IA ameaça empregos, mas haverá “mais do que suficientes” para estas pessoas
Mais um dia, mais um diretor-executivo a desenhar o potencial impacto da Inteligência Artificial (IA) no futuro. Desta vez, as alegações partiram do líder da Palantir, que acredita que a tecnologia vai, sim, acabar com empregos, mas haverá oportunidades "mais do que suficientes" para um determinado grupo profissionais.
Com o crescimento da IA e a evolução técnica dos robôs, alguns especialistas afirmam que o pensamento crítico e a criatividade serão mais importantes do que nunca.
Na perspetiva do cofundador e diretor-executivo da Palantir, contudo, a realidade será outra.
Vai destruir empregos nas humanidades. Se estudaste numa escola de elite e estudaste filosofia - vou usar-me como exemplo - espero que tenhas outra competência, porque essa vai ser difícil de colocar no mercado.
Disse Alex Karp, quando questionado sobre o impacto da IA no emprego, durante uma conversa com Larry Fink, diretor-executivo da BlackRock, no Fórum Económico Mundial, a decorrer em Davos, na Suíça.

Alex Karp, diretor-executivo da Palantir, no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, no dia 20 de janeiro de 2026. Crédito: Denis Balibouse/Reuters, via Fox News
Conhecimentos específicos passarão a valer muito mais
O líder da Palantir, uma empresa de software e informática especializada em serviços para o Governo dos Estados Unidos, estudou em Haverford College, uma pequena e prestigiada universidade de artes liberais perto da sua cidade natal, Filadélfia.
Entretanto, obteve um JD - Juris Doctor (o grau académico mais comum para praticar Direito nos Estados Unidos) na Stanford Law School e um doutoramento em filosofia na Universidade Goethe, na Alemanha.
Sobre a sua própria carreira, Alex Karp contou que se lembrava de pensar: "Não sei quem me vai dar o meu primeiro emprego".
Se és o tipo de pessoa que teria ido para Yale, clássico QI elevado, e tens conhecimentos generalizados, mas não específicos, estás tramado.
Disse o executivo, em novembro, numa entrevista à Axios, conforme citado pela revista Fortune.
Formação profissional sobrepõe-se aos graus universitários tradicionais
No ano passado, a Palantir lançou uma Meritocracy Fellowship, oferecendo a estudantes do ensino secundário um estágio remunerado com possibilidade de entrevista para um emprego a tempo inteiro após quatro meses.
No anúncio da oportunidade, a empresa ainda criticou as universidades americanas por "doutrinarem" os estudantes e terem admissões "opacas", que "deslocavam a meritocracia e a excelência".
Acho que precisamos de diferentes formas de testar a aptidão. No passado, a forma como testávamos a aptidão não revelava totalmente quão insubstituíveis eram os talentos dessa pessoa.
Disse Karp a Fink, mencionando um ex-polícia que frequentou um colégio comunitário e, agora, gere o sistema Maven do Exército dos Estados Unidos, uma ferramenta de IA da Palantir que processa imagens e vídeos de drones.
Em mais um exemplo, Karp falou dos técnicos que constroem baterias numa empresa de baterias, explicando que esses trabalhadores são "muito valiosos, se não insubstituíveis, porque podemos transformá-los rapidamente em algo diferente do que eram".
Segundo contou, a sua tarefa diária na empresa que lidera é "descobrir qual é a aptidão excecional de alguém".
Depois coloco-o nessa área e tento mantê-lo nela, e não nas outras cinco coisas em que acha que é excelente.
Assim, na sua opinião, "haverá mais do que empregos suficientes para os cidadãos do vosso país, especialmente para aqueles com formação profissional".
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trabalhei em comunicação, marketing, área comercial, informática durante muitos anos e nunca ganhei tanto como agora que sou formador. creio que as competências humanas e softskills que adquiri ao longo do tempo fazem imensa diferença no que a lidar com pessoas diz respeito… agora pensem!