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Tecnologia que associa os seus dispositivos à matrícula do seu carro já está em testes

15 Comentários

Um sistema que promete ligar o telemóvel, os auriculares Bluetooth ou até a coleira do cão à matrícula do carro já está em testes e já há feedback relativamente ao seu funcionamento.

Sistema SignalTrace, que associa dispositivos às matrículas dos carros

Recentemente, demos a conhecer o SignalTrace, uma tecnologia da Leonardo capaz de, teoricamente, associar sinais Wi-Fi, Bluetooth e outros sinais eletrónicos emitidos por dispositivos pessoais às imagens captadas por câmaras de reconhecimento de matrículas (em inglês, ALPR).

Agora, sabe-se que já não se trata apenas de uma promessa. Segundo uma investigação recente, existem instalações reais a funcionar em Oxon Hill, Maryland, operadas pela polícia do condado de Prince George, nos Estados Unidos.

O SignalTrace não é propriamente um leitor de matrículas, funcionando como um rastreador de sinais, que capta as emissões públicas de Wi-Fi, Bluetooth e outras frequências emitidas pelos dispositivos que normalmente viajam juntos dentro de um veículo, criando aquilo a que a Leonardo chama uma “impressão digital eletrónica”.

Quando existe também uma câmara ALPR no local, esse conjunto de sinais pode ser associado a uma matrícula, a uma hora e a uma localização, permitindo, em teoria, identificar um carro mesmo sem se conhecer a matrícula.

A realidade é menos assustadora

O consultor de segurança Ryan O’Horo identificou várias instalações do SignalTrace em Maryland e garantiu que são, tanto quanto sabe, os únicos casos reais de utilização da tecnologia até ao momento.

Curiosamente, a sua análise técnica veio colocar em causa algumas das promessas mais ambiciosas da empresa responsável pela tecnologia. Os dispositivos eletrónicos não emitem sinais de forma contínua e estável, e as suas transmissões acontecem em canais diferentes, o que obriga o sensor a estar a “ouvir” exatamente na frequência e no momento certos para capturar algo de útil.

Esta abordagem do sistema torna particularmente difícil a deteção de sensores de pressão dos pneus (TPMS) e de microchips de animais de estimação, dois dos exemplos mais citados no lançamento da tecnologia.

Segundo O’Horo, a antena plana do SignalTrace dificilmente consegue captar as frequências usadas pela maioria dos TPMS, enquanto os microchips de identificação animal só costumam ser lidos a poucos centímetros de distância.

Por sua vez, uma coleira com Bluetooth, um telemóvel ou uns auriculares sem fios são alvos mais plausíveis.

As câmaras da Flock Safety, um dos fornecedores mais conhecidos de ALPR, já estão instaladas em milhares de localizações nos Estados Unidos e são frequentemente citadas como o exemplo mais visível da vigilância rodoviária em massa através de reconhecimento de matrículas.

Anónimo não significa inofensivo

De qualquer forma, conforme mencionado pela Ars Technica, a assinatura de um dispositivo não precisa de incluir o nome do seu dono para se tornar identificável.

Associar repetidamente o mesmo telemóvel ou smartwatch a um veículo registado, a uma morada ou a outros dispositivos pode transformar um padrão supostamente anónimo numa pista de investigação, capaz de implicar passageiros, familiares, colegas de trabalho ou simples transeuntes que passem perto de alguém sob investigação.

De facto, um estudo de 2013 sobre dados de mobilidade, citado pela mesma fonte, concluiu que bastam quatro pontos de tempo e localização para identificar de forma única 95% das 1,5 milhões de pessoas presentes no conjunto de dados analisado.

Comentários

15
  1. RU
    Rui

    Mas para que serve mesmo? A matricula está registada em nome de uma pessoa

    1. PO
      PoiZé

      Mas os dispositivos não estão. Ou seja…. Passam a estar! Mesmo que o dono não queira.
      “It’s not that I have something to hide. I have nothing I want you to see.”

      O fim da privacidade está cada vez mais perto.

      1. RI
        RicM

        Mesmo. E o problema é os políticos europeus irem pelo mesmo caminho. Qualquer dia chega a nós…

        1. AS
          Asiim

          isto é o tipo de coisa que é muito dificil de acontecer na Europa tendo em conta as várias camadas de legislação para protecção de dados

  2. ZE
    Zec

    Com um telemóvel Android de há 10 anos já se consegue fazer isso. Até com um Nokia Symbian dava para fazer. Estão a ter dificuldades em quê exatamente? Dizem haver total privacidade na recolha de dados mas dada a incompetência até agora não dá para confiar neles. O habitual.
    Mas isto é bom para o povo se habituar a desligar bluetooth e o WiFi quando não está em uso.

    1. RI
      RicM

      Não serve de nada quando as rodas com sensores de pressão estão a emitir constantemente os seus números de identificação. Boa sorte em desligá-los.

      1. MA
        Max

        Não, as rodas com sensores de pressão não emitem os seus números de identificação.
        Não funciona assim.

    2. FI
      Filipe

      Vai desligar também o serviço móvel?
      Pois também ficam com IMSI, IMEI do teu smartphone.

      Enfim caminhamos para vigilância total mas descaradamente.

    3. PR
      Precauções

      Muito bem dito. E para aqueles que andam a dormir de olhos abertos fiquem a saber que forro o meu telemovel com folha de aluminio quando não estou a usar. Deixei-me de comprar telemoveis novos todos os dias porque subiram o preço da RAM de proposito para obrigar-nos a ficar com o mesmo telemovel. PS: À noite devia deixar o telemovel dentro do micro-ondas.

  3. NO
    nomadewolf

    Mais um passo rumo á ditadura…

  4. 0B
    0B3Y!

    creepy af… não há limites para o big brother nem para os seus lacaios.

  5. JU
    Juka

    Sendo assim está na hora de acabar com as contas do email nos telemóveis e tudo que os ligue ao dono, senão chegamos ao ponto em que até sabem quantas vezes vamos á sanita.

  6. LM
    LMR

    Por que não associar os políticos à roubalheira?

  7. MA
    Max

    Isto na UE não é legalmente possível, graças ao RGPD.

    1. A
      A

      Não é bem assim infelizmente …

      através de uma boa justificação legal , um documento DPIA e refugiar-se num instrumento com validade legal de fundado Interesse Publico , tipo despacho do governo, etc e passa a ser perfeitamente possível, não gostas ? vais a Tribunal, com uma boa guerra jurídica… 🙂

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