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Médico recorre ao Gemini e entrega recomendações da IA sem validação clínica

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Sim, o mundo mudou e a IA é hoje o “médico de família” de muitos portugueses. Aliás, já começa a ser um grande auxíliar de memória (e não só) para a classe médica. Segundo informações, um urologista do Hospital da Trofa terá entregue a uma paciente recomendações produzidas pelo Gemini.

Ilustração médico com infomação com o Gemini

É errado consultar a IA para ajudar na informação médica?

A utilização da Inteligência Artificial (IA) na medicina continua a ganhar espaço, mas um caso ocorrido em Portugal está a gerar polémica e a levantar questões sobre os limites da tecnologia na prática clínica.

Um urologista do Hospital da Trofa terá entregue a uma paciente recomendações produzidas pelo Gemini, o modelo de IA da Google, sem qualquer validação médica aparente antes da sua entrega.

A situação motivou críticas da Ordem dos Médicos, que relembra que estas ferramentas podem apoiar o trabalho clínico, mas nunca substituir a avaliação e a responsabilidade do profissional de saúde.

Paciente recebeu uma “Vista geral do Gemini”

Segundo a notícia avançada pelo Correio da Manhã, o caso ocorreu durante uma consulta de urologia realizada a 2 de junho.

A paciente procurava aconselhamento relacionado com um problema renal e esperava receber um plano nutricional adaptado ao seu estado clínico. Em vez disso, terá recebido uma folha impressa contendo recomendações geradas pelo Gemini, identificadas no topo do documento com a expressão “Vista geral de IA”.

O documento foi entregue diretamente pelo médico, sem qualquer indicação de que tivesse sido revisto, adaptado ou validado para aquele caso clínico específico.

Segundo o testemunho da paciente, citado pelo jornal, o profissional limitou-se a imprimir o conteúdo gerado automaticamente, deixando a sensação de que não existiu uma análise personalizada.

Ilustração médico com infomação com o Gemini

Ordem dos Médicos: “A IA é um apoio, não um substituto”

Questionada sobre o caso, a Ordem dos Médicos foi clara ao recordar que a responsabilidade sobre qualquer ato clínico pertence sempre ao médico.

O bastonário Carlos Cortes afirma que:

A inteligência artificial é um apoio, não um substituto.

A Ordem sublinha ainda que toda a informação produzida por sistemas de IA deve ser obrigatoriamente validada antes de ser entregue ao doente, independentemente da tecnologia utilizada.

Além disso, distingue duas realidades diferentes:

  • Utilizar sistemas de apoio clínico devidamente validados científica e tecnicamente;
  • Recorrer diretamente a um chatbot generativo, cujas fontes não são certificadas e cuja informação pode conter erros.

Segundo a Ordem, mesmo que uma ferramenta de IA seja utilizada durante a consulta, toda a responsabilidade civil, ética e disciplinar continua a recair sobre o médico.

A IA pode ajudar, mas exige supervisão humana

Apesar deste episódio, especialistas defendem que a Inteligência Artificial pode representar uma enorme mais-valia na medicina quando utilizada corretamente.

Atualmente já existem aplicações para apoio ao diagnóstico, elaboração de notas clínicas, resumo de exames, apoio à decisão clínica,  comunicação com os doentes e organização administrativa.

Contudo, a comunidade científica é praticamente unânime em afirmar que os modelos generativos devem funcionar como um “copiloto” do médico e nunca como um sistema autónomo de decisão. A supervisão humana continua a ser considerada essencial para garantir segurança, rigor científico e adaptação ao historial de cada paciente.

Estudos mostram que os chatbots ainda cometem muitos erros

O caso surge numa altura em que continuam a ser publicados estudos sobre a fiabilidade dos grandes modelos de linguagem na área da saúde.

Uma investigação publicada este ano na BMJ Open, que analisou respostas produzidas por cinco modelos de IA, concluiu que 49,6% das respostas apresentavam problemas relevantes e que 19,6% eram consideradas altamente problemáticas.

Os investigadores identificaram ainda várias limitações importantes:

Os autores defendem que estas ferramentas exigem regulamentação, formação adequada dos profissionais e validação humana permanente antes de serem utilizadas em contexto clínico.

A IA está a mudar a medicina, mas não substitui o médico

A utilização de Inteligência Artificial nos cuidados de saúde continuará inevitavelmente a crescer. Os grandes modelos linguísticos já demonstram capacidade para acelerar tarefas administrativas, resumir documentação clínica e apoiar decisões médicas.

No entanto, este caso mostra precisamente onde reside a principal preocupação: quando a tecnologia deixa de ser uma ferramenta de apoio e passa a substituir o julgamento clínico.

A mensagem deixada pela Ordem dos Médicos é clara: qualquer informação produzida por IA deve ser analisada, validada e assumida pelo profissional de saúde antes de chegar ao doente. A responsabilidade clínica continua a ser exclusivamente humana.

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  1. Avatar de PGomes
    PGomes

    Assim, até eu posso ser o Senhor Doutor.

    1. Avatar de Max
      Max

      Segundo publica o Correio da Manhã, pelo que diz o bastonário, num problema renal a listagem dos alimentos é uma questão básica de urologia.
      A paciente viu o médico mexer no computador e imprimi a folha da Vista Geral de IA (AI Overview, um parente do Gemini, mas que é distinto do Gemini).
      Não acredito que o médico não tenha lido o que lá estava escrito – como se sugere ao dizer: “Médico recorre ao Gemini e entrega recomendações da IA sem validação clínica”.
      Era básico, viu que estava bem e imprimiu a folha.
      Bastante melhor do que dizer meia dúzia de palavras ao paciente, que boa parte das vezes as confunde – ou escrever ele, em mau português, que também confunde.

  2. Avatar de Blackground
    Blackground

    Vejo isso muitas vezes ao longo do mês, mas no ChatGPT. Diz-me o que achas destas análises… assim todos sabem ser médicos! Mal sabem os pacientes que os resultados clínicos andam a rodar o mundo.

    1. Avatar de Zé Fonseca A.
      Zé Fonseca A.

      Andam a rodar o mundo?
      Também és dos que acha que o que partilhas numa sessão de AI fica público?
      Santa ignorância

  3. Avatar de RC
    RC

    Isto depende sempre de como se usa as ferramentas, se uma maquina de batimento cardiaco acusar demasiados batimentos o médico não vai duvidar e fazer o teste manualmente, se a IA deu um resultado satisfátorio então não vejo porque não aceitar, não deixa de estar correcto só porque foi a ser gerado por IA.

    1. Avatar de Zé Fonseca A.
      Zé Fonseca A.

      Tendo sido o Gemini que só serve como motor de busca auxiliar do Google, é apenas o dr Google v2..

  4. Avatar de Corrector
    Corrector

    O estudo apresentado é de fev 2025 com modelos gratuitos, desde então qual foi o salto tecnológico nesse campo e qual a diferença entre ia gratuita e paga ? Portanto esse estudo foi só mais uma perda de tempo e não tem valor, é apenas mais um chouriço de uma revista fundada para apresentar estudos para que alguns analfabetos digam que são especialistas que publicaram estudos. O padrão académico portanto xD
    O modelo médico que eu uso chama-se medgemma e é um projeto da deepmind do google. A partir dele que se criam serviços de ia para mais diversos fins incluindo capacidade de observação visual, ah e roda no “neu quintal”, não existem dados médicos a pastar fora da cerca . O resto nesse campo é mato.

  5. Avatar de Minhoca
    Minhoca

    Então deve ser por causa disto que os sistema de Saude está tão mal.

  6. Avatar de A
    A

    Provavelmente o medico leu ..mas ir a hospital privado onde se paga bem pela consulta e receber uma informação que podia ser obtida em casa ….é vigarizar o doente , mas nao me admira ha uns tempos encontrei num destes hospitais um medico que nao sabia fazer relatórios médicos ..fez um tao mau que foi direto para o lixo