O mercado dos telemóveis é dos mais implacáveis da tecnologia de consumo. A análise da evolução das quotas de mercado entre 2010 e 2025 comprova que nenhuma marca dura para sempre. Algumas das que pareciam eternas desapareceram das preferências, cedendo o lugar a um ecossistema próprio e dominado por novas geografias

Em 2010, o panorama global era encabeçado pela Nokia, que mantinha uma sólida liderança com 28,9% de quota mundial. Na segunda posição surgia a sul-coreana Samsung com 17,6%, seguida pela LG com 7,1% das vendas totais. A restante tabela incluía marcas consagradas da época, como a Blackberry com 3%, a Apple a dar os primeiros passos com 2,9%, a Sony Ericsson com 2,6%, a Motorola com 2,4% e a ZTE a fechar com 1,8%.
A derrocada dos gigantes históricos e a viragem de paradigma
A rápida evolução dos ecrãs táteis e a maturidade dos sistemas operativos móveis apanharam as fabricantes tradicionais em contrapé. A transição acelerada dadas pelas novas plataformas retirou protagonismo à Nokia, à Blackberry e à Sony Ericsson, que não conseguiram responder em tempo útil às novas exigências dos utilizadores. Este atraso ditaria o afastamento gradual destas marcas dos lugares de topo.
Quinze anos depois, o cenário de 2025 mostra um mercado profundamente reconfigurado, onde a Nokia e a Blackberry já não figuram sequer entre as oito maiores forças do setor. O mapa de produção deslocou-se quase por completo para o continente asiático, criando um ecossistema com grande poder de escala, cadeias de abastecimento ágeis e forte presença tanto em segmentos acessíveis como no patamar topo de gama.

A disputa pelo topo e o domínio das marcas chinesas
No topo da tabela atual, a liderança divide-se entre dois grandes rivais globais. A Apple ocupa a primeira posição com 19% de quota de mercado, registando exatamente a mesma fatia de 19% da Samsung, num equilíbrio técnico assinalável entre os dois ecossistemas. A Samsung destaca-se como a única fabricante tradicional do top três de 2010 a manter uma posição de força incontestável na atualidade.
Logo atrás desta dupla de comando surge a Xiaomi, isolada no terceiro lugar com 13% do mercado. O restante grupo das oito maiores fabricantes mundiais é composto inteiramente por marcas chinesas: a Vivo, a Oppo e a Transsion garantem 8% de quota cada uma, enquanto a Honor assegura 6% e a Lenovo encerra a lista com 5% das vendas globais.
Esta mutação profunda reflete a maturidade do setor e a capacidade que os novos fabricantes tiveram para responder rapidamente às exigências dos consumidores globais. A indústria móvel não tolera estagnação, provando que o sucesso passado de marcas históricas não é garantia de continuidade perante ciclos sucessivos de inovação tecnológica.


















