E se o seu chefe fosse uma IA? Há quem diga que trabalharia melhor
Um novo estudo revela que quase 40% dos colaboradores acreditam que seriam mais produtivos se reportassem a um gestor baseado em Inteligência Artificial (IA). Entre diretores, essa convicção sobe para 64%. Ainda assim, há um parâmetro no qual a tecnologia não supera os seres humanos.
Conduzida pela Careerminds UK através de um inquérito Pollfish a 600 trabalhadores a tempo inteiro no Reino Unido em maio de 2026, a investigação procurou perceber como os funcionários encaram a possibilidade de serem geridos por sistemas de IA.
Os números mostram uma abertura considerável à ideia, com 36,7% dos inquiridos a revelar acreditar que um gestor de IA aumentaria a sua produtividade, contra 25,5% que esperam o efeito inverso. Os restantes 37,8% não esperam qualquer alteração.
Quanto mais alto o cargo, maior a confiança na IA
Um dos dados mais interessantes do estudo é a diferença entre hierarquias. Enquanto apenas 26,2% dos colaboradores de nível inicial acredita em ganhos de produtividade com um gestor de IA, essa percentagem sobe para 38,5% entre gestores, 42,6% entre quadros seniores e atinge 64% entre diretores e líderes de topo, dos quais 28% antecipa mesmo um ganho “significativo”.
Além disso, colaboradores entre os 25 e os 34 anos são 3,5 vezes mais propensos a esperar ganhos de produtividade do que os que têm entre 55 e 64 anos (50,6% contra 14,4%, segundo os dados do comunicado da Careerminds).
O feedback continua a ser coisa de gente
Apesar da abertura à gestão por IA, quando questionados sobre quem preferem que lhes dê feedback, 74,2% escolheu o gestor humano, apenas 14,2% optou por um sistema de IA e 11,7% disse não ter preferência.
Também aqui há diferenças por género e idade: os homens são 1,5 vezes mais propensos do que as mulheres a preferir feedback vindo de IA (16,6% contra 10,9%), e a apetência por este tipo de avaliação diminui com a idade. De facto, nenhum inquirido com 61 ou mais anos escolheu a IA como preferência.
Apesar do entusiasmo generalizado, o otimismo não é uniforme ao longo da hierarquia. Entre os quadros intermédios, apenas 27,6% espera ganhos de produtividade com um gestor de IA, o que reflete uma maior reserva por parte de quem estaria mais próximo de uma eventual mudança nas estruturas de gestão.
A opinião de uma especialista
Para Amanda Augustine, especialista de carreira da Careerminds UK, os resultados não devem ser lidos como um desejo generalizado de substituir gestores por tecnologia.
Segundo a responsável, os gestores intermédios já sentem uma pressão crescente entre as expectativas das lideranças de topo e as necessidades das suas equipas, e a IA pode ajudar a aliviar parte dessa carga ao retirar-lhes tarefas administrativas.
Ainda assim, sublinha que os dados sobre feedback deixam claro que os colaboradores continuam a valorizar o julgamento humano, o contexto e a ligação pessoal na relação com os seus chefes.
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