Fits on a Floppy: o movimento que quer fazer o software voltar a caber numa disquete
Movimento “Fits on a Floppy” defende aplicações mais leves, rápidas e sem dependências desnecessárias. Sim, há quem queira que o software caiba numa disquete.
Enquanto a indústria tecnológica aposta cada vez mais na inteligência artificial, nos serviços na cloud e em aplicações repletas de funcionalidades, há um movimento que está a chamar a atenção por seguir precisamente o caminho oposto.
A proposta é simples, mas radical, isto é, criar software tão eficiente que possa caber numa tradicional disquete de 3,5 polegadas.
Fits on a Floppy
A iniciativa chama-se Fits on a Floppy e nasceu através de um manifesto publicado pelo programador Matt Sephton. O conceito estabelece uma regra simbólica: qualquer aplicação que pretenda exibir o selo do projeto deve ocupar menos de 1,44 MB, a capacidade máxima das antigas disquetes que dominaram a informática durante décadas.
Mas o objetivo não é ressuscitar uma tecnologia ultrapassada nem alimentar a nostalgia dos tempos em que os programas eram distribuídos em suporte físico. O que está em causa é uma crítica ao estado atual do desenvolvimento de software.
O software moderno está cada vez mais pesado
Ao longo dos últimos anos, as aplicações tornaram-se significativamente maiores. Em muitos casos, ferramentas simples exigem centenas de megabytes ou até vários gigabytes para serem instaladas. Este crescimento nem sempre resulta da adição de funcionalidades visíveis. Grande parte do aumento de tamanho está associada a bibliotecas externas, frameworks, motores gráficos, sistemas de atualização automática e outras dependências que facilitam o desenvolvimento, mas que também tornam os programas mais pesados e complexos.
Para Matt Sephton, esta evolução levou a que o setor perdesse parte da disciplina que caracterizava o desenvolvimento de software nas décadas anteriores.
Quando os recursos de armazenamento e memória eram limitados, os programadores eram obrigados a otimizar cada linha de código e a questionar constantemente se uma funcionalidade era realmente necessária. Hoje, com computadores muito mais poderosos, essa preocupação passou frequentemente para segundo plano.
Menos tamanho, mais eficiência
O manifesto do Fits on a Floppy defende que uma aplicação focada numa tarefa específica deve ser capaz de arrancar rapidamente, ocupar pouco espaço, consumir poucos recursos do sistema e evitar dependências desnecessárias.
Segundo os seus defensores, a limitação artificial dos 1,44 MB funciona como um exercício de engenharia. Obriga os programadores a definirem prioridades e a eliminarem tudo aquilo que não acrescenta valor real ao utilizador.
A filosofia pode parecer extrema, mas levanta uma questão pertinente: quantas aplicações atuais poderiam ser muito mais leves sem perder funcionalidades essenciais?
Nem todo o software pode seguir este caminho
Naturalmente, a proposta tem limites evidentes. Aplicações modernas como navegadores, editores de vídeo, suites de produtividade ou plataformas que integram inteligência artificial necessitam de recursos que tornam impossível atingir um tamanho tão reduzido.
Além disso, muitos programas atuais incluem sincronização na cloud, colaboração em tempo real, integração com múltiplos dispositivos e funcionalidades avançadas que simplesmente não existiam há duas ou três décadas.
Por esse motivo, o objetivo do movimento não é substituir o software moderno, mas antes promover uma reflexão sobre a forma como as aplicações são desenvolvidas.
Uma ideia simples que deixa uma pergunta no ar
Como A verdadeira força do Fits on a Floppy não está na possibilidade de voltar a distribuir programas em disquetes. Está no desafio que lança à indústria tecnológica.
Numa altura em que o software cresce continuamente em tamanho e complexidade, o projeto convida programadores e utilizadores a questionarem se esse crescimento resulta de necessidades reais ou se é apenas consequência da acumulação gradual de camadas de código ao longo dos anos.
Num mundo dominado pela inteligência artificial e por aplicações cada vez mais exigentes, a ideia de fazer caber um programa inteiro em apenas 1,44 MB pode parecer absurda. Mas talvez seja precisamente essa aparente impossibilidade que torna a mensagem tão relevante: a eficiência continua a ser uma escolha de design.























Há anos que ando a dizer que a necessidade de espaço físico do software não acompanha o retorno em funcionalidades.
Tal com o artigo indica os software esta a crescer de forma não uniforme e muitas vezes sem justificação lógica, saem frequente novas versões maioritariamente sem acrescentar nada de novo apenas para dizer que saiu algo novo ou para justificar o contracto de manutenção com base na evolução tecnológica que não existe.
A maioria do pessoal hoje em dia usa librarias e frameworks gigantes para resolver problemas básicos, claro que o tamanho paga-se, bem como a maior superfície de possíveis ataques e bugs.
Nem um e-mail cabe numa diskete, ia cabe uma app
Se tiveres 30 imagens sem sentido nenhum fo footer/assinatura para mostrar o quão bom a tua empresa ou tu és, e texto sem sentido, do tipo pense no ambiente antes de imprimir (e contar uma historinha de sustentabilidade), ….
Fiz um teste na minha inbox, e consegui nos últimos emails colocar cerca de 13 a 15 emails (de referir que não escolhi 2 que tinham anexos).
Não sei que emails sem anexos andas a mandar…
Experimenta deixar de enviar emails em html e a assinatura com GIFs animados e verás como o e-mail ocupará muito menos espaço 🙂
O Zé só manda emails com IA, logo são todos 3X melhor e ocupam 6x mais espaço.
Não me traz nostalgia nenhuma. Principalmente quando uma dava erro, no meio de 10, ou 20.
Ninguém está a falar de voltar a trazer as disquetes, mas sim programar de forma a que o software seja leve e eficiente.
Há gente que devia dedicar-se à pesca…
Sou completamente a favor de software portable, light, free e eficiente!
Daí a caber numa disquete, já é irrealista! Já desenvolvi alguns e sei que é quase impossivel em geral.
Não sei se alguém se lembra disto, mas um FPS em menos de 100kb e com uns graficos relativamente decentes para a época… o “kkrieger” do mundo Demoscene: https ://en.wikipedia.org/wiki/.kkrieger
Era uma éra onde os verdadeiros programadores ainda sabiam optimizar código. Depois que a Microsoft veio com o .Net, foi o descalabro total: os software começaram a crescer em tamanho e a serem mais lentos…