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Há utilizadores a fugir dos portáteis para… máquinas de escrever digitais. Já as conhece?

12 Comentários

Numa era em que o computador consegue fazer praticamente tudo, há quem defenda que a melhor forma de escrever é usar um dispositivo que não faz quase nada. Chamam-lhes “teclados sem distrações” e a proposta é a seguinte: um ecrã, um teclado, e nada mais entre o utilizador e o texto.

Teclado Freewrite Traveler

O conceito de teclado burro

Os teclados sem distrações são máquinas dedicadas exclusivamente à escrita. Têm normalmente um pequeno ecrã onde vai aparecendo o texto à medida que é escrito, mas não há navegador, não há redes sociais, não há apps de qualquer tipo.

A conectividade à Internet, quando existe, serve apenas para sincronizar os documentos com a cloud, nunca para navegar ou consultar seja o que for.

O grande objetivo é criar aquilo a que alguns chamam uma “bolha de concentração”, ou seja, um espaço onde a única ação possível é escrever, sem a tentação constante de abrir um separador do browser ou verificar uma notificação.

Freewrite Traveler
Freewrite Traveler

O nome mais conhecido nesta categoria é a Freewrite, da empresa norte-americana Astrohaus, com vários modelos que combinam ecrã de tinta eletrónica (ou LCD, consoante a versão), teclado de alta qualidade, como mecânicos ou scissor switch, e armazenamento interno para vários manuscritos.

Do lado japonês, a Pomera, da King Jim, segue uma filosofia semelhante, com modelos ultra-portáteis pensados para notas rápidas e sessões de escrita concentrada.

Teclado Pomera DM250
Pomera DM250

Como resolvem o problema da distração

A ideia por detrás destes dispositivos parte do princípio de que quanto mais capaz for uma ferramenta mais vais competir pela nossa atenção.

Um portátil normal é excelente, porque permite fazer tudo. Contudo, também pode ser uma verdadeiro inimigo da concentração, pois cada frase escrita concorre com o e-mail por ler, o Slack a piscar ou a app de notícias à espera de ser aberta.

Os teclados sem distrações resolvem isto, eliminando fisicamente a possibilidade de fazer outra coisa. Não há neles um “modo concentração” que pode ser desligado a qualquer momento. Aliás, a limitação está no próprio hardware.

Freewrite Smart Typewriter
Freewrite Smart Typewriter

Os ecrãs de tinta eletrónica, usados na maioria dos modelos topo de gama, reforçam esse efeito. Além de proporcionarem uma autonomia de bateria que pode chegar a semanas, têm uma componente quase psicológica, pois parecem mais papel do que ecrã, ajudando a sair do modo mental associado ao consumo digital.

Outro detalhe relevante é que muitos destes aparelhos dificultam deliberadamente a edição do texto já escrito, incentivando o utilizador a avançar sempre para a frente, tal como aconteceria numa máquina de escrever tradicional. A edição fica reservada para depois, quando o texto é sincronizado e transferido para um computador normal.

Teclado Freewrite Smart Typewriter
Freewrite Smart Typewriter

Vale a pena?

Nem todos estão convencidos. Há quem argumente que o problema nunca foi a ferramenta, mas o hábito, e que um telemóvel em modo avião ou uma simples app de concentração resolve o mesmo problema, sem exigir um investimento de várias centenas de euros num dispositivo de função única.

Ainda assim, para escritores, jornalistas ou qualquer pessoa que precise de longas sessões de escrita ininterrupta, a proposta destes dispositivos atrai público.

Tal como acontece com os discos de vinil face ao streaming, talvez não seja apenas uma questão de eficiência.

Onde encontrar estes teclados burros

Para quem tiver curiosidade em experimentar o conceito, o Freewrite, por exemplo, está disponível na Amazon:


Produto

Astrohaus Freewrite

Máquina de escrever inteligente de 3.ª geração, ferramenta de escrita sem distrações com ecrã de tinta eletrónico iluminado, teclado mecânico e sincronização Wi-Fi.

Comentários

12

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  1. Avatar de nunomagalhaes
    nunomagalhaes

    Posso ter visto mal, mas no site da Astrohaus a Freewrite está a metade do preço que aparece na Amazon, e até o modelo mais caro está mais barato do que na Amazon, mesmo contando a diferença $ /€.

    A curiosidade que me levou ao site mantêm-se, não percebi quanto pode durar a bateria deste tipo de artigo.

    1. Avatar de Nuno
      Nuno

      O Remarkable é mais barato

  2. Avatar de Danny
    Danny

    Que coisa tão feia, para isso escrevo numa antiga com papel que tem mais graça.

    1. Avatar de Rodolfo
      Rodolfo

      A minha é HCESAR

  3. Avatar de Zec
    Zec

    Produto hipster para hipster. Estão preocupados com distrações? Desliguem o portátil da net. Fácil. Ficam tentados? Façam dual boot com um Linux minimalista e usem isso para escrever.
    Esão a inventar um problema para depois vender a solução.

    1. Avatar de Outro trolha
    2. Avatar de Pedro António
      Pedro António

      Linux minimalista? Ainda mais?

  4. Avatar de André
    André

    O teclado é que não é português. Mesmo que suporte no sistema.

  5. Avatar de Alguém que sabe
    Alguém que sabe

    Realmente há sempre alguém disposto a perder inovação só para voltar à idade da pedra, somente por não saber controlar os próprios hábitos e impulsos.
    Como se já não tivéssemos monos que cheguem a estorvar em casa.

  6. Avatar de Zé Fonseca A.
    Zé Fonseca A.

    Inútil, no espaço de 5-10 anos a maioria das pessoas não vai usar pcs, vão ter wearables com reconhecimento de voz por AI, pcs e outros devices vao servir apenas para quem precisa de visualizar algo e não para quem precisa de trabalhar

  7. Avatar de Filas
    Filas

    Mais uma moda, daquelas só porque sim, é engraçado e tal, daqui a uns tempos é mais um mono encostado na prateleira….

  8. Avatar de Tecla
    Tecla

    Montem um cyberdeck. Dá para muio mais.