O grupo alemão Schwarz, dono da cadeia de retalho Lidl, anunciou que vai investir até 5,6 mil milhões de euros na construção de um centro de dados no norte da Alemanha. O objetivo passa por reforçar a independência europeia face aos fornecedores de serviços de cloud e Inteligência Artificial (IA) sediados fora do continente.
O anúncio foi feito esta quinta-feira, numa conferência de imprensa, pelo diretor-executivo da Schwarz, Gerd Chrzanowski, e pela ministra-presidente do estado federado de Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental, Manuela Schwesig.
A construção do complexo, localizado perto da cidade de Rostock, deverá arrancar em 2027, com a criação de 120 postos de trabalho.
Até 2033, o centro de dados deverá atingir uma capacidade de 240 megawatts, o equivalente ao consumo energético médio de 600 mil habitações.
Além disso, a empresa já tem um plano para expandir a capacidade até 1 gigawatt em 2045.
Energia renovável e reaproveitamento de calor no novo centro de dados
De acordo com o comunicado da Schwarz, o novo centro de dados vai operar exclusivamente com energia renovável em condições normais de funcionamento.
A instalação vai ainda contar com um sistema de arrefecimento por circuito fechado, pensado para limitar o consumo de água, uma preocupação cada vez mais presente neste tipo de infraestruturas devido às elevadas necessidades de refrigeração dos servidores.

Segundo Manuela Schwesig, estão a decorrer conversações com a autarquia de Rostock para aproveitar o calor excedente gerado pelo centro de dados no aquecimento residencial, uma solução que já tem sido testada noutros projetos semelhantes na Europa.
Alemanha procura soberania digital para não repetir erros do passado
Além da vertente energética, o projeto surge também associado às preocupações da classe política alemã com riscos de cibersegurança e com a dependência excessiva de fornecedores dos Estados Unidos e de outras potências estrangeiras.
Aliás, conforme citado pela Reuters, Schwesig comparou esta situação com o que aconteceu no domínio das redes sociais, sublinhando que a Alemanha “já perdeu o comboio” nesse setor e não pode voltar a falhar agora, no campo das infraestruturas digitais.
Com este investimento, a Schwarz Group, que já opera a plataforma de cloud STACKIT, reforça a aposta da Alemanha, e da Europa em geral, na chamada soberania digital.
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