A Apple apostou em ecrãs verticais décadas antes do iPhone. O inimigo? As cafeteiras
Hoje na História dos Computadores, vamos falar do ecrã vertical lançado pela Apple que antecedeu o iPhone. Curioso foi o obstáculo a esse dispositivo. Sim, o inimigo eram as cafeteiras.
Muito antes de os smartphones tornarem natural a utilização de ecrãs na vertical, a Apple já tinha experimentado essa ideia no final da década de 80. Curiosamente, um dos maiores problemas dessa tecnologia não foi a concorrência nem limitações do hardware.
Foram… cafeteiras e fotocopiadoras de escritório.

Com ecrã monocromático de 15 polegadas e resolução de 640 × 870 pixels, o Macintosh Portrait Display era dirigido sobretudo a editores, jornalistas, programadores e profissionais de desktop publishing. Custava cerca pouco mais de mil dólares, sem incluir a placa gráfica necessária para o utilizar em máquinas como o Macintosh II. Produzido entre 1989 e 1992, nunca teve números de vendas divulgados, mas acabou por se tornar uma peça rara e curiosa da história da Apple.
O ecrã vertical que antecipou o mundo dos smartphones
Em março de 1989, a Apple apresentou o Macintosh Portrait Display, um monitor de 15 polegadas concebido especificamente para trabalhar na vertical.
O objetivo era simples: permitir que os utilizadores visualizassem uma página completa no ecrã, tal como ela seria impressa.
A ideia fazia sentido no contexto da época. O Macintosh estava a ganhar popularidade no setor editorial graças ao conceito WYSIWYG (“What You See Is What You Get”), que permitia ver no ecrã exatamente o aspeto final de um documento antes de o imprimir.
Programas como o Aldus PageMaker transformaram o Mac numa ferramenta central na indústria da publicação e do design gráfico.
Nesse contexto, um ecrã vertical era praticamente o equivalente digital de uma folha A4. Assim, jornalistas, designers e editores podiam trabalhar com páginas inteiras sem recorrer constantemente ao scroll.
Na verdade, a Apple não foi a primeira
Embora tenha popularizado a ideia, a Apple não foi a primeira empresa a lançar um monitor vertical para o Macintosh.
Um ano antes, em 1988, a startup Radius, fundada por antigos engenheiros ligados ao universo Mac, tinha lançado o Radius Full Page Display, também pensado para o mercado editorial.
A Apple acabou por responder com o seu próprio modelo, que rapidamente se tornou um dos periféricos mais curiosos da história da empresa.
O Macintosh Portrait Display oferecia:
- resolução de 640 × 870 píxeis
- densidade de 80 dpi
- ecrã CRT monocromático de 15 polegadas
- atualização de 75 Hz
Tudo isto permitia mostrar praticamente uma página completa de texto ou layout gráfico num único ecrã.
O preço também refletia o posicionamento profissional: cerca de 1.049 dólares, sem incluir a placa gráfica adicional necessária para o utilizar em alguns Macs da época.
Quando as cafeteiras se tornaram um problema tecnológico
Mas havia um detalhe curioso nos manuais técnicos da Apple.
Segundo a própria empresa, certos objetos do escritório podiam provocar distorções na imagem do monitor.
Entre eles estavam:
- armários metálicos
- secretárias de metal
- luzes fluorescentes
- outros monitores
- cafeteiras e fotocopiadoras
Estes equipamentos geravam interferências eletromagnéticas capazes de causar o chamado “dynamic raster distortion”, um fenómeno em que a imagem no ecrã parecia tremer ou mover-se ligeiramente.
Na prática, bastava colocar o monitor demasiado perto de uma cafeteira de escritório para ver o ecrã a vibrar. Era um problema típico da tecnologia CRT da época, muito mais sensível a campos magnéticos do que os ecrãs atuais.
Um produto estranho… que antecipou o futuro
Apesar da inovação, o monitor vertical da Apple nunca se tornou um produto de massas. Foi descontinuado em 1992, após cerca de três anos no mercado.
Na altura, muitos consideraram o Portrait Display apenas uma curiosidade técnica, com aplicação limitada ao design editorial.
Contudo, olhando para trás, a ideia revelou-se surpreendentemente visionária. Hoje, grande parte da interação digital acontece precisamente em formato vertical:
- smartphones
- redes sociais
- páginas web
- aplicações móveis
Ou seja, décadas antes do iPhone, a Apple já tinha experimentado um mundo pensado para ecrãs verticais. E embora a experiência tenha sido limitada pelo hardware da época, deixou uma pequena pista sobre o futuro da computação pessoal.

























não tem nada a ver com os smartphones, existe muita gente que prefere ter o ecrã de trabalho na vertical, às vezes até dois ou um na vertical e outro na horizontal, tenho muitos colegas assim, tem a ver com o fluxo de trabalho de cada um e como são mais produtivos
Sim, mas o conceito generalizou-se com os smartphones e mudou mesmo as plataformas. Isso é taxativo e mostra como o próprio mercado tende a ajustar a necessidade desse conceito, tão rígido, à medida que as tendências são mais exigentes.
Geralmente quem trabalha com programação gosta mais de ter o écran na vertical, pelo menos na minha empresa é assim que eles trabalham, um na horizontal e outro na vertical.
Sim, há muitas pessoas que preferem o ecrã na vertical. Quando comecei a escrever, lá atrás em 1993, havia também quem quisesse o ecrã na vertical para ter a noção do espaçamento ao paginar. Mas o tempo moldou as plataformas ao horizontal e nem sempre da forma mais útil. Hoje há muito mais facilidade de hardware para adaptar às necessidades, apesar das próprias plataformas “obrigarem” a seguir uma regra. O gaming, por exemplo, sempre forçado ao horizontal, funcionava muito bem na vertical.
Há uma curiosidade que me esqueci de colocar no artigo. Na verdade, este conceito acabou por desaparecer com a popularização dos monitores horizontais (landscape) nos PCs dos anos 1990. No entanto, regressou nos últimos anos através do chamado modo “portrait ou retrato” em monitores modernos, e, como referiste, muito usado por programadores, jornalistas e editores de texto, exatamente pelas mesmas razões que motivaram as primeiras experiências há mais de 40 anos.
E muito melhor para jogar em vertical que horizontal. Super mario o melhor jogo de todos os tempos e sonic eram na vertical
Não eram na vertical, Sega Mega Drive, NES e SNES, tal como praticamente todas as consolas da época usavam resoluções 4:3 ou aproximadas.
Só alguns shmups e pinballs usavam resoluções verticais, principalmente em arcades.
4:3 não é vertical.
O vertical veio do Xerox Alto.
Vertical só para jogar Pinball Arcade!
Uns 15 anos antes desses dois ecrãs estava no mercado o Xerox Alto com ecrã vertical. Se esse não vingou, porque os ecrãs dessas duas empresas iriam vingar?