A Tesla está a depositar muita ambição no seu robô humanoide, que deverá ser um dos maiores pilares da marca, em breve. Apesar do cartão de cidadão norte-americano, parece que o Optimus tem ADN chinês, segundo a indústria.
No âmbito do plano que a Tesla tem de se focar no fabrico de robôs humanoides, Elon Musk anunciou que quer reforçar a produção do Optimus nos Estados Unidos.
Aliás, é para esse objetivo que a fábrica da Tesla, em Fremont, na Califórnia, vai ser modificada para fabricar o Optimus e iniciar a produção em massa até ao final de 2026., segundo o diretor-executivo, na apresentação de resultados da empresa, na semana passada.
No mesmo dia, Musk disse que a empresa iria começar a reduzir a produção dos veículos eléctricos Model S e Model X já a partir do próximo trimestre.
O objetivo a longo prazo é produzir um milhão de robôs humanoides por ano nessas instalações.
Em junho de 2024, a Tesla revelou que tinha já dois robôs humanoides Optimus a operar de forma autónoma numa das suas fábricas.
A “cadeia Optimus” sustentada pela China
Conforme a imprensa chinesa, a mudança estratégica da Tesla para a produção de robôs humanoides deverá envolver uma rede de fabricantes de componentes essenciais da China.
Aparentemente, num futuro previsível, a iniciativa irá continuar dependente da vasta cadeia de abastecimento de robótica da China, mesmo que a montagem final do Optimus venha a ser estabelecida nos Estados Unidos, segundo analistas e fontes da indústria, citadas pelo South China Morning Post.
Optimus pilot production line is currently running in our Fremont Factory
Significantly larger Gen 3 production line coming in 2026
We’re also testing in our factories & office spaces for real-time use case
Our goal is $20k COGS per robot at scale pic.twitter.com/WAfdcdt0Ue
— Tesla (@Tesla) November 6, 2025
Há cerca de três anos, a Tesla começou a adquirir componentes e a colaborar com centenas de fornecedores chineses, trabalhando de perto com alguns deles em investigação e desenvolvimento, bem como em design de hardware, de acordo com pessoas não autorizadas a falar publicamente sobre estas colaborações, citadas pelo mesmo jornal.
Estes fornecedores enviaram pequenos lotes de componentes de amostra para a Tesla, em resposta ao seu feedback. Entretanto, novos protótipos foram enviados por uma dessas fontes nos últimos meses, por exemplo, da cabeça em vidro curvo do Optimus.
O custo e a eficiência continuam a ser as principais vantagens da cadeia de abastecimento chinesa.
Disse Zhang Xin, analista da corretora Longbridge Dolphin Research.
Na primeira apresentação de resultados de 2026, Elon Musk afirmou que o seu robô Optimus será uma força económica suficientemente grande para mexer com o PIB dos Estados Unidos.
Segundo as pessoas citadas, as empresas chinesas envolvidas no abastecimento para o Optimus viam-se como parte de uma emergente “cadeia Optimus”.
Parceiros de fabrico competiam por garantir um lugar nessa cadeia, esperando conseguir encomendas que pudessem impulsionar as vendas e o perfil dos seus negócios.
Com cerca de 50 a 70% da experiência de fabrico e produção de componentes nucleares localizada na China, esperamos que os intervenientes chineses assumam papéis mais relevantes na cadeia global de fornecimento de robôs humanoides
Afirmou Cheng Xin, sócio da consultora americana Bain & Co., acrescentando que “em alguns componentes essenciais, representavam pelo menos 55% da lista global de materiais dos robôs humanoides”.
Entre os potenciais fornecedores da “cadeia Optimus” está a Zhejiang Sanhua Intelligent Controls, fornecedora de longa data da Tesla em componentes de gestão térmica, associada por analistas e investidores aos sistemas de acionamento das articulações do Optimus.
Além desta, o Ningbo Tuopu Group, um grande fornecedor de peças para veículos elétricos que estava a desenvolver atuadores, motores para mãos hábeis e peles eletrónicas.
Numa nota de investigação de janeiro, o Morgan Stanley terá estimado que o mercado global de componentes para robôs humanoides poderia gerar até 780 mil milhões de dólares em receitas até 2040, representando um impulso económico para a China.
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