WASP-121 b: Planeta estranho, ultraquente e com duas caudas surpreende os cientistas
O WASP-121 b é um exoplaneta do tipo “Júpiter ultraquente”, localizado a cerca de 880 anos-luz de distância. A radiação da sua estrela está a retirar gradualmente a atmosfera do planeta. Este mundo escaldante apresenta duas enormes caudas de gás hélio que se estendem por mais de metade da órbita do planeta.
Os cientistas não têm a certeza de porque existem duas caudas em vez da habitual cauda única observada neste tipo de planetas. No entanto, suspeitam que estejam envolvidos tanto os ventos estelares como as forças gravitacionais da estrela.
O planeta de duas caudas
O WASP-121 b, um exoplaneta gigante gasoso a cerca de 880 anos-luz de distância, orbita extremamente perto da sua estrela. Isso significa que a intensa radiação estelar atinge violentamente a atmosfera do planeta.
Como resultado, alguns dos gases mais leves da atmosfera escapam para o espaço, formando uma cauda semelhante à de um cometa.
Investigadores do Canadá e da Suíça monitorizaram recentemente esta atmosfera em fuga utilizando o Telescópio Espacial James Webb e encontraram algo surpreendente.
No dia 8 de dezembro de 2025, anunciaram que o planeta não tem apenas uma, mas duas caudas de gás hélio que se estendem ao longo da maior parte da órbita do planeta em torno da sua estrela.
Os astrónomos já tinham observado caudas planetárias únicas, mas nunca em pares. Além disso, esta é a primeira vez que uma cauda foi observada ao longo de uma órbita completa de um planeta.
O WASP-121 b pertence à categoria dos chamados Júpiteres ultraquentes. É um gigante gasoso, semelhante a Júpiter, e encontra-se extremamente aquecido devido à proximidade à sua estrela.
Por orbitar tão perto, o seu ano dura apenas 30 dias. Os astrónomos apelidaram-no de “exoplaneta de metais pesados”, uma vez que a sua atmosfera quente contém também magnésio e ferro.
Os investigadores publicaram os detalhes revistos por pares da descoberta na revista Nature Communications, a 8 de dezembro de 2025.

Conceito artístico do WASP-121b, que orbita tão perto da sua estrela e é tão quente que os gases de metais pesados na sua atmosfera estão a escapar para o espaço. Imagem via Engine House VFX/At-Bristol Science Centre/University of Exeter/JPL.
Enormes caudas de hélio
No WASP-121 b, a radiação da estrela está a remover gradualmente gases mais leves, como o hélio e o hidrogénio, da atmosfera. Este processo forma a cauda planetária. Contudo, o WASP-121 b apresenta duas caudas, e não apenas uma.
Estas estendem-se a partir de lados opostos do planeta e seguem o percurso orbital em torno da estrela. As caudas são enormes, envolvendo cerca de 60% da órbita do planeta, como um grande anel parcial.
A cauda dianteira curva-se à frente do planeta e a cauda traseira afasta-se na direção oposta. Ambas são compostas por partículas de hélio. O comprimento total das caudas ultrapassa 100 vezes o diâmetro do WASP-121 b.
Romain Allart é investigador pós-doutorado e autor principal do estudo na Universidade de Montreal e no Trottier Institute for Research on Exoplanets.
Ficámos incrivelmente surpreendidos ao ver durante quanto tempo durou o fluxo de hélio. Esta descoberta revela os complexos processos físicos que moldam as atmosferas dos exoplanetas e a forma como interagem com o seu ambiente estelar.
Estamos apenas a começar a descobrir a verdadeira complexidade destes mundos.
Afirmou Romain Allart.
O que explica este planeta de duas caudas?
Os astrónomos já observaram caudas planetárias únicas, mas nunca um planeta com duas caudas. Como se formaram estas estruturas?
Segundo os investigadores, tanto o vento estelar da estrela como as forças gravitacionais deverão estar envolvidos. No entanto, serão necessárias novas simulações tridimensionais para compreender plenamente os processos em causa.
Isto é verdadeiramente um ponto de viragem. Temos agora de repensar a forma como simulamos a perda de massa atmosférica, não apenas como um fluxo simples, mas com uma geometria 3D a interagir com a estrela.
Isto é fundamental para compreender como os planetas evoluem e se gigantes gasosos podem transformar-se em mundos rochosos expostos.
Explicou Allart.

WASP-121b é um tipo de exoplaneta chamado Júpiter quente, como HD 209458b (conceito artístico). Imagem via NASA/ESA/G. Bacon (STScI)/N. Madhusudhan (UC).
Novas pistas sobre a evolução planetária
A possibilidade de observar o planeta de duas caudas WASP-121 b fornece aos astrónomos novas pistas sobre a forma como os planetas se formam e evoluem.
O facto de um planeta manter ou perder a sua atmosfera ao longo do tempo tem implicações profundas no tipo de planeta em que se transforma.
Pode permanecer um gigante gasoso, encolher até um tamanho semelhante a Neptuno ou sub-Neptuno, ou perder toda a sua atmosfera primordial de hidrogénio e tornar-se um mundo rochoso.
O hélio, como observado no WASP-121 b, é um dos mais eficazes indicadores da fuga atmosférica. Por isso, este planeta torna-se um alvo ideal para estudar este processo em tempo real.
Os astrónomos irão também utilizar o telescópio Webb para determinar quão raras são estas caudas duplas.
Em resumo: o WASP-121 b é um planeta escaldante com duas caudas. O gás hélio está a escapar da sua atmosfera e a formar duas enormes caudas ao longo da sua órbita.






















Isto sim, é o aquecimento global.
Aquecimento não, ebulição…