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Google é a primeira a levar a IA para o espaço! Project Suncatcher vai testar o futuro

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A Google está pronta para quebrar mais uma barreira e levar o poder computacional da IA para além da atmosfera. O Project Suncatcher é a iniciativa para responder à escassez de energia e recursos hídricos consumidos nos centros de dados. Para arrancar com os testes vão colocar em órbita o primeiro satélite experimental já a 1 de outubro, a bordo de um Falcon 9 da SpaceX.

Desenvolvido com a Planet Labs, o protótipo MVP tem dimensões aproximadas às de um frigorífico doméstico. O principal objetivo desta primeira missão consiste em validar o comportamento dos processadores especializados da empresa em condições adversas de microgravidade. Trata-se de uma fase de ensaio pioneira que vai ditar se é tecnicamente viável descentralizar a computação para a órbita terrestre nas próximas décadas.

Aposta arrojada da Google com energia solar infinita

Na órbita baixa da Terra, a exposição solar quase contínua pode garantir até oito vezes mais energia do que qualquer instalação no solo. Para este teste inicial, o veículo espacial vai integrar apenas quatro unidades de processamento tensorial Trillium, alimentadas por um sistema de painéis com capacidade de geração de um quilowatt. Essa capacidade é modesta, correspondendo a apenas um servidor convencional, mas suficiente para responder a pedidos básicos de IA através de modelos Gemini.

O grande salto estratégico reside na eliminação dos custos ecológicos e da saturação das redes elétricas terrestres, que hoje limitam a expansão dos modelos de linguagem. Caso o conceito funcione nos moldes previstos pelos investigadores da tecnológica, o ecossistema poderá transformar-se numa constelação interligada. No entanto, a viabilidade económica e técnica só deverá atingir níveis maduros e comparáveis aos centros de dados terrestres a partir de meados de 2030.

Desafios extremos de arrefecimento e radiação em órbita

O ambiente espacial impõe barreiras de engenharia muito exigentes, a começar pela ausência de ar que impossibilita o recurso a ventoinhas tradicionais. Como os circuitos acumulam calor num espaço bastante reduzido, a equipa recorreu a pastas térmicas condutoras e painéis radiadores concebidos para dissipar o excesso térmico no vácuo. Nesta fase inicial, as instruções mais intensivas serão executadas em ciclos curtos de cerca de 15 minutos, para prevenir o sobreaquecimento crítico do equipamento.

Outro obstáculo determinante envolve as partículas radioativas e os raios cósmicos de alta intensidade capazes de corromper dados e danificar chips. Em laboratórios nucleares terrestres, as peças foram sujeitas a feixes de protões agressivos e conseguiram demonstrar uma resistência equivalente a mais de cinco anos de permanência fora da atmosfera. Os dados recolhidos em tempo real agora vão definir a margem de segurança do projeto.

Para lá do lançamento inaugural, a tecnológica já delineia novas fases com satélites adicionais previstos para 2027, focados na comunicação por feixes de laser de altíssima velocidade. A longo prazo, a meta passa por gerir frotas com dezenas de veículos a orbitar de forma sincronizada, partilhando tarefas pesadas de computação de forma fluida. A corrida pela IA ganha assim um capítulo decisivo muito acima das nuvens, onde a sustentabilidade e a inovação tecnológica se cruzam.

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