Cibersegurança: Footprinting… sabe o que é? Saiba como se “proteger”
Quando se fala em cibersegurança, muito se ouve falar de ataques, malware ou ransomware. No entanto, antes de qualquer ataque bem-sucedido existe quase sempre uma fase de preparação: o footprinting.
Esta técnica consiste na recolha de informação sobre uma organização, empresa ou utilizador, recorrendo a fontes públicas e a ferramentas especializadas. O objetivo é construir um perfil detalhado do alvo, identificando possíveis pontos de entrada e vulnerabilidades que possam ser exploradas.
O que é o footprinting?
O footprinting é um processo de reconhecimento (reconnaissance) que permite reunir o máximo de informação possível antes de uma ação ofensiva ou de uma auditoria de segurança.
Os dados recolhidos podem incluir:
- Domínios e subdomínios;
- Endereços IP públicos;
- Registos DNS;
- Tecnologias utilizadas num website;
- Endereços de e-mail;
- Estrutura da organização;
- Funcionários e respetivos cargos;
- Serviços expostos à Internet;
- Informações disponíveis nas redes sociais
Embora esta técnica seja frequentemente associada a atacantes, também é amplamente utilizada por equipas de segurança para identificar informação exposta desnecessariamente e reduzir a superfície de ataque.
Footprinting passivo e ativo
O footprinting divide-se em duas categorias principais: Footprinting passivo e Footprinting ativo
Footprinting passivo
Nesta modalidade, a recolha de informação é feita sem qualquer interação direta com os sistemas do alvo. São utilizadas fontes públicas, como motores de pesquisa, redes sociais, bases de dados WHOIS, registos DNS e plataformas como o GitHub.
Como não existe contacto direto com os servidores da organização, esta atividade é praticamente impossível de detetar.
Footprinting ativo
No footprinting ativo existe interação direta com os sistemas do alvo. São realizados pedidos DNS, scans de portas, identificação de serviços, deteção de versões de software e outras técnicas que permitem obter informação mais detalhada.
Este tipo de atividade pode ser registado pelos sistemas de monitorização e, em alguns casos, gerar alertas de segurança.
Ferramentas mais utilizadas
Existem diversas ferramentas que facilitam este processo, entre as quais:
- Google Dorks;
- theHarvester;
- Sublist3r;
- Amass;
- Maltego;
- Shodan;
- Nmap;
- DNSRecon;
- Recon-ng.
Cada uma destas ferramentas tem objetivos específicos, desde a descoberta de subdomínios até à identificação de serviços expostos ou à análise de relações entre pessoas, empresas e infraestruturas.
Como reduzir a informação disponível?
Eliminar totalmente a pegada digital de uma organização é praticamente impossível. No entanto, é possível reduzir significativamente a quantidade de informação acessível.
Algumas boas práticas incluem:
- Remover serviços desnecessários da Internet;
- Ocultar informação sensível em registos públicos sempre que possível;
- Rever regularmente a informação publicada em websites e redes sociais;
- Evitar divulgar detalhes técnicos da infraestrutura;
- Monitorizar continuamente ativos expostos à Internet;
- Realizar avaliações periódicas de OSINT e footprinting.
O footprinting demonstra que, muitas vezes, o maior problema não está numa vulnerabilidade técnica, mas na quantidade de informação disponível publicamente.
Conhecer a própria pegada digital é um passo essencial para qualquer organização. Afinal, quanto menos informação estiver acessível a potenciais atacantes, menor será a probabilidade de um ataque bem-sucedido.






















Excelente artigo. Foca essencialmente a matéria que dei este ano no cet5 de cibersegurança.
Curiosamente, foi dos trabalhos de aprendizagem que achei bastante interessante fazer.
O Maltego é poderosíssimo, e bastante viciante, mas é fácil consumir rapidamente os créditos gratuitos mensais 🙂
Já o Shodan foi uma surpresa para mim perceber a barbaridade de vulnerabilidades mundial de servidores web que existe, e deixa-me a pensar se é por pura negligência, desinteresse, ou total ignorãncia.
Claro que, há imensas outras ferramentas adicionais, que o artigo não cobre, mas também não necessita. Para os interessados, já têm muito para testar, com cuidado claro.
Pena que tenha zero aplicabilidade no mundo real.
É o maior problema que os cursos portugueses têm, até cursos práticos como os CET.
Sempre que faço onboard de juniores na minha equipa é preciso fazer um brain wash para eles se esquecerem de tudo o que aprenderam que não tem valor nenhum prático, este é um desses casos.
Um bom académico não faz um bom profissional
Va la que e’ quase a primeira vez que dizes alguma coisa de jeito. Quem sai da Universidade em IT, sabe tudo e nao sabe nada ao mesmo tempo. Sabe para conversa de cafe, nao sabe para trabalhar em qualquer empresa ja em modo cruzeiro. Os melhores profissionais sao os que tem paixao pelo que fazem nao e’ os que tiraram melhores notas. Estao-se a cagar para as aulas, querem e’ aprender por eles proprios o que precisam e nao o que lhes impingem. tem capacidade suficiente para perceberem que estao a perder tempo com o que aprendem la mas tiram na mesma para calar os patroes burros que pensam que quem tem o curso os vai salvar.
Dou-te toda a razão!
O curso acaba este mês de Julho. Foi um ano inteiro muito puxado e exigente. Da turma inicial metade saíu porque não aguentaram o ritmo e exigência técnica. Foi tanta informação concentrada, tanta documentação, “40 mil vm’s” de teste, de treino e tão pouco tempo para me dedicar a fundo, com tempo, e agora fica a sensação de medo porque tenho a sensação que não sei nada de nada. Mesmo com as simulações e cenários de wargame, agora que vou estagiar, estou com a pura sensação que vou “apanhar bonés” 🙂