Pode beber a água que ficou vários dias dentro do carro?
Esta é uma dúvida que não será só de uma pessoa. Até porque é normal, cada vez mais, as pessoas deixarem água nas garrafas dentro dos carros. Mas... será que se pode beber a água que ficou vários dias dentro do carro sem ficarmos doentes?
É um hábito comum deixar uma garrafa de água no porta-copos ou na porta do automóvel para beber mais tarde. Contudo, quando o carro fica estacionado ao sol, a temperatura no habitáculo pode subir rapidamente e alterar tanto a qualidade da água como as características da embalagem.
Mas será que beber essa água representa realmente um perigo para a saúde? A resposta depende sobretudo de dois fatores: se a garrafa já foi aberta e durante quanto tempo esteve exposta ao calor.
Dentro do carro, a temperatura sobe muito depressa
Um automóvel fechado e exposto ao sol comporta-se como uma pequena câmara térmica. A radiação solar atravessa os vidros e aquece o tablier, os bancos e as restantes superfícies. Estas libertam posteriormente calor, que fica retido no interior do veículo.
Num estudo publicado na revista científica Pediatrics, investigadores observaram que a temperatura no interior de um automóvel aumentou, em média, cerca de 22 °C numa hora. Aproximadamente 80% dessa subida aconteceu durante os primeiros 30 minutos. Deixar os vidros ligeiramente abertos teve pouco efeito no resultado (McLaren et al.).
Isto significa que, num dia de verão, uma garrafa esquecida no habitáculo pode ficar exposta repetidamente a temperaturas entre os 40 e os 60 °C, ou mesmo superiores, dependendo da sua localização.
O maior risco pode estar na sua própria boca
Numa garrafa ainda fechada e intacta, a água encontra-se protegida contra a contaminação exterior. A situação muda assim que a embalagem é aberta, sobretudo quando se bebe diretamente pelo gargalo.
O contacto com a boca introduz saliva, células, matéria orgânica e microrganismos. As mãos também podem contaminar a tampa e o gargalo. Embora a água tenha poucos nutrientes, estes resíduos fornecem condições mais favoráveis à sobrevivência e multiplicação microbiana.
O calor pode acelerar esse processo. Ainda assim, não é correto afirmar que qualquer garrafa aberta desenvolverá inevitavelmente bactérias perigosas em apenas algumas horas. Tudo depende dos microrganismos presentes, da temperatura atingida, do tempo de exposição e da quantidade de matéria orgânica introduzida.
O problema é que, depois de uma garrafa parcialmente consumida permanecer vários dias num carro quente, deixa de ser possível garantir a sua qualidade microbiológica. O risco merece atenção especial no caso de crianças, idosos, grávidas e pessoas com o sistema imunitário fragilizado.
O plástico liberta substâncias para a água?
A maioria das garrafas de água descartáveis é fabricada em tereftalato de polietileno, mais conhecido como PET. Quando este material é sujeito a temperaturas elevadas, pode aumentar a migração de determinadas substâncias para a água.
Uma das mais estudadas é o antimónio, utilizado como catalisador no fabrico do PET.
Uma investigação que analisou 66 garrafas armazenadas a temperaturas entre 24 e 50 °C verificou um aumento significativo da concentração de antimónio com o calor. A 50 °C, algumas amostras atingiram 6,11 microgramas por litro, embora tenham existido diferenças consideráveis entre marcas.
Outro estudo concluiu que os níveis de antimónio começaram a ultrapassar o valor de referência europeu de 5 microgramas por litro quando algumas garrafas foram mantidas a 60 °C durante duas semanas.
Estes resultados confirmam que o tempo e a temperatura influenciam a migração química. Não significam, contudo, que beber uma única vez água aquecida numa garrafa de plástico provoque uma intoxicação imediata.
Em condições consideradas normais, a exposição estimada ao antimónio tende a permanecer dentro dos limites de segurança. O problema está sobretudo no armazenamento prolongado ou repetido a temperaturas para as quais a embalagem não foi concebida.
E o BPA e os ftalatos?
É frequente ler-se que as garrafas de PET libertam BPA e ftalatos quando são aquecidas. Esta afirmação precisa de ser contextualizada.
O bisfenol A, ou BPA, é utilizado principalmente na produção de policarbonatos e de algumas resinas epóxi. Não é um componente necessário para fabricar PET. Da mesma forma, os ftalatos não fazem parte da formulação habitual deste material, apesar de a palavra “tereftalato” poder causar alguma confusão.
Isso não significa que a água engarrafada esteja totalmente livre de contaminantes. Algumas substâncias podem surgir devido às matérias-primas, ao processo de fabrico, à tampa, ao engarrafamento ou à contaminação ambiental.
No caso específico do PET, existem evidências mais sólidas sobre a migração de antimónio e de determinados aldeídos, como o acetaldeído e o formaldeído. A temperatura, o tempo de armazenamento, o tipo de bebida e as características da embalagem influenciam as quantidades libertadas.
O calor também aumenta os microplásticos?
Já foram identificados microplásticos e nanoplásticos na água engarrafada. A embalagem e a tampa podem ser algumas das fontes, mas não são necessariamente as únicas: as partículas também podem estar presentes na água antes do engarrafamento ou ser introduzidas durante o processo industrial.
O calor, a radiação solar e o desgaste mecânico contribuem para o envelhecimento dos polímeros. Ainda assim, não existem dados suficientes para determinar exatamente quantas partículas adicionais são libertadas por uma garrafa esquecida durante alguns dias dentro do carro.
Também não está demonstrado que as quantidades normalmente ingeridas através da água provoquem doenças específicas nos seres humanos.
A Organização Mundial da Saúde considera que os dados disponíveis continuam a ser insuficientes para estabelecer conclusões firmes, sobretudo em relação às partículas mais pequenas. A organização recomenda estudos mais rigorosos e métodos de análise normalizados.
Detetar microplásticos no organismo demonstra que houve exposição. Não prova, por si só, que essas partículas tenham provocado uma determinada doença.
Como reduzir o risco?
Existem alguns cuidados simples que ajudam a evitar o problema:
- Guarde as garrafas num local fresco, seco e protegido da luz solar.
- Não reutilize indefinidamente garrafas descartáveis de PET.
- Lave diariamente as garrafas reutilizáveis, incluindo a tampa, o gargalo e as juntas.
- Evite partilhar a mesma garrafa.
- Prefira recipientes reutilizáveis em aço inoxidável ou vidro.
- Não beba água com cheiro, sabor, turvação ou partículas anormais.
- Nunca deixe a garrafa exposta diretamente ao sol dentro do automóvel.
Afinal, pode ou não beber a água?
Se a garrafa estiver fechada, intacta e tiver permanecido pouco tempo no carro, é improvável que beber a água provoque uma intoxicação aguda. Ainda assim, o calor pode alterar o sabor, acelerar o envelhecimento da embalagem e aumentar a migração de alguns compostos.
Se a garrafa já tiver sido aberta, alguém tiver bebido diretamente pelo gargalo e tiver permanecido horas ou dias num carro quente, o mais prudente é deitar a água fora.
Não porque se transforme automaticamente num líquido tóxico, mas porque já não é possível garantir a sua qualidade microbiológica ou saber exatamente a que temperaturas esteve exposta.
























Comprem alguns Stanley (o Rolls-Royce dos termos) – há de vários tamanhos e formas.
Usem uma jarra de filtrar a água, apenas para tirar o sabor que a água da EPAL às vezes tem (a garantia de qualidade de 100%, não se justifica comprar água engarrafada, mas às vezes tem algum sabor).
Refresquem-na no frigorífico e ponham-na no Stanley.
E esqueçam os microplásticos e nanoplásticos, e os BPA e ftalatos das garrafas de PET.
Para o carro há uns com formato para encaixar no sítio do copo. (Também há imitações … mas são imitações).
Costumo levar dois Stanley para a praia, um grande com água para o pessoal (chateia-me quando lavam a cara com ela e depois dizem que se acabou) e outro que leva exatamente duas cervejas.
Comprei uma Stanley para levar para o trabalho e para o dia a dia e foi a melhor compra que fiz, ate se pode deixar a agua lá dentro de um dia para o outro que quando se for a beber outra vez não sabe a metal, e todas as garrafas que tive ao fim de algum tempo a agua ja sabia a ferrugem
No verão, beber água fresca ou à temperatura ambiente, quase água choca, faz muita diferença.
Em termos grandes, o melhor sistema deles é um em que a “rolha” tem duas fendas, que é preciso posicionar para verter a água para um copo – desenroscando parcialmente e voltando a enroscar. A maior parte das vezes esqueço-me de voltar a enroscar e água continua fresca 🙂 Como é que conseguem isto não sei.
No carro uso um, que encaixa no sítio do copo, com “flip” – um bico ligado a um tubo que vai até ao fundo do termo (têm outro em que se bebe diretamente pelo tubo). Como se bebe na vertical, não se inclina para beber como uma garrafa, não se tira os olhos da estrada. Também é uma boa aquisição.
Ninguém pense que está livre. As garrafas que se compram, andam em camiões quilómetros e quilómetros e ao sol e sendo batida nesses percursos.
E não só. Muitas vezes nos cais de descarga de supermercados, ficam as paletes ao sol.
se for garrafa de vidro pode! se for plastico nao por que é puroso!
De um dia para o outro já serve de água para as plantas.