Smart TV da LG podem estar a ouvir-nos mesmo desligadas. Reveja as definições da sua!
Uma investigação conduzida por vários investigadores de segurança independentes veio colocar em causa as alegações da LG sobre as suas Smart TV não gravarem áudio do ambiente sem autorização.
O trabalho de investigação, conduzido pelo canal Gamers Nexus e divulgado recentemente, analisou vários modelos OLED da LG à venda no mercado, incluindo topos de gama como a G5.
Recorrendo a ferramentas como o Wireshark para intercetar o tráfego de rede e a técnicas de desmontagem de código, a equipa percebeu rapidamente que estas televisões fazem muito mais do que exibir conteúdos.
Segundo os investigadores, em parceria com a Level1Techs e vários investigadores de segurança independentes, as TV LG rastreiam continuamente a rede Wi-Fi doméstica, identificando e catalogando outros dispositivos ligados, como smartphones, smartwatches, computadores e impressoras, mesmo que nada tenham que ver com a televisão.
Dados como endereços IP, nomes de redes vizinhas (SSID) e intensidade de sinal são recolhidos e armazenados, permitindo criar um retrato bastante detalhado da atividade dentro de uma casa.
Microfone continua ativo com o ecrã apagado
O detalhe mais preocupante da investigação prende-se com o áudio. Os testes mostraram que, mesmo com o ecrã desligado, depois de premido o botão de “power” no comando, o microfone da televisão continua a captar som do ambiente.
Além disso, ao desligar a TV da rede doméstica, a gravação não parou. O dispositivo continuou a guardar o áudio na sua memória flash interna, enviando tudo para os servidores da LG assim que a ligação à Internet foi restabelecida.
Os investigadores notam ainda que desativar o microfone principal nas definições pode não ser suficiente, uma vez que existe um segundo microfone que permanece ativo.
Os comandos de voz seriam convertidos em texto e guardados nos registos do sistema, com o microfone a manter-se “à escuta” durante 10 a 15 segundos depois de a pessoa parar de falar.
Vulnerabilidades abrem a porta a acesso remoto
A investigação foi além da recolha de dados e encontrou falhas de segurança no webOS, o sistema operativo das TV LG, que permitiriam a um atacante obter privilégios de administrador e aceder remotamente ao dispositivo.
Isto transforma a televisão num potencial dispositivo de escuta clandestino, capaz de transmitir áudio ao vivo do que se passa na sala.
Além disso, a captação não estaria limitada aos microfones internos, uma vez que, segundo a equipa, é possível extrair também áudio de periféricos externos, como webcams ligadas por USB, um cenário sensível em escritórios e ambientes empresariais, onde ecrãs grandes deste tipo são comuns.
Publicidade à mistura
A isto junta-se a tecnologia de Reconhecimento Automático de Conteúdo (em inglês, ACR), por via da qual a TV captura um pequeno excerto do que está a ser visto (vídeo e áudio), a cada seis segundos, gerando uma espécie de “impressão digital” que é enviada para a LG.
Estes dados alimentam a LG Ad Solutions, a divisão de publicidade da marca, que já oferece junto de anunciantes o acesso a 363 milhões de dispositivos só nos Estados Unidos, um número superior aos cerca de 216 milhões de Smart TV que a LG afirma ter vendido em todo o mundo.
Importa recordar que, há apenas quatro meses, a LG tinha chegado a acordo com as autoridades do Texas, comprometendo-se a deixar de recolher dados de visualização sem consentimento explícito dos utilizadores.
Ainda assim, a equipa da Gamers Nexus encontrou a opção “Do Not Sell My Personal Information” desativada por definição, antes mesmo de o utilizador aceitar qualquer termo.
Até ao momento, a LG não reagiu de forma detalhada a estas acusações específicas sobre a captação de áudio, tendo apenas justificado o scanning de rede como uma funcionalidade destinada a permitir a ligação entre dispositivos compatíveis.
Se tiver uma Smart TV LG, que definições deve ajustar?
Depois da investigação da Gamers Nexus, há um conjunto de ajustes que podem ser feitos nos televisores LG, por forma a reduzir a quantidade de dados recolhidos e limitar a exposição a nível de privacidade.
Importa referir que os caminhos exatos para cada definição podem variar consoante o modelo da TV e a versão do webOS instalada. Por isso, as dicas abaixo servem como referência geral e podem não corresponder exatamente ao que se encontra na sua TV.
Se não conseguir localizar alguma opção com o nome indicado, procure por termos semelhantes dentro do menu de Privacidade e Termos, ou consulte o manual específico do seu modelo.
- Desligar o Live Plus (ACR): Definições > Geral > Live Plus > desligar.
- Retirar consentimento aos acordos de utilizador: Definições > Suporte > Privacidade e Termos > Acordos de Utilizador: desmarcar Viewing Information, Voice Information, Internet-Based Advertisement, Data Partners (Alphonso) e Marketing Communications.
- Limitar o rastreio publicitário: Definições > Suporte > Privacidade e Termos > Publicidade: ativar “Limit Ad Tracking” e fazer “Reset AD ID”.
- Rever permissões de microfone e câmara: Definições > Suporte > Privacidade e Termos > Permissões de Aplicações.
- Desativar o reconhecimento de voz: nas definições de “Microphone Access” e “Speech Recognition”.
- Apagar os dados já armazenados: Definições > Suporte > Privacidade e Termos > Delete my Personal Information: apagar Viewing Information, Voice Information e Voice ID.
- Isolar a TV na rede doméstica: ligar a uma rede de convidados/IoT separada e desativar o UPnP no router.
- Limitar a ligação à Internet: manter desligada da Wi-Fi na maioria do tempo, ligando apenas para atualizações de firmware.
Estas definições reduzem a recolha de dados oficial, como para publicidade, mas não eliminam por si só o risco das vulnerabilidades no webOS que ainda permitem, segundo a investigação, captar áudio através de microfones secundários ou periféricos USB.





















