O Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu se um fornecedor de VPN pode ser responsabilizado. Isto no caso de um utilizador contornar um bloqueio geográfico para aceder a obras protegidas por direitos de autor. O caso diz respeito à publicação online dos manuscritos do Diário de Anne Frank, de domínio público na Bélgica, mas protegidos nos Países Baixos.
VPN para passar bloqueio geográfico é legal?
A questão era se um fornecedor de VPN pode ser responsabilizado se um utilizador da internet utilizar uma VPN para contornar uma restrição geográfica. Assim consegue aceder a uma obra protegida por direitos de autor. O Tribunal de Justiça da União Europeia pronunciou-se sobre esta questão num caso entre um site belga e o Fundo Anne Frank, que gere direitos relacionados com o Diário de Anne Frank.
A resposta é clara. Não, um fornecedor de VPN não pode ser acusado de violação de direitos de autor simplesmente por permitir que os utilizadores contornem um bloqueio geográfico. Os manuscritos originais do Diário de Anne Frank entraram no domínio público em alguns países, como a Bélgica. Por outro lado, noutros países, como os Países Baixos, estes manuscritos ainda estão protegidos por direitos de autor.
É precisamente esta distinção que deu origem a um processo judicial. Na Bélgica, o site VOOHT publicou os manuscritos originais de Anne Frank no âmbito de um projeto científico, uma publicação considerada legal, dado que os textos já eram de domínio público naquele país. Contudo, os cidadãos dos Países Baixos puderam aceder-lhes, embora as leis de direitos de autor ainda se apliquem a estes manuscritos no seu país.
Tribunal da União Europeia responde e esclarece
Para resolver o problema, o site implementou um bloqueio geográfico para impedir o acesso dos utilizadores holandeses. Alguns deles usaram, então, uma VPN para simular que estavam na Bélgica e aceder ao site. A Fundação Anne Frank, detentora dos direitos de autor relacionados com o Diário de Anne Frank, argumentou que a publicação dos manuscritos de Anne Frank no site belga infringia os seus direitos na Holanda.
O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) decidiu que as VPN não podem ser responsabilizadas neste caso. Segundo a instituição europeia, uma VPN é uma ferramenta perfeitamente legal que não pode ser acusada de violação de direitos de autor nesta situação, dado que a VPN não publicou qualquer conteúdo e não seleciona os sites acedidos.
O TJUE afirmou ainda que é da responsabilidade do site que acolhe a obra implementar medidas técnicas eficazes para impedir o acesso a partir de territórios onde esta ainda se encontra protegida. Em suma, o bloqueio geográfico não foi considerado suficientemente eficaz . Portanto, a responsabilidade não pode ser transferida para a VPN, mas sim para as próprias medidas do site.


















