem uma tarifa de 0,13€/minuto ou 0,39€/km durante o dia, e 0,04€/minuto ou 0,39€/km durante a noite. A tarifa diária é de 44€, com o mínimo fixado em 5€
- Um Cupra Born tem uma tarifa de 0,18€/minuto ou 0,39€/km durante o dia, e 0,06€/minuto ou 0,39€/km durante a noite. A tarifa diária é de 59€, com o mínimo fixado em 5€.
O período máximo de aluguer contínuo é, regra geral, 72 horas (três dias), embora possa ser estendido se necessário e se a conta associada tiver crédito.
Não há seguros para tratar nem manutenção para pagar, além de os estacionamentos serem, também, mostrados na app.
Com as deslocações rotineiras a serem realizadas a pé, de bicicleta ou de transportes públicos, o serviço é particularmente útil quando é mesmo preciso um carro "próprio", nomeadamente para fazer compras maiores, ir ao aeroporto ou fazer uma viagem para fora da cidade: basta abrir a app, reservar um veículo e utilizá-lo pelo tempo necessário.
Depois é só devolvê-lo num dos espaços de estacionamento do serviço e terminar a viagem, assegurando que fica no estado em que foi encontrado: limpo e, idealmente, a carregar.
Desta forma, muitas pessoas conseguem viver sem carro próprio, utilizando transportes públicos, bicicletas e serviços de car-sharing quando precisam de um veículo, ajudando a reduzir o número de carros nas ruas, diminuir a necessidade de estacionamento e incentivar a utilização de veículos elétricos.
Portugal poderia melhorar a oferta
Em Portugal existem (ou existiram) serviços de car-sharing e outras soluções de mobilidade semelhantes ao Avant2Go. Contudo, a oferta e disponibilidade de veículos parece mais limitada:
- O serviço CityDrive para reservar carros por minuto ou hora através de uma aplicação, abrir o veículo com o telemóvel e pagar conforme o uso. Em 2017, segundo a General Manager da Citydrive, Ana Morais Sarmento, numa entrevista dada aquando da chegada do serviço a Lisboa, esta era a primeira e única empresa de car-sharing em Portugal.
- A KINTO Share, parte da Toyota, para alugar um carro desde 30 minutos até vários dias ou mais, com a reserva feita através de uma app ou plataforma digital. Embora funcione mais como um aluguer flexível do que um car-sharing clássico com estações fixas na rua, pode ser uma boa alternativa para obter um carro por períodos curtos em cidades como Lisboa ou Porto.
Assim, ainda que Portugal já conte com alguns serviços de mobilidade semelhantes, ainda não oferecem a abrangência e integração do sistema Avant2Go.
Na Eslovénia, especialmente em cidades como Ljubljana, o serviço combina uma frota extensa de carros elétricos, estações distribuídas por toda a cidade e uma app que gere toda a experiência de forma intuitiva.
Esta amplitude permite que os cidadãos tenham acesso rápido e confiável a um carro sempre que precisam, integrando-se perfeitamente com bicicletas partilhadas e transportes públicos.
Em locais como Lisboa e Porto, muitas pessoas já não precisam realmente de um carro todos os dias. Nessas e noutras cidades, um sistema de carros partilhados bem distribuído permitiria ter acesso a um veículo apenas quando é necessário, sem os custos e preocupações de possuir um carro próprio, e dando às cidades um aspeto mais leve.


























Parabéns pelo artigo.
Em Portugal sei que há este tipo de serviço, nunca utilizei e talvez fazendo bem as contas, até pode ficar mais barato que ter carro novo.
Eu tenho dois casais amigos que moram em Lisboa e não têm carro, um dos casais vai regularmente ao Algarve de onde são naturais e com a família ainda apor lá, e vão ou na Rede Expresso ou FlixBus, e se necessitarem de levar alguma coisa ou trazer, alugam carro.
Outra coisa é que por lá o teletrabalho é visto como uma coisa normal e natural, por aqui é tudo a desconfiar uns dos outros.
O pessoal muitas vezes compram grandes carros a contar com aquela viagem que fazem 1x ao ano.
Já por algumas vezes aluguei 1 carrinha ou carro maior para andar a passear com a familia que está de visita.
Por vezes sai muito mais barato ter um carro mais barato e mais economico e alugar 1 carro para alguma eventualidade.
O chato dos transportes como comboio, Flixbus, etc são os horários, a pessoa não tem liberdade de ir ou voltar quando quer. Há países onde não compensa ter carro porque os custos de seguro são elevados, há portagens à entrada da cidade, e porque existe uma excelente rede de transportes públicos a qualquer hora, mais Uber para alguma eventualidade. Aqui em Portugal, fora dos grandes centros, há muita escassez de transportes.
Hey, espera aí… A bicicleta usada todos os dias por todas as pessoas tem potencial para arruinar até ao ultimo centavo o negócio dos capitalistas do lobby automóvel e petrolífero. Eles não vão gostar nada. E vão fazer tudo por não deixar as pessoas usar. Como fazem em Portugal, que compram políticos e autarcas para complicar a vida aos ciclistas, com mais perigos, mais acidentes e mais mortes. E uns opinion makers de pacotilha, para convencer as pessoas de que se por acaso sobrevivessem a isso tudo, caíam-lhes os parentes à lama. E estava a dar resultado, pelo menos até agora.
Nos os Tugas, ainda a chuva esta nos Açores já estamos abrigados para não nos molharmos. 🙂 🙂 🙂
Tenho uma amiga mãe de gêmeos e um dos filhos esta a viver nos Países Baixos e ou outro na Bélgica, e quando foi visitar o filho na Bélgica, diz que era das poucas pessoas com chapéu de chuva, o resto das pessoas estava tão preparada com roupa adaptada para a chuva que dispensavam o chapeou.
Nos centros urbanos, as bicicletas elétricas são o ideal. Pode ser que com estes aumentos dos combustíveis, a generalidade adeque a mentalidade à necessidade.
Avis. Esse belo concelho comunista no distrito de Portalgre. O paraíso em que todos andam de bicicleta e onde a corrupção não existe….
Seria uma praga como as trotinetas, de carros abandonados ao deus dará, roubados e vandalizados. Para funcionar teria de: haver civismo + Lisboa ser plana. Impossível!
Para continuar a funcionar o negócio dos carros e do petróleo teria de: haver pilim, e pessoas a perder-lhe o amor ! Isso tem os dias contados. Civismo para andar de bicicleta, é fácil e não custa dinheiro. E Lisboa é mesmo plana desde que foi inventada a bicicleta eléctrica.
Plana porquê? Tenho uma bicicleta elétrica que faz 60 km de autonomia e dá 50 kmh. Nas retas e nas descidas, desligo o motor.
Em relação à praga, as soluções são as mesmas que para os restantes veículos. Fiscalização sempre em cima. Um país de pobres armados em ricos.
Plana porque na eléctrica não é preciso fazer esforço e suar para subir. Ninguém se importa com as subidas, a não ser que a bateria acabe. E não é preciso desligar motor nas descidas. O controlador desliga sozinho.
Parabéns pelo artigo!
No entanto, fico à espera de críticas por causa das colinas em Lisboa, das ruas íngremes do Porto ou de que precisam de atravessar a ponte…
Na selva em que vivemos está-se mesmo a ver o que aconteceria a um veículo desses 🙂 Ou estava sempre na oficina, em peças ou no abate …. ao fim de 1 semana 🙂 Isto é para países evoluído, não para um 3.º mundismo tacanho !
Nós até tinhamos um bom País, mas decidimos praticar terrorismo imobiliario, e promover a invasão, por Turistas Sociais da Europa Central, e da Asia.
Agora, até já a Eslóvénia tem coisas boas…pois,pois..
Carros partilhados parece uma óptima ideia, mas quando se começa a pensar nos problemas começa a perder encanto. Como é que se resolvem os seguintes problemas:
– Limpeza do veículo;
– Como confirmar quem foi o responsável por pequenos danos?
– Quem carrega/abastece?
Se tivermos de ter alguém a verificar cada carro após o aluguer acaba por atrasar e encarecer, o que na minha opinião faz com que infelizmente não seja viável.
Quando alugamos o veículo, podemos avaliar o estado geral do mesmo, inclusive tirar fotografias e fazer vídeos.
Pois é! basta ver os transportes publicos. Quando é que são limpas as cadeiras? penso que raramente ou nunca. Quanto a danos, essa é outra. como vai ser para identificar quem é quem?
Quanto a carregamentos, penso que deverão fazer como as trotinetes…
Eu inicialmente utilizaria o serviço, mas acabava por desistir devido exatamente a falta de limpeza e mesmo a própria manutenção do carro. Afinal de contas, ganhos ao máximo, despesas ao mínimo.
Vocês portugueses estão nos século passado. No Brasil já existe serviço de carro partilhado e os veículos estão sempre limpos, carregados e existe um checklist em que o utilizador atual denuncia avarias do último utilizador, enviando fotos pela aplicação. Parece-me que não pensas!
Também existe na Dinamarca
Bom artigo. Venham mais com outras boas ideias em vigor noutros países.
Gostei do artigo. Bom serviço, até mesmo em pequenas cidades. Evitava grandes deslocações em carro próprio.
Já houveram dois serviços em Portugal que faziam isso e o resultado foi tão bom que as empresas removeram a operação de cá. Chamavam-se DriveNow (BMW) e car2go (Daimler)
Tens bolt drive
Já desde 2016 que há serviços desses PT, o melhor no momento é o bolt drive, têm espaços reservados em estacionamentos perto de estações de metro para ser fácil o acesso
O que traria para Portugal eram os edifícios sem graffitis e as ruas limpas…. Mas isto sou eu, que sou do contra.
Só por aqui se vê a diferença de civilização.
Não é civismo, é civilização…
Eu tenho carro, gosto de ter carro, e gosto de conduzir. Por isso.
Paga!
Na Polonia existe o panek, e so clicar entrar e conduzir. Portugal realmente ficou para tras e basta ver a porcaria da Gira como funciona. Meu rico nextbike
Pelos comentários acima falta referir que isso não dá impostos aos (des)governos
Onde eles iam buscar os Milhões do IA/Isp/Iva/Pneus etc.
Daí empresas como as referidas foram à vida por estes lados
Na cidade de Lisboa entram em média mais de 400.000 carros por dia – que entram principalmente 150.000 pela Ponte 25 de Abril, 100.000 pela A1, 80.000 pela A5, 70.000 pelo IC 19, A Lisboa da “hora de expediente” triplica a população.
Em Lubliana e arredores há cerca de 500 veículos avant2go.
Para não me alongar, parece-me que os avant2go por cá não passavam de um gota de água, que não são alternativa à posse de uma viatura própria.
Pensando bem, “não são alternativa à posse de uma viatura própria” – mas podem ser alternativa à posse da segunda viatura própria, que muitas famílias têm.
Lisboa já teve dois serviços semelhantes – CityDrive e Emov. ambos deram prejuízo e acabaram, tendo a CityDrive inclusivamente deixado um rol de dívidas a trabalhadores e prestadores de serviços. É uma pena, mas o mercado (a mentalidade tuga) não estava pronta para este tipo de inovação.
Boa tarde antes demais a todos. Parabéns pelo artigo. Escrevo de Faro. Seria muito bom ter esse serviço dos carros elétricos partilhados, mas em todas as capitais, não só em Lisboa ou no Porto. Mas sinceramente seria só bom, e uma miragem com a mentalidade e a falta em Portugal. E também não está ver o país ter dinheiro e o estado investir nesse serviço. R aqui em Faro existe o serviço de bicicletas e trotinetes partilhadas, com o uso de uma aplicação claro.Mas é uma cidade que no centro não tem ciclovias, e muito poucas ciclovias, para incentivar o uso destes transportes . E quanto às trotinetes, eu acho que devia de haver um introdução ao código da estrada nas escolas, talvez através de PSP, porque a maior parte dos utilizadores das trotinetes, são jovens da escola, que andem em contramão, , por cima dos passeios, sem.luz, capacetes, coletes refletorrd. Enfim sem nenhuma noção dos perigos que causam e correm. A autarquia também tem um grande responsabilidade nestes serviços. Não é só disponibilizar as trotinetes e deixar andar. Além de que todos estes serviços teem de ter um seguro de.responsabilidad civil, ma minha humilde opinião
Á muita falta de civismo e de que todos somos temos direitos e deveres nada. O uso das trotinetes é feito muitas vezes, sem luz, capacetes, coletes refletores. As autarquias tem de investir nais nas infraestuturas.A mentalidade portuguesa também tem muito que mudar e evoluir
Aqui destroem tudo.
Colocaram as bikes e foi util,colocaram as trotinetes,muitas estragadas,espelhadas..
Enwuanto n houver civismo quem oerde é quem coloca no mercado…o carro até faziam para transporte de farinha,armas…..acha viavel?
Aqui na Bukgaria existe um serviço semelhante. Chama-se Spark
Uma da mais grandes empresas em França, desistiu de esse modelo de negocio. Vendeu a frota de veículos eléctricos. Os custos de frota eram demasiado elevados. Os clientes despresavam os carros, danificando os carros e deixando para os próximos clientes os danos. Trabalhei para uma empresa de aluguer international, essa gestão de frota precisa de muito pessoal, para avaliar o carro antes de o entregar ( check-out) e o devolvimento do carro (check-in). Empresa com pouco lucro de valor, mas com volume compensa. No papel parece ser um bom negocio, em realidade acontece varias vezes haver acidentes, e ninguem quer a culpa, fica o carro danificado e a empresa prejudicada. Qualquer que seja o país, é um negocio que não vai avante.