Com medo da China, Taiwan está a ensinar as pessoas a pilotar drones
Taiwan está a levar as competências de pilotagem de drones para fora dos quartéis e a colocá-las nas mãos de civis comuns. De cursos para adultos a campos de férias escolares, a ilha está a apostar fortemente na literacia de drones como forma de reforçar a sua defesa civil.
Nenhum conflito recente mostrou tão bem o poder dos drones como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, onde estes dispositivos têm sido essenciais para conter o avanço das forças russas desde 2022.
Há anos a viver sob a ameaça de uma possível invasão chinesa, Taiwan está atenta a esta realidade.
Com a China a adotar uma postura cada vez mais agressiva, motivada também pelo exemplo russo, Taiwan tem assistido a um crescimento dos grupos de defesa civil liderados por voluntários. Neste contexto, nasceu, em maio, um novo programa de treino de drones.

Participantes a pilotar um drone numa sessão de formação da Kuma Academy, em Taipei. Crédito: An Rong Xu/The Guardian
Kuma Academy: da teoria à prática no terreno
O programa é gerido pela Kuma Academy, uma organização não governamental de defesa civil, e tem como objetivo ensinar pilotos principiantes a compreender como os drones são usados em contexto de guerra.
Trata-se de uma parte de um esforço mais amplo para elevar a literacia tecnológica da população de Taiwan neste domínio.
A procura tem sido elevada, com as sessões da academia, que treinam cerca de 75 pessoas por mês, esgotadas até agosto.
Algumas escolas já avançaram com campos de férias dedicados a ensinar crianças a montar drones e a utilizá-los em operações de busca e salvamento.
Segundo Tang Tsung-yi, porta-voz da Kuma Academy, o objetivo é permitir que as pessoas passem de uma defesa passiva, como abrigar-se, para um papel mais ativo na observação de riscos e partilha de informação.

Karren Wang, de 65 anos, pilota um drone durante um treino. Crédito: An Rong Xu/The Guardian
Drones leves, sem GPS, e uma indústria a evitar a China
Um dos aspetos mais interessantes do programa é a escolha do equipamento. Como os drones comerciais são vulneráveis a interferências eletrónicas, as aulas usam modelos fabricados em Taiwan, com menos de 100 gramas e sem GPS ou sistemas de piloto automático.
Isto obriga os operadores a aprender a voar por linha de vista e reflexos manuais, sem qualquer ajuda tecnológica.
Taiwan está também a tentar excluir a China da cadeia de fornecimento dos seus drones, um movimento que reflete preocupações mais amplas sobre dependência tecnológica face ao país.
Curiosamente, Taiwan já conta com mais de 39 mil drones registados e, em 2024, baixou a idade mínima para registo destes equipamentos para os 14 anos.
Esta tendência reflete o que já se viu na Ucrânia, onde se recrutaram gamers para pilotar drones militares, tendo em conta as semelhança s entre os videojogos e a pilotagem real.
Imagem: An Rong Xu/The Guardian



















