Estudo: ondas de calor já estão a atingir níveis incompatíveis com a sobrevivência humana
As ondas de calor estão a tornar-se uma das maiores ameaças climáticas do século XXI. Um novo estudo conclui que o impacto do calor extremo na saúde humana poderá estar a ser significativamente subestimado, colocando milhões de pessoas em risco.
Os cientistas analisaram alguns dos episódios de calor mais severos registados entre 2003 e 2024 e chegaram a uma conclusão preocupante, muitas condições atualmente consideradas suportáveis podem, na realidade, representar um perigo mortal para a população.
Ondas de calor: temperatura não conta toda a história
Durante décadas, a avaliação do risco associado ao calor baseou-se sobretudo na temperatura do ar. No entanto, o corpo humano reage a um conjunto muito mais complexo de fatores.
A humidade, a radiação solar, a velocidade do vento, o tempo de exposição e até o tipo de vestuário influenciam diretamente a capacidade do organismo para dissipar calor.
Para avaliar melhor estes efeitos, os investigadores recorreram a um modelo fisiológico avançado que simula a capacidade real de transpiração e arrefecimento do corpo humano.
Os resultados mostram que tanto ambientes muito húmidos como regiões extremamente secas podem atingir níveis de stress térmico incompatíveis com a sobrevivência.
A investigação coloca assim em causa algumas das ideias tradicionalmente aceites sobre os limites fisiológicos do ser humano perante temperaturas extremas.
Noites mais quentes agravam o problema
Um dos aspetos mais preocupantes identificados pelo estudo é o aumento das temperaturas noturnas.
Tradicionalmente, as horas da noite permitiam ao organismo recuperar do esforço imposto pelo calor diurno. Contudo, nas grandes cidades essa recuperação está a tornar-se cada vez mais difícil.
O asfalto, os edifícios e outras superfícies urbanas acumulam calor durante o dia e libertam-no lentamente durante a noite, criando o fenómeno conhecido como “ilha de calor urbana”.
Como consequência, o corpo humano permanece sujeito a stress térmico durante mais tempo, aumentando o risco de problemas de saúde graves.
Idosos estão entre os grupos mais vulneráveis
O estudo confirma também que o calor extremo não afeta todas as pessoas da mesma forma.
Com o envelhecimento, o organismo perde parte da sua capacidade natural para regular a temperatura corporal. A produção de suor diminui, a circulação sanguínea torna-se menos eficiente e a sensação de sede pode ser reduzida.
Por essa razão, condições que podem ser toleradas por adultos mais jovens podem rapidamente tornar-se perigosas para pessoas com mais de 65 anos.
O risco aumenta ainda mais em indivíduos com doenças cardiovasculares, diabetes, problemas renais ou que estejam a realizar determinados tratamentos farmacológicos.
O calor também expõe desigualdades sociais
Embora as alterações climáticas afetem todo o planeta, os seus efeitos não são sentidos de forma igual.
Quem dispõe de habitações bem isoladas, ar condicionado eficiente ou acesso a espaços verdes beneficia de uma proteção adicional durante episódios de calor extremo.
Por outro lado, populações economicamente mais vulneráveis, trabalhadores ao ar livre e residentes em zonas densamente urbanizadas enfrentam riscos significativamente superiores.
Em muitas regiões do mundo, milhões de pessoas continuam sem acesso fiável a sistemas de refrigeração ou mesmo a água potável segura durante períodos de temperaturas elevadas.

Esta marca foi registrada a 27 de junho de 2021, marcando o início de uma onda de calor histórica e sem precedentes no país. Nos dias seguintes, a situação agravou-se consideravelmente. Apenas dois dias depois, a 29 de junho de 2021, a mesma localidade atingiu um valor máximo extremo de 49,6 °C, o que constitui até hoje o recorde absoluto de temperatura máxima alguma vez registada no território canadiano.
As mortes podem estar a ser subestimadas
Outro dos alertas lançados pelos investigadores diz respeito à contabilização das vítimas.
Embora os casos de golpe de calor sejam relativamente fáceis de identificar, muitas mortes relacionadas com temperaturas extremas surgem associadas a complicações cardiovasculares, insuficiência renal ou agravamento de doenças pré-existentes.
Nestas situações, o calor raramente aparece como causa principal nos registos oficiais, apesar de ter desempenhado um papel determinante.
Vários estudos epidemiológicos realizados na Europa sugerem que as ondas de calor provocam milhares de mortes adicionais que acabam por não ser refletidas nas estatísticas específicas relacionadas com o calor.
Como adaptar as cidades a um clima mais quente?
Os especialistas defendem que a resposta não passa apenas pela instalação de mais equipamentos de ar condicionado.
A adaptação urbana deverá desempenhar um papel central na proteção das populações.
Entre as medidas consideradas mais eficazes destacam-se:
- Aumento da cobertura arbórea nas cidades;
- Criação de corredores verdes e parques urbanos;
- Utilização de pavimentos e coberturas refletoras;
- Construção de edifícios bioclimáticos;
- Implementação de refúgios climáticos acessíveis;
- Reforço dos sistemas de alerta precoce.
Cidades como Barcelona, Paris, Singapura e Medellín já estão a desenvolver estratégias específicas para reduzir a exposição dos habitantes ao calor extremo.
O impacto também se faz sentir no ambiente
As consequências não se limitam à saúde humana. As temperaturas elevadas aumentam a evaporação da água armazenada em rios, albufeiras e solos agrícolas, agravando fenómenos de seca.
Os ecossistemas florestais tornam-se mais vulneráveis a pragas, doenças e incêndios.
Ao mesmo tempo, a produtividade agrícola pode diminuir, os ciclos reprodutivos de várias espécies podem ser alterados e organismos invasores adaptados a climas mais quentes encontram condições favoráveis para se expandirem.
O aumento do uso de sistemas de refrigeração gera ainda maior procura de eletricidade durante os períodos de calor intenso. Quando essa energia provém de combustíveis fósseis, contribui para um ciclo que continua a alimentar o aquecimento global.
Um novo olhar sobre os limites do corpo humano
Os autores do estudo defendem que a avaliação do risco térmico precisa de evoluir para refletir melhor a realidade.
Não existe uma temperatura universal a partir da qual todas as pessoas enfrentam o mesmo perigo. A idade, o estado de saúde, a humidade, a exposição solar e até as condições socioeconómicas podem fazer a diferença entre suportar ou não um episódio de calor extremo.
À medida que o planeta continua a aquecer, compreender estes fatores será fundamental para criar sistemas de alerta mais eficazes e garantir que as cidades permanecem habitáveis nas próximas décadas.

























E sáo os políticos com as suas decisões arbitrárias que nos vão salvar…
Depende de quem forem os políticos eleitos. Se forem os do capitalismo neoliberal – psd, cds e IL – vão é tratar de fazer que morras mais depressa, a menos que sejas um capitalista que lhes importe. Capitalists Lives Matter.
As vezes parece surreal pensar que isto está mesmo a acontecer e que partilho este mundo com tanta gente disfuncional que continua a viver a vida como se nada fosse.
È isso mesmo, continuam a viver a vida como se nada fosse !!! Olha se fossem a olhar a vida por outro prisma (pelos que querem reduzir o CO2 por exemplo) estava feitos ao bife , nao viviam as vidas que queriam, viviam as vidas que os Funcionais queriam que eles vivessem !!
Todos os anos a mesma conversa e eu com a minha caipirinha na praia a curtir o sol!
Confere. Ainda ontem fui perseguido por uma onda de calor quando consultei o saldo da minha conta bancária após a minha mulher ter saído para o centro comercial.
Se o calor fosse assim tão grave não havia gente a viver nos desertos … lá que nós não estejamos habituados e uma coisa agora não é nenhum bicho de sete cabeças …
que se lixe, quando arderem todos já não estou cá
Para onde pensas que vão os átomos que compõem o teu corpo? voltam para a terra, são reciclados em outras formas de vida, vais continuar cá.
Proponho que 10% dos parques de estacionamento dos hipermecados sejam arborizados para baixar a temperatura ambiente.
Mas a solução é simples: deixem de fazer medições e experiências que os problemas desaparecem
/s
tá um calor do crl… mesmo que haja uma subida da temp. global, o exagero só existe na mesma medida em que os corruptos vão usar essa narrativa para implementar medidas de controlo e extorsão populacional. o resto são favas contadas!
À humidade é um Titanic a afundar! Estamos todos num autêntico suicídio colectivo, o pior é nem nos importamos! Mudar o meu estilo de de vida, está quieto!
Vejo por aqui, muitos negacionistas.
A terra é plana e o universo não existe.
Mais um estudo da treta para juntar a centenas de outros no grande livro “nunca chegou a acontecer”
Hahaha! até onde chega o ridículo da politica…
#vaificartudobem
#fiquememcasa
Isso são só sensações…
Lembro-me bem de nevar uma vez na minha terra.
Mas lembro-me bem das inúmeras noites de Verão em que não se conseguia dor.ir com o calor abafador.
Eram as janelas abertas, era rezar por uma brisa, era tomar banho de água fria para arrefecer.
Hoje em dia, só posso dizer que as temperaturas estão é mais amenas…
As temperaturas de inverno talvez estejam mais amenas em média, mas há dias de picos extremos de frio. As de verão, estão sempre insuportáveis e os incendiários ainda vêm dar mais uma ajuda. Portanto, não vai ser possível sobreviver nos distritos do interior.
Pensieri de Giacomo Leopardi capitulo XXXIX corria o ano de 1854…e está a referir os 1600’s
“La quale immaginazione è cosí fondata, che quel medesimo appunto che affermano i nostri vecchi a noi, affermavano i vecchi, per non dir piú, giá un secolo e mezzo addietro, ai contemporanei del Magalotti, il quale nelle Lettere familiari scriveva: «Egli è pur certo che l’ordine antico delle stagioni par che vada pervertendosi. Qui in Italia è voce e querela comune, che i mezzi tempi non vi sono piú; e in questo smarrimento di confini, non vi è dubbio che il freddo acquista terreno. Io ho udito dire a mio padre, che in sua gioventú, a Roma, la mattina di pasqua di resurrezione, ognuno si rivestiva da state. Adesso chi non ha bisogno d’impegnar la camiciuola, vi so dire che si guarda molto bene di non alleggerirsi della minima cosa di quelle ch’ei portava nel cuor dell’inverno».
Questo scriveva il Magalotti in data del 1683.”
«Essa ideia é tão fundamentada que o mesmo argumento que os nossos antepassados nos apresentam era, para não dizer mais, já há um século e meio, apresentado aos contemporâneos de Magalotti, o qual, nas Lettere familiari, escrevia: “É certo que a antiga ordem das estações parece estar a perverter-se. Aqui em Itália é voz e queixa comum que as estações intermédias já não existem; e nesta perda de limites, não há dúvida de que o frio ganha terreno. Ouvi dizer ao meu pai que, na sua juventude, em Roma, na manhã da Páscoa da Ressurreição, todos se vestiam de verão. Agora, quem não precisa de guardar a roupa de inverno, posso dizer-vos que tem muito cuidado em não se desfazer da mais pequena peça daquelas que usava no auge do inverno».
Isto escreveu Magalotti em 1683.»
Traduzido com a versão gratuita do tradutor – DeepL.com
Sempre a mesma coisa e volto a repetir-me:
Já passamos a meta do aumento da temperatura. Agora é sempre uma ameaça continuada à nossa sobrivência.
Deixem-me então fazer umas contas.
Na cidade onde vivo, e certamente nas outras cidades, haviam uns certos objectos que davam sombra, capturavam carbono, produziam oxigénio, e, direta ou indiretamente, ajudavam a regular a temperatura das cidades. Não sei que objectos eram, porque como diminuiram em número, de tal forma que é quase uma ocorrência rara deparar-me com um desses quando vou na rua. Temos bastantes estradas que capturam e libertam o calor (fact check pending), mas não é isso a origem do calor das cidades (porque se fosse, não existiriam). Passeios em calçada devem fazer o mesmo, porque já andei descalço em cima deles no Verão e quase que dá para fritar um bife de vaca em cima. Se calhar também não contribuem para o calor nas cidades, porque caso contrário, não existiriam. Ar Condicionado nas casas que, poderia não existir, ou pelo menos o horário de funcionamento diminuiria consideravelmente se, tivéssemos mais daqueles objectos verdes que já nem sei o nome. Mas se calhar não é o calor que eles mandam para fora que contribui também para o calor da cidade. Se calhar, e acredito na UE quando diz que temos de reduzir a quantidade de vacas (sim vacas e não aviões e outros veículos altamente emissores de CO2) no Mundo porque elas causam uma emissão de gases de estufa com as suas emissões gasosas. Se calhar 9 biliões de seres humanos devem também emitir perfume de rosas e por isso, nunca ninguém se lembrou a medir essas emissões. Mas está tudo bem. Continuem a construir mais estradas e passeios bonitos para turistas porque o que faz falta é turismo e não florestas. A ciência irá encontrar uma máquina que, quase magicamente irá resolver o problema climático de tal forma que não precisaremos desses objectos verdes (comentário totalmente sarcástico)
Portugal nunca teve tantas florestas como agora, no fim do seculo XIX a area florestal era menos de 5% do país hoje é mais de 33%… um aumento de mais de 600%
Agora pergunta-te porque é que esta mudança gigante na ocupação do solo do nosso pais não é conhecida quando aumentou exponencialmente o alcance dos media e ensino….
O pico florestal medido em PT foi em 2005, a partir daí foi sempre a arrasar ainda espelhos e ventoinhas eram umas crianças fruto das experiências que andavam a fazer. Entre 2005 (o pico oficial da floresta em PT) e a última medição do INF (2015), Portugal perdeu 236 mil hectares de floresta. Ou seja, cerca de 7%.
Fica o exemplo de LOURES, outrora o nosso Monsanto:
https://pracadobocage.wordpress.com/2013/06/05/um-ecologico-crime-ambiental-em-loures/
Onde uma leitora também comentou dos crimes que se começavam a verificar no Algarve, em particular no Barrocal. Tbm é interessante ler esse comentário.
Daí para cá é sempre a devastar à grande e do Inventário Florestal Nacional nem um pio.
@O lobby climático é terrível.
“…Aumento da cobertura arbórea nas cidades;…”
Portugal é perito a fazer o inverso, sobretudo nas periferias para usar o espaço em espelhos e ventoinhas.