15.000 euros e 200 km de autonomia: o elétrico que pode mudar o mercado europeu
O carro elétrico europeu ideal poderia ter menos de 800 kg, até 200 km de autonomia real e um preço inferior a 15.000 euros, antes de incentivos. Seria suficiente para si?

Em vez de aumentar a bateria, a potência e o equipamento, o estudo propõe um automóvel pequeno, leve e simples, concebido para os trajetos quotidianos e não para responder a todas as necessidades de mobilidade de uma família.
Realizado pela Fondation pour la Nature et l’Homme (em francês, FNH) e pelo Institut Mobilités en Transition (em francês, IMT), com o apoio técnico da consultora C-Ways, o estudo parte de um veículo com 3,60 metros de comprimento, quatro lugares e menos de 800 kg em vazio.
A bateria teria entre 15 e 22 kWh, permitindo uma autonomia real estimada entre 140 e 200 km. A velocidade máxima ficaria limitada a 110 km/h e o veículo não teria carregamento rápido.
A ideia é que um carro com estas características seja suficiente para uma parte significativa das deslocações diárias dos europeus. Aliás, segundo o estudo, os seus padrões de utilização seriam compatíveis com os trajetos realizados por 54% dos veículos em circulação em França, 53% na Alemanha e 55% em Itália.
Estes valores não significam que essa percentagem de automóveis tivesse de ser substituída por este modelo. A análise aplica posteriormente outros critérios, relacionados com o custo total de propriedade e com a atratividade do veículo para os consumidores.

Para chegar a menos de 15.000 euros, não bastaria retirar algumas opções a um automóvel convencional. Por isso, a proposta parte de um veículo concebido para ser pequeno, leve e eficiente, reduzindo tanto os custos como a utilização de matérias-primas.
Um elétrico mais pequeno consome menos recursos
A proposta não visa apenas baixar o preço de compra. Um automóvel mais leve, com uma bateria muito menor, necessita também de menos matérias-primas e de menos energia durante a utilização.
Segundo o estudo, substituir um automóvel a combustão do segmento B com 10 anos por um elétrico deste tipo dividiria por três a 3,5 as emissões de gases com efeito de estufa associadas ao fabrico e à utilização, considerando as mesmas distâncias percorridas.
Se estes veículos substituíssem elétricos de maiores dimensões, a estimativa aponta para uma redução do consumo de eletricidade do parque automóvel de cerca de 26 terawatt-hora por ano a partir de 2035. O estudo estima também uma redução do consumo de lítio de aproximadamente 6000 toneladas por ano, equivalente a cerca de 52 gigawatt-hora de capacidade de baterias que deixaria de ser necessário produzir.

No parque automóvel, a FNH estima que estes veículos poderiam representar, por substituição, cerca de 14 milhões de automóveis em circulação na UE em 2035, aproximadamente 6% do parque. A longo prazo, o número poderia chegar aos 63 milhões, perto de 29% do parque, à medida que o mercado de usados se desenvolvesse e este tipo de veículo se normalizasse.
Um mercado potencial de milhões de unidades
Os autores estimam um potencial de cerca de 2,5 milhões de vendas anuais na União Europeia (UE) entre 2030 e 2035, que poderia atingir aproximadamente três milhões por ano quando o mercado estivesse plenamente desenvolvido. Segundo a FNH, esse volume corresponderia a quase 20% das vendas de automóveis de passageiros na UE.
Cerca de 40% desse potencial substituiria compras de automóveis novos dos segmentos A e B, enquanto os restantes 60% corresponderiam a consumidores que atualmente recorrem ao mercado de usados. Em saldo líquido, a chegada destes veículos poderia aumentar as vendas de automóveis novos na UE em cerca de 12%, o equivalente a 1,5 milhões de unidades por ano. A FNH estima que esse aumento compensaria perto de metade da quebra dos volumes registada entre 2019 e 2024.

A Europa teria de criar espaço para este conceito
Apesar da potencial viabilidade, a regulamentação europeia representa um obstáculo alheio às fabricantes. Assim sendo, o estudo sugere duas vias para permitir veículos com estas características:
- Adaptar o enquadramento existente a pequenos automóveis elétricos M1 simplificados, designados M1e.
- Criar uma categoria intermédia, provisoriamente designada M0, com critérios próprios de massa e velocidade.
Em ambos os casos, a proposta prevê requisitos proporcionais às características do veículo, mantendo um nível de segurança adequado.
A FNH e o IMT defendem ainda que este tipo de automóvel seja considerado nas políticas de apoio à eletrificação, incluindo programas de leasing social, renovação de frotas e incentivos à retirada dos veículos térmicos mais antigos.
Para já, este automóvel não existe e o estudo apresenta apenas um conceito, calculando o mercado que poderia existir se a indústria conseguisse colocar na Europa um veículo com estas características por menos de 15.000 euros.

















