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Quase metade dos alunos já usa IA para estudar, mas Portugal está pior do que há 20 anos

38 Comentários

Os resultados da mais recente edição do PISA já são conhecidos e indicam que, apesar de Portugal continuar estatisticamente próximo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), os alunos portugueses de 15 anos tiveram o pior desempenho de sempre em Leitura, e o desempenho global do país é já o pior dos últimos 20 anos.

Rapariga sentada numa secretária em frente a um computador, a representar alunos

O que é o PISA e o que mudou nesta edição

Acrónimo para Programme for International Student Assessment, o PISA é o maior estudo internacional de educação, promovido pela OCDE de três em três anos.

Na edição de 2025 participaram mais de 760 mil alunos de 91 países e economias, incluindo cerca de sete mil estudantes portugueses de 225 escolas.

Uma das grandes novidades desta edição foi a introdução de um quarto domínio de avaliação: a Aprendizagem no Mundo Digital, focada na resolução computacional de problemas.

O relatório dedica também particular atenção ao papel da Inteligência Artificial (IA) na sala de aula, um tema que ganhou peso nos últimos anos.

Portugal recua a níveis de 2006

Olhando para os números globais, os resultados portugueses “regressaram a valores próximos dos observados em 2006” nas três disciplinas tradicionais (Matemática, Leitura e Ciências), revertendo os ganhos que o país tinha conquistado entre 2000 e 2015.

Tanto a Leitura como a Matemática atingiram mínimos históricos:

  • Na Leitura, os 462 pontos são o pior resultado desde que Portugal entrou no PISA, em 2000.
  • Na Matemática, os 460 pontos ficam mesmo abaixo dos 466 obtidos em 2003, quando Portugal participava apenas pela segunda vez no estudo, tornando este o resultado mais baixo de sempre do país na disciplina.
  • Nas Ciências, a área mais resiliente, os 482 pontos mantiveram-se em linha com a média da OCDE.

No ranking internacional, Portugal ocupa agora o 26.º lugar em Leitura, o 29.º em Ciências e o 30.º em Matemática, com quedas de posições em Leitura e Matemática face ao ciclo anterior.

IA na sala de aula já é rotina, mas nem sempre ajuda

Se há um tema que marca esta edição do PISA, é o uso da IA pelos estudantes. Em Portugal, 48% dos alunos já recorrem a chatbots de IA para estudar e fazer trabalhos, uma percentagem ligeiramente acima da média da OCDE (46%).

Contudo, os dados mostram que os alunos que usam chatbots de IA obtêm, em média, resultados 20 pontos mais baixos em Ciências do que os colegas que não recorrem a estas ferramentas.

A explicação passa, em parte, por aquilo que os investigadores descrevem como uma espécie de “preguiça metacognitiva”, ou seja, quem usa IA tende a desenvolver menos autonomia na procura de soluções.

Curiosamente, este padrão não é universal: em vários países asiáticos, o uso de IA associou-se antes a melhores resultados, sugerindo que o contexto e a forma como a ferramenta é integrada nas aulas fazem toda a diferença.

A distração digital também foi avaliada: 28% dos alunos da OCDE dizem que os colegas se distraem com dispositivos digitais durante a maior parte das aulas de Ciências, e essa distração está associada a notas mais baixas.

Por isso, a organização recomenda um uso moderado e orientado da tecnologia, em especial para dar feedback e permitir prática mais personalizada, sem nunca substituir o raciocínio e a aprendizagem ativa dos alunos.

Menos excelência e mais alunos com dificuldades

Um dos dados mais preocupantes do relatório é o aumento de alunos que não atingem o nível mínimo de proficiência. Nos últimos 10 anos, a percentagem de estudantes abaixo do nível 2, considerado o patamar básico de literacia, subiu 11 pontos percentuais, especialmente em Matemática e Leitura.

Entretanto, apenas 3% dos alunos portugueses são considerados “top performers” em Leitura, metade da média da OCDE (6%). Em Ciências e Matemática, a percentagem de excelência (6%) também fica abaixo da média da OCDE (7% e 8%, respetivamente).

Neste cenário, os investigadores concluíram que a escola portuguesa continua capaz de garantir um patamar mínimo à maioria dos alunos, mas tem cada vez mais dificuldade em produzir desempenhos de topo.

Comentários

38
  1. YA
    Yamahia

    Com o desinvestimento na educação, a exemplo de em outros serviços públicos, esse factor não é de admirar.
    A primeira e única prioridade deste país neste momento é arrasar floresta e consequentemente biodiversidade para plantar painéis e ventoinhas em prol do carro elektro.

    1. GM
      GM

      E dos centros de dados. E das IA’s.
      Imaginemos daqui a 15 anos, em que os alunos quando entram para a pré-escola começam a mexer em IA’s. Vai dar um lindo resultado…

      1. MA
        Mapril

        Nessa altura já terão uma IA implantada no cérebro. Entram na escola a saber tudo.

    2. HU
      Hugo

      LOL Continua a não te tratar que vais bem…

    3. GM
      GM

      Nem de propósito, a quem interessar:
      https://www.youtube.com/watch?v=zlDF3RBh9x8

  2. PM
    PM

    Só perceberam isso, agora?? Claro que ia acontecer, mais tarde ou mais cedo. Os jovens já nem falar sabem.

    1. LM
      Luis Maia

      Mas ganham mais que tu que sabes falar aqui mas na realidade deves ser mais um RSI hehe

  3. BS
    bst

    O “estar pior” também é resultado de usarem IA para estudar. Nem sabem ler as horas num relógio analógico

  4. RA
    Root Acces

    Os alunos não são os culpados. A promoção do facilitismo e a progressiva desvalorização da exigência no ensino começaram há cerca de duas décadas. A obsessão por apresentar estatísticas fofinhas através de critérios cada vez mais permissivos, teria inevitavelmente consequências a longo prazo.

    As primeiras vítimas desse sistema começam agora a chegar ao mercado de trabalho. São jovens que, em muitos casos, revelam lacunas preocupantes ao nível de cultura geral, da má formação, da educação e, sobretudo, da preparação para enfrentar as exigências da vida profissional. A falta de educação no seio familiar foi complementada por uma escola que deixou de exigir, de corrigir e de formar adequadamente. O resultado é uma geração à qual se transmitiu a ideia de que o sucesso pode ser alcançado sem esforço e disciplina, basta estender as mãos e esperar que tudo caia de mão beijada.

    O problema é que este modelo não termina numa geração. Muitos destes jovens serão em poucos anos, os pais e os professores de amanhã, perpetuando práticas e mentalidades que poderão alimentar um ciclo vicioso.

    Basta observar determinados exames do 9.º ano para perceber a dimensão do problema. Em alguns casos, aquilo que deveria constituir uma avaliação de conhecimentos adquiridos ao longo de anos de escolaridade, mais parece um teste concebido para alunos da antiga escola primária. Não é,por isso, surpreendente que tantas empresas exijam actualmente qualificações académicas para o desempenho de funções básicas, que há poucas décadas seriam consideradas perfeitamente acessíveis a quem tivesse concluído o ensino secundário. O 12.º ano parece ter perdido grande parte da credibilidade e da capacidade de preparação para o mundo do trabalho, deixando de constituir uma garantia sólida de preparação para o exercício de uma profissão.

    Ainda sou do tempo em que um aluno podia ser criticado por não saber a tabuada de memória, mesmo que demonstrasse capacidade para efectuar os cálculos mentalmente através do simples raciocínio. Havia, então, uma preocupação genuína com o domínio dos conhecimentos fundamentais e com a capacidade de pensar. Atualmente chegámos ao ponto de existirem alunos que terminam etapas sucessivas da escolaridade sem sequer dominar correctamente a escrita da própria língua materna. Já jem vou falar de temáticas como matemática, história e filosofia.

    E esse talvez seja o sinal mais preocupante de todos: quando uma sociedade deixa de exigir o domínio do essencial, não está a facilitar o caminho aos seus jovens. Está, na realidade, a retirar-lhes as ferramentas de que necessitarão para construir o próprio futuro.

    Somo os país de alienados com uma clara tendência para a extinção da sociedade, dos seus valores, cultura, e em última instacia como um estado de direito.

    1. RU
      Rui

      É mesmo isso !

    2. CO
      contraditorio

      Os alunos não são cumpados ? Discutível ! A Humanidade evoluiu até aqui porque alguns “Alunos ou curiosos” questionaram … investigaram … experimentaram … e inventaram ! Aliás … para quê ? Basta ver a importância que os “governantes” dão à Investigação neste “país” para os poucos alunos que “questionam” e querem saber porquê … Os outros querem é “curtir”

      1. TE
        Teo

        A evolução do conhecimento teve origem na necessidade. A necessidade atualmente não existe (ou pensam que não existe). Como seres culturais que somos, os alienados são vítimas da estupidificação do povo. Os poucos que ainda questionam são uma gota do oceano, provavelmente apelidados de velhos do restelo.

        1. PO
          PoiZé

          E esses poucos que ainda questionam ainda são criticados/insultados por todos os outros cada vez que o fazem.

        2. JO
          Jose

          Passam os dias em festi9vais e nas praias! Trabalhar cansa e não é necessário, os país pagam tudo.

          1. HU
            Hugo

            Mesmo, o que levamos desta vida é o trabalho e o mérito recebido pelo mesmo…

    3. MI
      Miratan

      Engraçado pare-se muito com Brasil.

    4. HN
      Hugo Nabais

      Eu quando tento escrever posts grandes como esse, a mensagem nunca aparece… Estranho!

  5. PA
    PagaImpostos

    Ora, não se preocupem.

    Daqui a uns tempos esta nova geração de imbecis entra para as “Jotas” e facilmente arranjam empregos nas Câmaras e na Assembleia da Republica.

    1. CO
      contraditorio

      Considerar que as Câmaras e a AR já não são …. é muita fé …

  6. ZA
    Zé Fonseca A.

    Agradeçam ao Sócrates por ter eliminado os chumbos para subir nos rankings, na altura avisei que ia dar nisto

    1. A
      A

      Que chatice o Sócrates não te ter ouvido.

    2. LM
      Luis Maia

      Que sabedoria….sabes tanto e andas num blog a comentar em vez de concorrer a ministro? Curioso

    3. MC
      M.Correia

      Ele avisou. Que notícia dramática.

  7. GF
    gFan

    Não estou a perceber, então os miúdos foram proibidos de aceder às redes sociais, foram proibidos de levar smartphone para as escolas, foram proibidos de sabe-se lá mais o que, e agora a culpa é da AI?

    Não será que o pplware esteja a seguir uma narrativa pré-fabricada? Porque é que digo isto?
    Os países com menos imigração de 3º mundo não tiveram resultados negativos, exemplos: Polónia, Filandia, Estónia!
    Ninguem fala nisto?

    “Within the European Union, Poland placed near the top across all tested categories. Polish students ranked second in mathematics behind Estonia, and third in reading comprehension behind Ireland and Estonia. In science reasoning, only Estonia and Finland recorded statistically superior results within the bloc. Poland also scored 7 points above the OECD average in the assessment section measuring problem-solving using computer tools. East Asian countries and regions continued to achieve the highest overall scores globally across all categories.”

    Biografia:

    https ://pollar.news/en/event/2025-pisa-scores-out

    https ://pplware.sapo.pt/internet/seguranca/portugal-aprova-proibicao-do-acesso-livre-as-redes-sociais-por-menores-de-16-anos/

    https ://pplware.sapo.pt/internet/uniao-europeia-tem-pronta-a-tecnologia-para-validar-idade-online-e-proteger-menores/

    https ://pplware.sapo.pt/informacao/smartphones-vao-ser-proibidos-nas-escolas-conheca-as-excecoes/

    https ://pplware.sapo.pt/smartphones-tablets/governo-recomenda-a-proibicao-do-uso-de-telemoveis-para-alunos-do-1-o-e-2-o-ciclos/

    https ://pplware.sapo.pt/informacao/governo-planeia-proibir-o-uso-de-telemoveis-para-alunos-de-escolas-publicas-e-privadas/

    1. PO
      PoiZé

      Claramente que tem influencia… Muitos nem português falam quanto mais ler e escrever… mas… É assunto proibido… Vai contra a narrativa de que precisamos deles e que estão a contribuir para o nosso crescimento. Que são só coisas positivas e sem nenhuma desvantagem nem custo.

      Mas… Vai já aparecer alguém a dizer que isso é discurso de ódio, de xenófobo, de chegano e/uo outros apelidos semelhantes.

      1. GM
        GM

        É proibido, até deixar de ser. Em Inglaterra também é proibido, mas a malta, a população nativa, está a abrir os olhos e as manifestações começam a acontecer. E o resto virá por arrasto.

        1. MC
          M.Correia

          Manifestações e gigantescas. Não sei (ou se calhar sei) porque é que essas notícias não passam na comunicação social.

    2. CO
      contraditorio

      Eu se tivesse o “poder” de governar isto (vá de retro) faria algo muito simples … Não entrava ninguém para fazer o que os nossos não querem fazer ! Iam ver que quando não tivessem nada para comer … vestir … sobreviver … se ainda tinham angústias para não fazerem eles … Por cá ainda há-de vir o dia em que até água temos que importar …

      1. A
        A

        Você faz o quê mesmo e a que preço? Já lhe faltou efetivamente alguém para trabalhar? Se precisar da retrete limpa e desinfetada, eu não me importo de ir fazer esse trabalho. Mas obviamente não aceito ir ganhar menos do que ganho sentado a uma secretária, que é metade do que ganha uma empregada de limpeza na Alemanha.

  8. CO
    contraditorio

    Obviamente que não deve incomodar os “governantes”. Afinal portugal precisa é de malta que saiba andar de bandeja na mão para servir os milionários estrangeiros nesta cuba da europa ! E é muito mais importante ensinar aos futuros que os meninos podem ser meninas e vice-versa ! Ah …. e claro que os “sidicatos” dos professores têm que permitir que alguém mude 1mm para diferenciar …

  9. MA
    Martins

    Não me admira nada, este tema já tinha sido estudado.

    Investigadores do MIT já tinham publicado um artigo no qual observaram que a utilização de LLMs em tarefas de escrita estava associada a menor envolvimento cognitivo e menor capacidade de recordar o conteúdo produzido.

    Para os interessados: https ://arxiv.org/abs/2506.08872

  10. JO
    Jose

    Li aqui alguns pareceres bastante assertivos, apontam os defeitos do sistema. Mas, há sempre um “mas”. Há também uma cultura da estupidez, propagada por todos os meios! É “proibido” a um cidadãos comum demonstrar que conhece algo. Há dias, bastou-me fazer referência a alguns clássicos que li e estudei, aqui, e um chorrilho de insidiosos insultos apareceram gratuitamente vindos de perfeitos ignorantes que só lhes faltou acusarem-me de ter feito um pacto com o diabo! Promove-se a ignorância a estupidez, e pior, têm vaidade nisso! Têm vaidade em ser básicos mostrar que não percebem nada do que falam, mas atrevem-se a dar opinião sem fundamentos, como têm ainda o descaramento de apontar consultas feitas à “inteligência artificial”, quando a natural se encontra com tantas deficiências cognitivas à vista de todos. Ao ponto de podermos colocar a questão, se sabem na realidade, como devem colocar as perguntas à máquina, sim tem muita importância também, as máquinas não pensam reúnem dados! Assim, basta alguém demonstrar uma cultura um pouco acima da média, para ser logo excluído do debate ou discussão e passar a ser evitado como se tivesse peçonha! Sei que se trata de uma acção de autodefesa, mas é triste ver numa geração, tanta admiração pelo inútil e fútil, como hoje se vê! Acham que por andarem a postar os beiços nas redes socais são muito “espertos” e que ser admirados por serem nada, é um acto de coragem e bravura! De facto é, mas de uma “lata” tremenda e desfaçatez sem tamanho. Promove-se a ignorância colectiva e critica-se quem tenta obter Conhecimento, algo que numa sociedade onde apenas se olha ao brilho e aos holofotes sem juízo, é um enorme defeito. Podem continuar a acusar, mas há casas sem um livro, aonde não se debate uma ideia nem sequer se falar sobre o mundo que nos rodeia, fala-se da vida dos outros, das vazias figuras “publicas”, As escolas tornaram centros de massificação de ideologias, não de Saber e Conhecimento. Tal postura, observa-se desde o jardim-escola, até à universidade – eu SEI do que falo – que são copiadas até ao exagero e de modas onde se expressa essa estupidificação em massa, sem problemas nenhuns, como se fosse uma medalha de bronco-mor ou mais um carimbo de carinha feliz, só por que sim.

    1. PO
      PoiZé

      Análise e interpretação, do que se passa, simplesmente espectacular.
      Devia ser um artigo de opinião em todos os jornais.

    2. GB
      Gringo Bandido

      Eu tambem não gosto da americanização dos jovens Europeus, merecem melhor!

  11. AV
    Asterisco Vaidozo *

    Lá diz o ditado,

    “Não se preocupem tanto com o avanço da Inteligência Artificial, preocupem-se mais com o retrocesso da Inteligência Natural”!

  12. GB
    Gringo Bandido

    As cobaias das novas tecnologias e do sistema capitalista é que sofrem as consequências, por algo ser novo não quer dizer que seja bom ou melhor e devemos respeitar o ritmo natural do ser humano de aprendizagem e não querer resultados à pressão, se for preciso até podiam deixar estudar até aos 30.
    O ensino é para ensinar mesmo ou para filtrar os filhos dos ricos e deixar os pobres para trás? pois.
    O sistema é completamente disfuncional, não há ciência, há fuga para a frente e os miudos são cobaias.

  13. YP
    Yur-pt

    A Norurega voltou atrás. Voltaram aos livros, à escrita manual, etc.

  14. SI
    Simão

    Desde que começou o século XXI praticamente ninguém chumba e tudo passa sem se chatear.
    Anda tudo a “estudar” através da IA e entregam trabalho feitos pela IA, nem pesquisam, nem estudam.
    Agora é o que temos.

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