Quase 50% da poluição por microplásticos provém dos automóveis. Porquê?
Com o passar dos anos e a acumulação de quilómetros, os pneus do seu automóvel sofrem um desgaste natural que obriga à sua substituição. Contudo, alguma vez se questionou sobre o paradeiro deste material? A resposta é alarmante: grande parte transforma-se em microplásticos que acabam nos nossos cursos de água.
O impacto tóxico dos pneus nos ecossistemas aquáticos
Estudos recentes indicam que as partículas de desgaste de pneus (PDP) são responsáveis por cerca de 45% de todos os microplásticos encontrados tanto em ecossistemas terrestres como aquáticos. O processo é simples: a fricção dos pneus com o asfalto liberta estas partículas, que são posteriormente arrastadas pela chuva para valas, riachos, rios e, finalmente, para os oceanos.
Uma vez nos cursos de água, estas partículas entram na cadeia alimentar. Organismos como peixes, caranguejos e ostras ingerem-nas juntamente com o seu alimento. Com cada partícula, consomem também químicos altamente tóxicos que afetam não só a sua saúde, mas também a de qualquer predador que os venha a consumir.
O impacto é tão severo que certas espécies, como a truta-arco-íris e o salmão-prateado, estão a morrer devido a compostos químicos diretamente associados ao desgaste dos pneus. Um estudo de 2020 revelou um dado chocante: mais de metade dos salmões-prateados que regressavam aos rios do estado de Washington, nos EUA, morriam antes de conseguirem desovar.
A principal causa foi identificada como sendo a 6PPD-quinona, um subproduto do 6PPD, um antioxidante adicionado aos pneus para prevenir a sua degradação.
Riscos para a saúde humana
Os efeitos nefastos não se limitam à vida aquática. Os seres humanos e outros animais terrestres podem estar expostos a estas partículas através da inalação, especialmente quem vive ou trabalha perto de estradas com tráfego intenso.
Um estudo realizado na China detetou a presença da mesma 6PPD-quinona na urina de crianças e adultos. Embora os seus efeitos no corpo humano ainda estejam a ser investigados, pesquisas recentes sugerem que a exposição a este químico pode ser prejudicial para órgãos vitais como o fígado, os pulmões e os rins.
Face a esta ameaça, organizações como o Interstate Technology and Regulatory Council recomendaram a procura por alternativas ao 6PPD. No entanto, os fabricantes de pneus afirmam que ainda não existe um substituto viável que ofereça o mesmo nível de segurança e durabilidade.
Uma solução sustentável: biofiltros de resíduos agrícolas
Na Universidade do Mississippi, uma equipa de químicos ambientais está a explorar uma solução promissora e de baixo custo, recorrendo a resíduos agrícolas. A ideia consiste em capturar as partículas de desgaste dos pneus antes que estas cheguem aos ecossistemas aquáticos.
Num estudo recente, os investigadores testaram a eficácia de lascas de pinho e de biochar - um tipo de carvão vegetal produzido a partir do aquecimento de cascas de arroz num ambiente com oxigénio limitado (pirólise). Os resultados foram impressionantes: estes materiais conseguiram remover aproximadamente 90% das partículas de pneus da água da chuva nos locais de teste.
O biochar é um material conhecido pela sua capacidade de remover contaminantes da água, graças à sua vasta área de superfície, estrutura porosa e capacidade de adsorção. As lascas de madeira, por sua vez, também demonstraram ser eficazes devido à sua composição rica em compostos orgânicos naturais.
Esta abordagem tem um forte potencial para ser implementada em larga escala, oferecendo uma solução económica e ecológica. Uma vez que o biochar e as lascas de madeira podem ser produzidos a partir de resíduos agrícolas, são materiais acessíveis para a maioria das comunidades.
No entanto, são necessários estudos de monitorização a longo prazo, especialmente em áreas de tráfego intenso, para determinar a eficácia e a escalabilidade do sistema.
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E os outros 50%?
Aviões que todos usamos para as nossas viagens de influencer, cargueiros que atravessam o oceano para trazerem coisas que mandamos fazer do outro lado do mundo, poluição provocada por outros países com regras menos rígidas relativamente às questões ambientais que nós moralmente superiores e dizemos que somos todos verdes e enviamos para lá as nossas fábricas, e uma pequena percentagem os veículos de uso pessoal.
Isto para a poluição no geral.
Relativamente aos plásticos a culpa é tua, minha e de todos que usamos diariamente plásticos, tudo a nossa volta é plástico, que convenhamos grande parte não é reciclado e fica perdido numa espécie de void no planeta que aparentemente ninguém quer saber ou se preocupa.
No fundo, a nossa estupidez enquanto espécie que procura ter as coisas o mais barato possível sem pensar nas consequências para o ambiente é que está a rebentar com isto tudo.
Só aqui numa espécie de desabado, nisto é que o estado deveria meter o dedo, de criar mecanismos ou qualquer coisa que obrigasse as pessoas a reciclar ao invés de andar com as proibições com os carros.
No meu ver é mais urgente e essencial que todos reciclemos plásticos e abandonemos o seu uso do que propriamente o carrito que temos para ir às compras. Mas isto sou eu.
A reciclagem é uma burla. Já nos anos 90 se descobriu que a cámara de Gaia mandava separar o lixo para depois juntar tudo e chegar-lhe o fogo. A única solução para a poluição é não fazer compras, sobretudo de produtos com embalagem.
Lá porque a câmara de Gaia fazia isso, não quero dizer que a reciclagem seja uma burla. Nesse caso a câmara deveria ser multada no caso de fazer isso.
Mas concordo, as embalagens seja do que for deveriam ser de matérias biodegradáveis, no entanto, e até que se consiga chegar a esse ponto, a reciclagem é o melhor que temos para tratar os plásticos e não ficarem por aí e depois andarmos todos a meter microplástico dentro do corpo.
Voltando ao tema de Gaia, eu não sabia disso nem nunca tinha lido que eles tinham tal prática, no entanto, aplica-se a todas as autarquias, garantir que os plásticos e restantes ecopontos são reencaminhados para onde devem ser e fazerem a reciclagem corretamente e em caso de incumprimento multas pesadas.
Fusion, isso de multar identidades publicas é o mesmo que tu teres uma conta conjunta com a tua mulher e passares lhe uma multa!!
O dinheiro sai e entra ma mesma conta hahaha
E quando é multas da europa ou outro sitio!! é ainda melhor.
É o mesmo que tu pagares a multa com o dinhro do outros (contribuintes).
Achas que eu tinha medo de levar uma multa se fores tu a pagar??? nenhum problema.
As pessoas é que tem de ser responsablizadas e afastadas do Publico para o resto da vida.
Agora andar a pagar multas com o dinheiro dos outros é facil.
Lembram se dos micromachines? Descobri isso na garagem e tenho verao todo para me entreter, bueda nice!
Se me lembro! Tinha o jogo para a MegaDrive e também tinha os carros…
Eu ainda tenho o jogo na MegaDrive 2
Curiosamente o micromachine que tive era um pontiac firebird penso eu mas que saltou-lhe a roda quando brincava com ele num muro, já estava a descascar o pneu.
Tudo o que compramos no supermercado está carregado de glifosato. Isso não faz mal nenhum, desde que continue e garantir vidas de luxo para alguns.
O cerco à nossa independência na mobilidade é para persistir e apertar ainda mais.
Appsto que este “estudo” exclui a China e India.
Quem não gosta de comer micro plásticos evita comprar e usar automóveis.
Os carros elétricos são nocivos para a saúde e para a carteira.
E os a combustão são ainda mais novos. Duas vezes mais. A começar pelos pulmões
Não me digas que a extração da matéria-prima para as baterias e o seu transporte não polui?
A extracção, refinação e transporte de petróleo polui mais do dobro. Depois ainda é preciso desfazer-se dos óleos que são resíduos perigosos. Quem quer mobilidade limpa só tem uma opção: bicicleta. Ainda por cima é de borla. E se não houver quedas, nem roubos,nem furos nem corrente a sair só há uma coisa a perder – barriga.
Ah ah ah ah ah eu sempre disse que os sacos de plástico, nos quais eu separava o lixo, é que eram os maus da fita. Taxados, resolveram-me o problema da separação, vai tudo ao molho e Eles que separem, que eu já paguei a taxa.
As particulas emanadas pelos pneus são o pior veneno com q se pode conviver em meio urbano.
Pior só mesmo as cidades que admitem o estacionamento de navios cruzeiro.