Como este visionário quer colocar o petróleo na blockchain com o token LITRO
Imagine comprar e vender petróleo como se fosse dinheiro digital, a qualquer hora, sem burocracia nem atrasos… É mais ou menos este o objetivo do token LITRO, que procurará transformar o petróleo em dinheiro digital.
O petróleo é das mercadorias mais valiosas do mundo, influenciando praticamente toda a economia global. Os recentes conflitos recordaram o mundo da relevância deste ouro negro, com o preço por barril a causar instabilidade nos mercados financeiros.
Apesar da sua influência, o comércio global de petróleo continua arcaico: dominado por bolsas tradicionais, processos burocráticos extensos e barreiras de entrada elevadas, que afastam todos os participantes que não sejam os maiores investidores.
A tentar revolucionar este cenário está Baron Lamarre, cofundador da International Digital Exchange (INDEX) e identificado como antigo chefe de trading na Petronas, uma empresa estatal da Malásia de petróleo e gás.
Trazer o petróleo para o século XXI
Por forma a modernizar o ouro negro, Baron Lamarre pretende colocar o petróleo na blockchain, com cada token LITRO a representar um litro de petróleo bruto real.
O valor do token deverá ser indexado a referências globais populares, como o Brent, referência europeia, e o West Texas Intermediate (WTI), referência norte-americana.
A testnet e a demonstração do produto do LITRO irão decorrer entre março e maio de 2026, com lançamento oficial em janeiro de 2027.
Anunciou Lamarre, numa entrevista à CoinDesk, na qual explicou que o projeto se distingue pela ambição de permanecer estritamente ligado ao mundo real.
Atualmente, o mercado mais amplo de ativos digitais inclui tokens especulativos, com pouca ligação à economia real. Segundo a CoinDesk, mesmo o mercado emergente de Real World Assets (RWA), que se estima estar avaliado em mais de 25 mil milhões de dólares atualmente, é predominantemente impulsionado pela tokenização de instrumentos financeiros, como obrigações do governo.
Neste cenário, o projeto de Baron Lamarre foi especificamente desenhado para modernizar o que ele descreve como sistemas obsoletos e baseados em papel de um mercado global de seis biliões de dólares (em inglês, $6 trillion).
Conforme citado, negócios tradicionais de commodities arrastam-se frequentemente por longas cadeias de fornecimento que envolvem várias entidades, atrasando liquidações e bloqueando milhares de milhões em capital.
Dominado por bolsas tradicionais como a Chicago Mercantile Exchange (CME) e a Intercontinental Exchange (ICE), deixa frequentemente pequenos e médios investidores de fora, devido aos elevados requisitos de capital e à falta de acesso direto.
A tokenização do petróleo pretende resolver isto ao sobrepor reservas digitais verificadas na blockchain, prometendo negociação mais rápida, acessível e transparente.
Conforme explicado pela CoinDesk, eis como funciona:
- Os produtores de petróleo garantem as suas reservas certificadas na plataforma INDEX.
- Essas reservas são rigorosamente verificadas por auditores independentes quanto à quantidade, autenticidade e propriedade do petróleo antes de qualquer emissão de tokens LITRO.
- Enquanto o petróleo físico permanece seguro na instalação do produtor, o título legal desse petróleo é digitalmente atribuído ao sistema INDEX.
Segundo Lamarre, “apenas reservas auditadas e verificadas podem ser tokenizadas”, acrescentando que o projeto está a ser construído na Arbitrum, uma solução de escalabilidade da Ethereum, mantendo compatibilidade com qualquer blockchain compatível com Ethereum Virtual Machine (EVM).

Detentores de tokes LITRO poderiam deter petróleo físico, em teoria
Este ativo digital será atrativo, especialmente devido à liquidez 24/7 da LITRO e a promessa de resgate direto, ou seja, os detentores de tokens LITRO podem resgatá-los por dinheiro ou, em teoria, receber uma entrega física de petróleo bruto – pelo menos, “o resgate para petróleo físico faz parte do design”, de acordo com Lamarre.
A plataforma dispõe de um sofisticado “sistema inteligente de gestão logística”, projetado para combinar os tipos de petróleo, organizar navios e terminais, emitir guias e certificados de transporte, e coordenar a entrega.
Ou seja, os detentores de tokens poderiam assumir a propriedade física dos barris que possuem digitalmente.
Apesar de ambicioso, o projeto ainda está na sua fase inicial: segundo Lamarre, a INDEX está atualmente em negociações com o Capital Union Bank para se juntar como parceiro bancário, e outros acordos com investidores e parceiros devem ser finalizados assim que o Minimum Viable Product (MVP1) for concluído, no final de março de 2026.




















