CEO da Sport TV critica pirataria: “O que acontece em Portugal é lamentável”
A pirataria de conteúdos desportivos continua a ser uma das principais preocupações da indústria audiovisual. Em Portugal, o tema voltou a estar em destaque no Portugal Football Summit, onde Nuno Ferreira Pires, CEO da Sport TV, deixou críticas fortes à forma como o fenómeno tem sido encarado no país.

Para o responsável da Sport TV, a pirataria não representa apenas uma perda de receitas para os operadores que detêm os direitos de transmissão. O impacto estende-se a várias áreas ligadas ao futebol e, consequentemente, à própria economia portuguesa.
“O que acontece em Portugal é lamentável.”
A afirmação de Nuno Ferreira Pires surge num contexto de crescente facilidade de acesso a transmissões ilegais através da Internet, incluindo plataformas de streaming não autorizadas, sites que disponibilizam conteúdos protegidos e serviços de IPTV pirata.
Pirataria afeta receitas e todo o ecossistema do futebol
Segundo o CEO da Sport TV, as perdas provocadas pela pirataria acabam por ter impacto em diferentes áreas relacionadas diretamente com o futebol português.
O responsável defende que o futebol representa uma atividade com peso significativo na economia nacional e que a proteção dos conteúdos e dos direitos associados às competições deve ser encarada como uma questão mais abrangente.
Nuno Ferreira Pires considera ainda que não monitorizar adequadamente a pirataria significa não proteger um dos principais ativos intangíveis associados ao país.
A questão ganha particular relevância numa altura em que a distribuição digital tornou muito mais simples a retransmissão ilegal de conteúdos. Uma transmissão pode ser capturada e redistribuída para milhares de utilizadores através de diferentes plataformas e serviços.

“Roubar no digital é normal”
Um dos alertas mais fortes deixados pelo CEO da Sport TV está relacionado com a normalização social do consumo de conteúdos pirateados.
Nuno Ferreira Pires considera que a falta de uma resposta eficaz pode contribuir para criar uma geração que encara o acesso ilegal a conteúdos digitais como algo normal.
O responsável chegou mesmo a afirmar que esta realidade contribui para a formação de uma “geração de criminosos, que acha que roubar no digital é normal”.
A declaração coloca o combate à pirataria não apenas como uma questão financeira ou de proteção de direitos de autor, mas também como um problema relacionado com a literacia digital e a perceção que os utilizadores têm sobre o que é legal ou ilegal na Internet.
IPTV pirata continua a ser um desafio
O crescimento dos serviços de IPTV tornou o combate à pirataria particularmente complexo. Ao contrário dos modelos tradicionais, em que o acesso dependia muitas vezes de sites específicos, atualmente podem existir redes de distribuição que agregam centenas de canais e competições e os disponibilizam através de aplicações, dispositivos ou plataformas online.
O desafio passa, por isso, não apenas pelo encerramento de sites, mas também pela identificação das infraestruturas utilizadas para distribuir os conteúdos, dos operadores envolvidos e dos mecanismos utilizados para captar novos clientes.
Para os detentores dos direitos, cada transmissão ilegal pode representar uma perda potencial de receita e, em maior escala, contribuir para desvalorizar os direitos de transmissão que são posteriormente comercializados aos operadores.
Combate à pirataria exige resposta tecnológica
O fenómeno coloca também desafios tecnológicos. A monitorização de transmissões ilegais, a identificação automática de conteúdos, o bloqueio de streams e a deteção de redes que redistribuem sinais são algumas das ferramentas que podem ser utilizadas pelas entidades responsáveis.
Ao mesmo tempo, existe uma corrida tecnológica entre quem tenta proteger os conteúdos e quem procura contornar esses mecanismos.
A discussão no Portugal Football Summit mostra assim que a pirataria deixou de ser apenas um problema associado a determinados sites. É hoje uma questão que envolve tecnologia, direitos de transmissão, cibersegurança, economia digital e comportamento dos consumidores.
O combate será, por isso, cada vez mais dependente da capacidade de monitorizar o ecossistema digital e de reagir rapidamente quando uma transmissão ilegal é detetada.


















