Nestlé anunciou que vai despedir 16.000 funcionários e a culpa é da tecnologia
Indo ao encontro de um cenário que temos conhecido na indústria tecnológica, a Nestlé, do setor alimentar, anunciou que vai dispensar 16.000 funcionários. A culpa deste largo despedimento poderá ser da tecnologia, especificamente da automatização dos processos.
Recentemente, a Nestlé anunciou o despedimento de 16.000 funcionários, cerca de 6% do total da sua força de trabalho, em todo o mundo, numa decisão que afetará especialmente os chamados empregos de "colarinho branco".
A decisão, que gerou incerteza globalmente, visa simplificar a organização e automatizar funções administrativas, num passo surpreendente, por estar a ser dado por uma empresa alimentar e não tecnológica.
Além disso, o anúncio foi feito na sequência da apresentação de resultados da empresa, que mostram um crescimento nas suas receitas e vendas ao longo de 2025.
Conforme explicado pelo diretor-executivo da empresa, Philipp Navratil, numa publicação no LinkedIn, a empresa vai apostar em automatizar e digitalizar os seus processos, no âmbito de um plano de redução de custos impulsionado pela nova direção da empresa.
Tecnologia mudou paradigma do emprego
Este anúncio da Nestlé reforça uma tendência que temos vindo a acompanhar, nos últimos anos: os despedimentos já não resultam apenas de problemas económicos.
Quando uma empresa anunciava despedimentos, estes estavam normalmente associados a uma situação económica pouco favorável. No entanto, à semelhança de várias empresas tecnológicas, como a Amazon, a Google ou a Microsoft, os despedimentos e as finanças já não estão necessariamente relacionados.
No caso da Nestlé, a empresa registou um crescimento orgânico das vendas de 3,3% nos primeiros nove meses de 2025, consolidando os seus números em diferentes mercados globais.
Por isso, o principal argumento para os despedimentos não foram as finanças, mas a otimização, por via da qual a empresa vai apostar na simplificação da organização e na automatização dos processos, quando necessário.
Contexto da Nestlé em Portugal
Atualmente, em Portugal, a Nestlé emprega 2542 colaboradores, distribuídos por duas fábricas: uma de cafés torrados, no Porto, e outra de produtos à base de cereais, em Avanca, Estarreja. Além disso, possui uma sede, em Linda-a-Velha, no concelho de Oeiras, um centro de distribuição, em Avanca, e cinco delegações comerciais espalhadas pelo continente e pelas ilhas.
A Nestlé Portugal integra o grupo suíço e está presente no mercado de alimentação em diversas áreas de negócio, como a nutrição infantil, os cereais, a nutrição clínica ou os cafés.
A subsidiária portuguesa é responsável pela produção e comercialização de mais de 90 marcas no país, nomeadamente a Cerelac, Nestum, Mokambo, Buondi ou Tofa.























Á uns anos atrás fui convidado para gerir o departamento de informática de um dos maiores sindicatos deste país e aceitei o projecto.
Acontece que com a automatização dos processos administrativos e aposta na tecnologia, veio determinar que este sindicato ficou momentaneamente com funcionários sem terem nada para fazer.
anestesia caso levantou problemas na administração que por cómico impuseram que repusesse tudo novamente porque o sindicato não pode despedir todas aquelas pessoas que ainda era substancial.
Em conclusão, assim o fiz, e, no dia seguinte apresentei a minha demissão.
Pergunto-lhe, era favorável ao despedimento das pessoas porque iriam ser substituídas pela tecnologia?
Se assim for, discordo a 1000%.
O que a tecnologia devia ter proporcionado, era uma restruturação da empresa devida á otimização dos processos proporcionando melhor qualidade de trabalho a todos.
Por exemplo, trabalharem menos horas, mas sem perda de rendimento, isso sim era uma tecnologia benéfica para o Humano.
Sei que isto é uma ilusão, mas era o que eu gostava que acontecesse.
Caro Evo,
Não era favorável ao despedimento. Nesse ponto, concordei com a administração do sindicato. Pessoalmente, sempre defendi que as pessoas deviam ser encaminhadas para outros sindicatos associados ou, quando possível, reconvertidas em novas funções.
Já antes tinha passado por um processo semelhante. Em 2000 entrei para o Casino Estoril com a missão de informatizar toda a área administrativa, financeira, de recursos humanos, comercial e jurídica, enfim, todos os departamentos que compõem aquela casa, em simultâneo com um projeto idêntico no Hotel Estoril Sol.
Foi um período de enorme desafio, coincidindo com o bug do ano 2000 que deves estar recordado e, ao mesmo tempo, com a migração do sistema financeiro do Escudo para o Euro (outra dor de cabeça).
Desenhei e implementei todo o departamento de informática, o que levou à contratação de novos técnicos, mas também ao despedimento de muitos outros que vinham de uma informática demasiado antiga. Uns saíram, outros foram integrados noutros departamentos.
Esse processo provocou naturalmente a extinção de vários postos de trabalho, consequência inevitável do atraso tecnológico que existia.
O Hotel Estoril Sol acabou por ser extinto e o edifício demolido, como deves recordar.
O Casino Estoril centralizou então todos os departamentos e a administração num único edifício, com ligação e automatização de toda a informação num sistema unificado.
Essa evolução também eliminou certas funções que tinham deixado de fazer sentido.
Por exemplo, antes do email interno, havia funcionários que passavam o dia a entregar envelopes e documentos em mão para assinatura.
Outras empresas externas que faziam o transporte de tapes e material gráfico também deixaram de ser necessárias, pois tudo passou a ser feito internamente e de forma digital.
Isso levou também á extinção de postos de trabalho, e sei que algumas empresas externas foram extintas porque serviam em exclusivo o Casino Estoril.
Claro que não arranjei muitos amigos, como deves calcular 🙂
E aí a culpa é da má interpretação de quem está a ver. Um director de informática, dirige, coordena e executa por onde a empresa tem de seguir.
Por vezes a forma como tratam depois os funcionários, se os integram ou dispensam-nos amigavelmente, isso é uma decisão da própria organização.
Já agora, qual é esse sindicato… ou pelo menos uma pista…
Prefiro não referir qual, por uma questão de reserva institucional.
Como sabes, os sindicatos têm orientações e associações políticas distintas. Uns tendem a posicionar-se mais à esquerda, outros têm uma visão mais próxima do setor empresarial, atuando de forma diferente conforme o seu enquadramento ideológico.
Ambos partilham da mesma dor que apresentei aqui. Portanto não é relevante identificar se é A ou B como deves compreender.
sindicato dos bancários, logicamente.
aproveitando a dica, os funcionários dos sindicatos são pior que FP, não fazem nenhum e têm regalias a mais.
esse mesmo sindicato depois entregou os cacos que esse sr. deixou a uma consultora com um contrato milionário
Ainda estão preocupados com os sindicatos… a maioria não contribui em nada para a relação entre o trabalhador e entidade patronal.
Alberto, o que não falta hoje em dia são pessoas a pretender automatizar qualquer coisa. O que esquecem é que, os que automatizam hoje, também serão automatizados amanhã.
Concordo em pleno contigo.
E, com essa ideia em mente, no meu caso em particular, em 2005 terminei o meu último emprego. Daí em diante lancei-me sozinho com o meu próprio negócio. O ir trabalhar para esse sindicato foi já como externo. Portanto a minha acção de finalizar a relação comercial não me pôs em cheque, porque obviamente tinha já outros projectos a decorrer com outros elementos.
Tens de concordar, que o progresso tem vindo a ser assim, e agora com a integração da inteligência artificial, o choque é ainda maior e mais rápido, o que vai impedir, a meu ver da hipótese das empresas conseguirem segurar os funcionários que ficaram com os seus postos de trabalho extintos nas suas organizações.
faz parte da logica evolutiva, qual o problema?
aqui não temos nada manual, apoiamo-nos em GitOps para trabalhar e todo o trabalho é assente em IaC, também todos os processos são automatizados, quando algo está num nivel de maturidade que as pessoas não são mais necessárias, as pessoas são convidadas a fazerem reconversão de skills, quem quer fica na empresa quem não quer pega no cheque dos anos de serviço e vai à sua vida. No final do dia todos ficam bem, felizmente já não existem empregos para a vida. Eu estou há mais de 10 anos na mesma empresa depois de ter passado por umas 10 no espaço de 15 anos, e já começo a ponderar que já estou a acomodar-me demasiado, mesmo não sendo eu comodista
O modelo de negócio dos sindicatos não é altas tecnologias para substituir trabalho de pessoas. Um sindicato é um cartel de trabalhadores criado e organizado para vergar capitalistas. E isso faz-se com greves e com a maximização dos aderentes. Para isso, nada de mais cretino que substituir funcionários por tecnologias.
Consigo compreender e aceitar o teu ponto de vista. Não irei comentar sobre isso. Contudo, o objectivo destas entidades/organizações, não é (era) de perceberem que isto iria acabar por acontecer. A ideia proposta era minimizar custos e maior controlo com a centralização de todo o processo administrativo e funcional.
É apenas e só nesse ponto que me interessa e não a parte política. Por isso estou na Pplware a comentar e não num post do jornal Expresso ou outro.
Eu penso que esta administração na altura não percebeu a consequência evidente da automatização de toda uma organização em que eu já estou mais que “calejado” para preparar qualquer empresa que tenha este objectivo em mente.
Só o facto, vê bem isto, de centralizar as telecomunicações numa única central inteligente, assim como impressoras de rede, definindo quotas e permissões, foi uma quebra nas despesas mensais medonhas! 🙂
Estás a perceber o porquê, certo? Chamadas telefónicas que passaram a ser pré-autorizadas, e impressões justificadas. Mas isto não é apenas o cenário deste sindicato, é praticamente todo o tecido empresarial, sem excepção.
Daí a importância do controlo de informação, centralização e automatização. Eu defendo este princípio com “unhas e dentes”. Concordas comigo?
um comuna a criticar sindicatos, agora já vi tudo
Devias ir para a Alemanha ou UK ver o que é um sindicato a sério.
Trabalhem trabalhem que o patrão tem de comprar outro Porsche.
A culpa não é da tecnologia mas sim, conforme é referido no texto, “apostar em automatizar e digitalizar os seus processos, no âmbito de um plano de redução de custos impulsionado pela nova direção da empresa”. Ou seja, existe a clara intenção de reduzir os custos e aumentar os lucros para empresa, administradores e investidores.
Não é esse o objetivo de uma empresa comercial? Reduzir os custos, aumentar as receitas? Especialmente as que têm accionistas… Os accionistas investem o seu capital, e querem retorno, e um bom gestor, é aquele que consegue dar mais retorno.
E eu a pensar que a trabalhar é que se criava riqueza e se fazia bom dinheiro! fomos todos enganados.
Com o trabalho dos outros. Ninguém fica rico a trabalhar, mas sim com o trabalho dos outros. O dia só tem 24 horas…
É porque é que eles não dizem já isso? Quase toda a gente sabe que as empresas é os capitalistas. E que eles estão lá para fazer o máximo de proveitos para eles com o mínimo de postos de trabalho para os outros. Gastando o mínimo possível em salários. O salário que interessa ao capitalista é sempre o mais baixo dos salários possíveis. Mas interessa-lhes manter na ignorância o maior número de pessoas possível.
E é preciso dizer? Só quem entende zero de economia é que não sabe como funciona uma empresa cotada em bolsa.
Se toda a gente for despedida…. A quem é que a empresa vende os seus bens?
Não adianta explicar isso. Ao capitalista compensa sempre mais não te pagar de todo do que pagar-te para tu lhe comprares. Pagando para comprares ele vai recuperar parte, mas nunca os 100%. Não te pagando, ele poupa 100%.
tudo certo,desde que no fim das contas não me chamem para pagar insolvencias,tá bom
AO é assim a industria, abre-se uma porta fecha se outra…
A tecnologia roubar trabalhos mas tambem cria novos postos de trabalhos.
Empresas que recussem se modernizar e se tornar mais eficientes, o que vai acontecer é que vao desaparecer.
Vai aparecer uma empresa alatamente eficiente e com um automatização de processos melhor que entrega muito por um preço baixo e a empresa que preferiu ficar no seculo passado vai DESPERIR todos os funcionarios porque FALIU,
Depois vem para o mercado do trabalho trabalhadores que nao acopanharam a evolução e sem background vao desempenhar funcoes basicas porque o mercado de trabalho evoluio e eles nao…
conclusao: vao estar duplamente mal no fim do dia, desempregados e atrasados no conhecimento moderno para poder competir no mercado de trabalho moderno.
E quando a empresa quiser vender 800000 milhões de euros, da produção anual, não há clientes, para 2000 milhões, pois não podem pagar, 1% do PvP.
Olhe para as nossas Sapateiras… 4302 já encerraram portas, quando, em 2019, vendiam 263000 milhões, em calçado, para o estrangeiro. O que mudou? Muitas só tinham funcionários, para fiscalizar o resultado final, tiveram lucros de 500000%, durante 7-8 anos. Só que, menos clientes, menos vendas, acabaram por fechar, dispensando 18720 funcionários.
Pensava de a culpa era do CEO ser facista como no caso da tesla
lol.. curiosamente não estás muito longe da realidade
Robots não comem Nestum.
e não se fala na cena da água da nestle?
A culpa é dos sindicatos. Segundo alguem aqui deste forum. São eles os culpados de todo o mal que veio á terra. Bons são os liberais que agora têm mais uns milhões para uns Porsches e uns iates.
Mas no fim os sindicatos é que passam os chrques sabiam?
O pessoal prefere colacao.
A Nestlé (assim como outras), está a aglutinar, a parte administrativa de 60 fábricas, numa só unidade. Graças a isso, é que vão dispensar, o pessoal administrativo. Mas, há mais, quase 11000 são vendedores (e podem subir aos 50000, até ao final de 2027), pois, a empresa, vai apostar, nas vendas online, com uma equipa reduzida, para cada mercado, em que os clientes, usam o serviço online, para as encomendas e, as entregas, são feitas por estafetas, em vez de serem funcionários, da empresa.
para podermos estar em casa sem fazer nada os processos têm de ser automatizados e os empregos ir desaparecendo.
não é isso que queremos?
É natural, tudo o que a tecnologia permitir, as últimas a IA e robótica, para eliminar postos de trabalho, principalmente com grandes vencimentos, será usado pelas empresas. O capitalismo é isto.
Exato, é é isso que vai levar a um futuro onde não tens de trabalhar e tens tudo.
Nessa utopia que você descreve só se for estado a subsidiar os cidadãos. Os lucros das empresas é para pagar esses investimentos e para os acionistas. Não acredito.
Sim, imagino esse futuro, 100 trilionarios sentados em cima de barras de ouro, cheios de robots, e o resto da população na miséria.
Deve ser assim que um comunista imagina o livre mercado
Qual é a sua lógica? Você não trabalha e as empresas dão-lhe os produtos? Não consigo entender. O comunista aqui parece que é você, vive utopias.