Vai fotografar o eclipse solar? Cuidado com a câmara do smartphone
O eclipse solar de 12 de agosto de 2026 promete ser um dos acontecimentos astronómicos mais importantes das últimas décadas na Europa. Milhões de pessoas irão apontar o smartphone ao céu para registar o momento, mas há um problema que muitos desconhecem: fotografar diretamente o Sol de forma incorreta pode danificar permanentemente o sensor da câmara.
Embora os smartphones atuais sejam muito resistentes, existem algumas regras simples que devem ser seguidas para conseguir boas fotografias sem colocar o equipamento em risco.
Eclipse solar: o maior perigo é usar zoom durante demasiado tempo
Ao contrário do que muitos pensam, tirar uma fotografia rápida ao Sol com a câmara principal do smartphone dificilmente causará danos.
O problema surge quando:
- utiliza a objetiva telefoto (zoom ótico);
- recorre a lentes externas de ampliação;
- grava vídeo durante vários minutos;
- mantém a câmara apontada continuamente para o Sol.
Nestes casos, a luz solar fica muito mais concentrada sobre o sensor, podendo provocar sobreaquecimento e danos irreversíveis nos píxeis.
Um filtro solar é praticamente obrigatório
Tal como os seus olhos precisam de proteção, também a câmara do smartphone deve estar protegida.
A melhor solução passa por utilizar um filtro solar específico para fotografia de eclipses.
Caso não tenha um, existe uma alternativa simples:
- colocar umas óculos para eclipse certificados (ISO 12312-2) à frente da objetiva.
Algumas pessoas chegam mesmo a cortar uma das lentes dos óculos e fixá-la temporariamente sobre a câmara para reduzir a intensidade da luz solar. Embora seja uma solução improvisada, é bastante mais segura do que fotografar diretamente o Sol sem qualquer proteção.

Os óculos para observação de eclipses cumprem a norma internacional ISO 12312-2:2015, que estabelece os requisitos de segurança para filtros destinados à observação direta do Sol. Estes filtros bloqueiam praticamente toda a radiação ultravioleta (UV) e infravermelha (IV), além de reduzirem a luz visível para um nível seguro, protegendo a retina de danos permanentes durante a observação de um eclipse solar.
O zoom digital pode ser o seu melhor aliado
Curiosamente, para este tipo de fotografia, o zoom digital pode ser mais seguro do que o zoom ótico.
O motivo é simples, o zoom digital apenas amplia a imagem por software, sem concentrar mais luz no sensor.
Já a objetiva telefoto utiliza elementos óticos que focam uma quantidade muito superior de energia solar na câmara.
Se o objetivo for apenas obter uma recordação do eclipse, utilizar a câmara principal e fazer posteriormente um corte na fotografia poderá produzir melhores resultados do que recorrer ao teleobjetivo durante muito tempo.
Algumas dicas para conseguir melhores fotografias
Além da proteção, existem alguns truques que fazem diferença.
Os especialistas aconselham:
- limpar previamente a lente;
- utilizar um tripé ou apoiar o telemóvel;
- ativar o temporizador para evitar vibrações;
- bloquear a focagem no Sol antes de fotografar;
- reduzir manualmente a exposição, caso a aplicação da câmara o permita;
- captar também a paisagem, pessoas e o ambiente em redor, em vez de tentar apenas aproximar o Sol.
Na realidade, muitas das fotografias mais impressionantes de eclipses mostram o ambiente escurecido, as sombras invulgares e a reação das pessoas, e não apenas o disco solar.
Nunca olhe para o Sol através da câmara sem proteção
Existe ainda outro risco pouco conhecido. Mesmo que o smartphone não sofra danos, olhar diretamente para o Sol enquanto enquadra a fotografia pode causar lesões graves na retina.
As autoridades e especialistas recomendam utilizar exclusivamente óculos certificados com a norma ISO 12312-2 durante todas as fases parciais do eclipse. Óculos de sol comuns, radiografias, vidros fumados ou outros métodos caseiros não oferecem proteção suficiente.
O melhor equipamento continua a ser... o próprio momento
Os smartphones conseguem hoje captar imagens surpreendentes, mas nenhum deles consegue reproduzir toda a beleza de um eclipse total.
Por isso, muitos astrónomos deixam uma recomendação simples: faça algumas fotografias, mas não passe todo o fenómeno a olhar para o ecrã. A memória desse momento poderá acabar por ser muito mais marcante do que qualquer fotografia.





















Como comprei um pacote de 12 óculos que trazia duas datas, 12/08/2026 e 02/08/2027 (e 26/01/2028), perguntei ao Gemini:
R: “Sim, eles são muito semelhantes em termos de relevância e proximidade geográfica, mas têm dinâmicas de observação completamente diferentes.
Ambos fazem parte de um fenómeno astronómico raríssimo: a Península Ibérica será o palco de dois eclipses solares totais consecutivos (em 2026 e 2027) e de um eclipse anular logo a seguir (em janeiro de 2028).
Aqui está o que os une e o que os separa:
O que têm em comum?
• São Eclipses Totais: Em ambos os eventos, a Lua cobrirá 100% do disco solar para quem estiver na faixa de totalidade.
• Passam pela Península Ibérica: Ambos cruzam o território espanhol e são visíveis como parciais em todo o território de Portugal Continental e Ilhas.
As grandes diferenças (Resumo rápido)
1. A Trajetória (Onde ver a totalidade)
• 12/08/2026: Corta a metade norte de Espanha (da Galiza a Aragão/Baleares). Passa também por uma pequeníssima faixa no extremo nordeste de Portugal (na zona de Bragança, muito rente à fronteira).
• 02/08/2027: Corta o extremo sul de Espanha (Andaluzia, como Cádis e Málaga), cruza o Estreito de Gibraltar e segue pelo Norte de África (Marrocos, Argélia, Egito). Portugal verá apenas como eclipse parcial (cerca de 80% a 90% de obscuridade no Algarve).
2. A Duração da Totalidade
• 12/08/2026: Será uma totalidade curta. Na maioria dos locais em Espanha, o dia vai virar noite por apenas 1 a 2 minutos.
• 02/08/2027: Será uma totalidade extremamente longa. É considerado o “Eclipse do Século” porque no Egito a totalidade vai durar 6 minutos e 23 segundos (a maior duração em terra até ao ano de 2114). Mesmo no sul de Espanha, passará dos 4 minutos.
3. A Posição do Sol no Céu
• 12/08/2026: Ocorre ao final da tarde, muito perto do pôr do sol (o sol estará a apenas 2° a 10° de altitude no horizonte). Será visualmente espetacular (um eclipse “gigante” no horizonte), mas qualquer montanha ou prédio a oeste pode tapar a visão.
• 02/08/2027: Ocorre a meio da manhã / início da tarde. O Sol estará muito alto no céu, facilitando imenso a observação sem obstáculos físicos.
Se tiver de escolher um para viajar e garantir condições perfeitas, o de 2027 oferece mais tempo de escuridão e maior probabilidade de céu limpo (especialmente no Norte de África). Se preferir a proximidade, o de 2026 raspa a fronteira norte de Portugal.”
Óculos já tenho e para oferecer. Visão desimpedida, para o de 2026 logo se vê. Se sobrarem ficam para 2027. 🙂
Então o Sol fica tapado pela Lua e mesmo assim mete medo aos smartphones?