Marinha dos EUA reabastece barco-drone no mar com braço robótico
A Marinha norte-americana acaba de mostrar que os seus navios não tripulados podem ficar muito mais tempo no mar. Um sistema robótico conseguiu capturar, reabastecer e libertar uma embarcação de superfície sem qualquer tripulação, tudo em pleno oceano.
Cem ligações, quatrocentos galões de combustível
A demonstração foi liderada pelo Naval Air Warfare Center Weapons Division, no mês passado, ao largo da base de Little Creek-Fort Story, na Virgínia.
A equipa, composta por militares e parceiros da indústria, usou o T38, um barco não tripulado controlado remotamente, e um sistema de captura e reabastecimento rebocado por outra embarcação.
Os números impressionam: cerca de 100 ciclos de ligação e mais de 400 galões (perto de 1.500 litros) de combustível transferidos, entre testes no mar e demonstrações no cais.
O sistema passou de simples conceito a teste real em apenas sete meses, um desenvolvimento rápido para os padrões militares.
Menos viagens ao porto, mais tempo em missão
A ideia é simples: cada vez que um barco-drone tem de voltar ao porto para reabastecer, a Marinha perde cobertura e continuidade na missão. Com este sistema, os navios não tripulados podem manter-se operacionais durante muito mais tempo, sem depender constantemente de embarcações tripuladas de apoio.
Segundo Spencer Holloway, responsável pela área de capacidades futuras do programa, o foco imediato passa por apoiar testes de sistemas hipersónicos e armas de longo alcance, cujas trajetórias podem estender-se por milhares de quilómetros além das áreas de teste fixas.
Contudo, registam outros responsáveis, este método traz ainda outra vantagem: permitir que estas embarcações operem em zonas de maior risco sem colocar tripulações humanas em perigo... e sem obrigar a Marinha a investir em navios tripulados caros para cobrir mais área.
Próximo passo: reabastecimento totalmente autónomo
Por agora, o processo ainda envolve intervenção humana em várias etapas. Mas o objetivo da Marinha é claro: transformar toda a sequência (aproximação, captura, transferência de combustível, desconexão e regresso à missão) numa única operação totalmente autónoma.
Se conseguirem, os barcos-drone da Marinha norte-americana deixam de precisar de "parar para respirar", podendo manter-se em vigilância ou apoio a testes durante muito mais tempo sem intervenção humana.























