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Novas regras da UE tornam mais caro às pequenas lojas vender para outros países

15 Comentários

Comprar numa pequena loja online de outro país europeu pode tornar-se mais difícil e até mais caro. As novas regras da União Europeia para as embalagens querem reduzir resíduos e aumentar a reciclagem, mas trouxeram um problema inesperado: vender algumas encomendas para outro Estado-membro pode deixar de compensar.

O que mudou nas regras das embalagens?

A mudança está relacionada com o novo Regulamento Europeu relativo a Embalagens e Resíduos de Embalagens, conhecido como PPWR, Packaging and Packaging Waste Regulation.

O Regulamento (UE) 2025/40 entrou em vigor em fevereiro de 2025, mas a maioria das suas disposições começou a ser aplicada a partir de 12 de agosto de 2026.

O objetivo é reduzir significativamente os resíduos de embalagens na União Europeia, aumentar a reutilização e reciclagem e responsabilizar financeiramente as empresas pelas embalagens que colocam no mercado.

Entra aqui um conceito importante: a Responsabilidade Alargada do Produtor, RAP.

Na prática, quem coloca uma embalagem num determinado mercado passa a ter responsabilidades sobre a sua futura recolha e reciclagem.

E não estamos apenas a falar da embalagem original do produto. Uma encomenda pode incluir a caixa de cartão utilizada no transporte, plástico protetor, papel, material de enchimento e outros elementos.

Uma pequena loja pode ter de se registar em vários países

É aqui que começam os problemas para o comércio eletrónico. Imagine uma pequena loja portuguesa que venda produtos para clientes em Espanha, França, Alemanha e Países Baixos.

Ao enviar essas encomendas, está também a colocar embalagens nesses mercados. Dependendo das regras aplicáveis, terá de estar registada nos respetivos sistemas nacionais e cumprir obrigações relacionadas com a quantidade e os materiais das embalagens utilizadas.

O PPWR prevê precisamente sistemas de registo dos produtores e obrigações de comunicação das quantidades de embalagens colocadas no mercado.

Embora a legislação seja europeia, grande parte da implementação continua dependente dos sistemas existentes em cada Estado-membro.

Resultado: uma pequena loja que venda para vários países pode ter de lidar com vários registos, declarações e entidades diferentes.

O problema não são os cêntimos da caixa

O aumento dos custos não resulta propriamente do preço da reciclagem de uma caixa de cartão. O verdadeiro problema são os custos administrativos.

Registos, declarações, adesão aos sistemas de responsabilidade do produtor e, em alguns casos, contratação de empresas especializadas para garantir o cumprimento das regras podem representar centenas ou mesmo milhares de euros por ano.

Pensemos numa pequena loja online portuguesa. Se vender ocasionalmente um produto de 50 euros para um cliente na Suécia, poderá ter de cumprir obrigações de registo, reporte e responsabilidade pelas embalagens nesse país.

Com poucas vendas, os custos administrativos associados podem fazer com que simplesmente deixe de compensar vender para esse mercado.

É precisamente aqui que surge a grande diferença entre uma pequena loja e uma gigante do comércio eletrónico.

Para Amazon é um custo. Para uma pequena loja pode ser o fim das vendas

As grandes plataformas conseguem diluir estes custos por milhões de encomendas. Para uma pequena loja com poucas vendas num determinado país, a burocracia pode tornar o negócio inviável, levando algumas a abandonar mercados europeus. Segundo alguns players europeus, isso já está a acontecer.

O paradoxo é evidente: regras criadas para tornar o mercado mais sustentável podem acabar por favorecer as grandes plataformas, que têm escala e recursos para absorver estes custos.

Há exceções para as pequenas empresas?

Existem algumas simplificações. O regulamento prevê, por exemplo, procedimentos de comunicação simplificados para produtores que coloquem menos de 10 toneladas de embalagens por ano num determinado Estado-membro.

Contudo, estas simplificações não eliminam necessariamente os registos e restantes obrigações existentes nos diferentes países.

É precisamente esta fragmentação que está a preocupar as pequenas empresas.

Os comerciantes defendem, por isso, a criação de um sistema europeu semelhante ao One Stop Shop utilizado no IVA. Uma empresa faria uma única declaração europeia e os valores seriam posteriormente distribuídos pelos diferentes Estados-membros.

Segundo informações, uma petição contra a atual complexidade das regras já reuniu perto de 50 mil assinaturas.

A intenção é ambiental, mas a burocracia tem um preço

O PPWR pretende reduzir embalagens e aumentar a reciclagem, responsabilizando quem coloca resíduos no mercado.

O problema está no custo da aplicação destas regras ao comércio eletrónico: Para as grandes plataformas é mais uma despesa, mas para pequenas lojas pode tornar certas vendas internacionais inviáveis.

No final, o resultado poderá ser preços mais altos e menos lojas a vender para outros países da UE.

Comentários

15
  1. JO
    Jota

    Mais uma bela iniciativa política esquerda socialista. Tudo em prol da economia europeia. Abram os olhos!

  2. OP
    OPagaImpostos

    Como já vem sendo hábito e método na Europa, “alguém” que vive no Planeta da Ilusão, lança regras sem antever as reais consequências, andando depois a tentar tapar erros crassos com exceções ainda mais patéticas.

    Há que dar os parabéns ao esterco de políticos que prosperam na Comunidade Europeia. É que não se cansam de arranjar medidas para complicar a vida de quem realmente trabalha.

    Aliás, basta olhar para os labregos portugueses que vão parar a Bruxelas para se perceber o nível de inteligência e de competência geral.

    Por coincidência (estou a ser irónico), com tantas regras e regrinhas da Comunidade Europeia e o bolo acaba sempre por cair para as grandes empresas americanas e chinesas.

    1. AL
      AlexS

      Vivem numa bolha politica onde criar cada vez mais regras, regulações e cada vez mais taxas e taxinhas e claro mais departamentos, comissões, observatórios, entidades, teremos a sociedade perfeita.
      Um dos grande problemas da nossa civilização é que não conseguimos diminuir a politica e a sua intensidade. Um país em guerra mobiliza-se, o orçamento da defesa aumenta várias vezes, mas acaba a guerra e diminui.. não conseguimos fazer isso com a politica.

    2. V
      V

      +1
      Que triste involução…

  3. AN
    AntonioS

    Esta UE é só tiros nos pés e sempre com chavões como economia circular e sustentabilidade.

    Falamos mal dos Russos mas este têm ou tinham (lol) a Wildberries . Aqui na Europa no comércio online são os Americanos da Amazon que mandam.

  4. DA
    Danny

    UE na sua autodestruição

  5. NC
    Nuno Cabral

    Outra vez a Europa a criar regrazinhas de merda. Em vez de implementar medidas que alavanquem a economia europeia, só servem para a tornar complicada.

  6. MI
    miguel

    Esta história da reciclagem é uma grande palhaçada, são apenas novos impostos para encher mais os bolsos dos mesmos. Mas pronto, a malta vota sempre nos mesmos, nada a fazer, é pagar e ir à festa da terra e está tudo bem!

  7. CO
    contraditorio

    E … se estes indivíduos da UE que não devem ter nada que fazer … e têm que inventar uma imbecilidade qualquer … para fundamentar o absurdo ordenado que recebem … não existissem será que os governos não seriam capazes de decidirem uns com os outros coisas mais importantes que as medidas das sanitas ????

  8. FI
    Filipe

    Burocratas em Bruxelas estão a conseguir que cada vez mais pessoal odeie o projecto EU e o caminho que ele está a seguir!

  9. VA
    vasco

    Ursula Van Den Lyen e o resto dos CHULOS a trabalharem duramente para garantir a continuação da total destruição da UE, e sacar milhões em impostos para oferecer GRATUITAMENTE aos Ucronazis, e Regime Nazi Isrealita.
    Um cancro seria mais util para liderar a UE…

  10. JP
    Joao Ptt

    Faz lembrar os avisos de cookies, em vez de simplesmente exigir uma medida técnica que no browser deixe a pessoa definir o nível de privacidade “Global Privacy Control”/ “Do Not Track” por exemplo, que até já existe… obrigam a meter aqueles avisos.

    Neste caso, ao menos tinham um ponto único onde informavam tudo e depois a dita instituição comunicava com os restantes países.
    Mas parece que tudo o que possa ajudar as grandes empresas a acabar com a concorrência é bem vindo.

  11. PO
    PorcoDoPunjab

    Percebem agora quando digo há anos que estamos em decadência acentuada?
    Energia a preços loucos, indústria a fugir para China e States.
    Como combater isto?
    Com tampinhas e com isto.
    Estamos desgraçados e temos o que merecemos.

  12. MI
    Miguel

    O Estado (e UE) sempre a lixar os pequenos e o povo com mais custos e burocracias.

  13. YA
    Yamahia

    Logo agora que ia tentar dar uma segunda vida à roupa usada, vendendo-a online.

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