Cibersegurança: o maior risco pode estar nos seus fornecedores
Durante muitos anos, a cibersegurança centrou-se na proteção do perímetro das organizações. Firewalls, antivírus e sistemas de deteção de intrusões eram considerados suficientes para proteger os ativos digitais. No entanto, a realidade mudou.

Hoje, as empresas dependem de dezenas ou centenas de fornecedores, plataformas cloud, serviços SaaS, parceiros tecnológicos e cadeias logísticas digitais. Esta interligação faz com que um incidente de segurança numa entidade externa possa rapidamente transformar-se num problema interno.
Segundo uma análise da Art Resilia, a resiliência da cadeia de fornecimento (Supply Chain Resilience) tornou-se um dos pilares da cibersegurança moderna, uma vez que os ataques exploram cada vez mais dependências entre organizações, em vez de procurarem vulnerabilidades apenas no alvo principal.
O setor marítimo mostra bem o problema
O setor marítimo é um exemplo claro desta realidade. Portos, operadores logísticos e empresas de transporte dependem de um vasto ecossistema de sistemas informáticos, fornecedores e infraestruturas públicas.
Ataques DDoS direcionados a portos europeus demonstraram que até incidentes que não resultam em roubo de informação podem comprometer operações críticas e afetar cadeias de abastecimento inteiras. Estes episódios evidenciam que a infraestrutura digital passou também a ser um alvo de pressão geopolítica.

Cumprir normas já não chega
Regulamentos como a NIS2, DORA ou eIDAS obrigam as organizações a reforçar a segurança, mas cumprir os requisitos legais é apenas uma parte do desafio. O verdadeiro objetivo passa por conhecer todas as dependências críticas da organização:
- Que fornecedores são essenciais para o funcionamento diário?
- Que plataformas cloud suportam serviços críticos?
- Que sistemas externos podem interromper a atividade caso falhem?
- Como monitorizar continuamente os riscos associados a terceiros?
Sem esta visibilidade, um fornecedor aparentemente secundário pode transformar-se no elo mais fraco de toda a cadeia.
O que significa soberania digital?
Outro conceito que está a ganhar cada vez mais relevância é o da soberania digital. Ao contrário do que se possa pensar, não significa isolar infraestruturas ou abandonar fornecedores internacionais. O objetivo passa por garantir que as organizações mantêm controlo sobre os seus dados, identidades digitais, certificados, acessos e infraestruturas críticas.
A União Europeia tem vindo a reforçar esta estratégia através de iniciativas relacionadas com certificação, identidade digital e requisitos de confiança para serviços essenciais, procurando reduzir dependências críticas e aumentar a autonomia tecnológica europeia.

A abordagem tradicional consistia em responder aos incidentes depois de estes acontecerem. Hoje, a tendência aponta para uma estratégia muito mais proativa:
- identificar vulnerabilidades antes de serem exploradas;
- testar continuamente a postura de segurança;
- monitorizar alterações no ecossistema tecnológico;
- avaliar riscos associados a fornecedores e parceiros;
- combinar capacidades ofensivas e defensivas para validar a resiliência da organização.
Num cenário onde a continuidade do negócio depende cada vez mais de terceiros, proteger apenas a infraestrutura interna deixou de ser suficiente.
A verdadeira ciber-resiliência passa por conhecer toda a cadeia de dependências digitais e garantir que os riscos são identificados antes de se transformarem em incidentes.




















E o risco de segurança estatal?
No ambiente empresarial português, a cibersegurança é sempre o parente pobre das organizações.
Talvez nas pequenas
Sim… e o Governo vai ajudar as empresas a pagar proteções de DDoS? Corero Smart? Radware? Arbor? Riorey? Voxility? Pois…
É aquela velha lenga lenga “implementem! É preciso! É necessário”. Ok tudo bem. No final quem é que paga esses custos todos?
Só um desses pode custar mais de 10000€ e outros 50.000€ pelo equipamento e uma taxa anual de 10.000€ para futuras actualizações….
Pagar já fogem. Dizer para implementar e tentar “obrigar” é fácil. Difícil é pagar por esses números especialmente micro-empresas e pequenas empresas…
Se é possível? É. Mas com muita dificuldade… Eu pergunto esses protocolos todos que existem de ciberseguranca como vão implementar sem pagar? Por acaso adoraria saber…
E já agora quanto pensam que as empresas vão pagar a empresas de ciberseguranca ou um engenheiro de rede? Um salário mínimo? Um salário acima da média?
Compreendo a ideia de propagar melhorias na segurança e até concordo mas sem grandes apoios, de nada serve…
Isso é de uma estupidez de todo o tamanho, se querem proteger protejam na porta de entrada nos cores dos isps. Se bloquearem a passagem de malware nos isp o que vai acontecer? Deixam de vender soluções de ciberseguranca? Olhem a china ninguém lá entra.