Os dois maiores filmes do momento são obra de YouTubers: nova geração está a mudar o cinema
Jovens criadores que começaram no YouTube estão a dominar as bilheteiras e a despertar a atenção dos grandes estúdios. O fenómeno poderá alterar a forma como Hollywood descobre talento, financia projetos e promove novos filmes.
Durante anos, Hollywood procurou os seus futuros realizadores em escolas de cinema e festivais independentes. Agora, os dois maiores filmes do momento, nos Estados Unidos da América (EUA), berço da capital mundial do cinema, foram criados por jovens que começaram a publicar vídeos no YouTube.
Em vez de começar nos circuitos tradicionais da indústria, a nova geração de cineastas está a construir audiências diretamente no YouTube e a transformar essa popularidade em sucessos de bilheteira.
Os casos mais recentes são os de Kane Parsons e Curry Barker, dois jovens realizadores que começaram a desenvolver os seus projetos online e agora lideram as receitas de cinema nos EUA.
Conforme explorado pela CNN numa reportagem recente, o sucesso dos seus filmes está a levar estúdios e especialistas a questionarem se o futuro da indústria poderá passar, cada vez mais, pelas plataformas digitais.
Dos vídeos online para o grande ecrã
O exemplo mais impressionante é "Backrooms", realizado por Kane Parsons, de apenas 20 anos. O projeto nasceu e foi desenvolvido ao longo de vários anos através do seu canal de YouTube, onde conquistou milhões de seguidores com uma abordagem visual e narrativa distinta.
Com um orçamento estimado em cerca de 10 milhões de dólares, o filme estreou diretamente no topo das bilheteiras norte-americanas, arrecadando aproximadamente 80 milhões de dólares no mercado doméstico e 120 milhões em todo o mundo apenas no fim de semana de estreia.
Também em destaque está "Obsession", realizado por Curry Barker, de 26 anos. Produzido com um orçamento de cerca de 750 mil dólares, o filme de terror conseguiu gerar quase 150 milhões de dólares em receitas, tornando-se num dos casos mais impressionantes de retorno sobre investimento dos últimos anos.
O desempenho das duas produções permitiu ultrapassar lançamentos de grandes títulos e demonstrou que existe uma audiência jovem disposta a regressar às salas de cinema quando encontra conteúdos e criadores com os quais se identifica.
O YouTube como escola de cinema
Mais do que o sucesso de dois filmes, o fenómeno está a chamar a atenção para a forma como o YouTube se tornou uma plataforma de formação e experimentação para novos realizadores.
Ao longo dos anos, criadores como Parsons e Barker aprenderam a filmar, editar, contar histórias e construir comunidades online. Ao mesmo tempo, receberam feedback constante dos seus seguidores, permitindo aperfeiçoar ideias e formatos muito antes de chegarem ao grande ecrã.
Para muitos analistas, esta relação direta com o público representa uma vantagem significativa. Em vez de dependerem apenas de estudos de mercado ou sessões de teste limitadas, estes criadores desenvolvem os seus projetos perante milhões de espectadores, ajustando conteúdos com base nas reações da comunidade.
É com esta proximidade que vários executivos de Hollywood justificam o sucesso dos novos cineastas oriundos da Internet.

Curry Barker no set de filmagens de "Obsession". Crédito: Focus Features, via Gizmodo
Hollywood está atenta ao fenómeno
A indústria cinematográfica acompanha há vários anos a crescente influência dos criadores digitais, mas os resultados alcançados por "Backrooms" e "Obsession" parecem ter elevado o interesse para outro nível.
Para os estúdios, estes realizadores apresentam uma combinação particularmente atrativa de talento criativo, conhecimento das audiências mais jovens e uma base de fãs já estabelecida.
Na prática, parte do trabalho de promoção realiza-se antes mesmo do início da campanha de marketing tradicional.
Além disso, o sucesso destes projetos surge numa altura em que muitas produções baseadas em sequelas, remakes e títulos estabelecidos enfrentam dificuldades em captar novos públicos.
Embora seja ainda cedo para prever mudanças profundas, muitos observadores acreditam que Hollywood irá procurar cada vez mais criadores que tenham demonstrado capacidade de construir audiências e gerar envolvimento através das plataformas digitais.

Kane Parsons no set de filmagens de "Backrooms". Crédito: Everett Collection, via Variety
Uma mudança que pode redefinir o cinema
O aparecimento de realizadores provenientes do YouTube não significa necessariamente o fim do modelo tradicional de Hollywood. No entanto, demonstra que os caminhos para chegar ao sucesso cinematográfico estão a tornar-se mais diversificados.
Tal como os realizadores de videoclipes marcaram os anos 80 e o cinema independente influenciou os anos 90, os criadores digitais poderão representar a próxima geração de talentos a transformar a indústria.
Se os resultados recentes se confirmarem nos próximos anos, os grandes estúdios poderão passar a olhar para o YouTube não apenas como uma plataforma de entretenimento, mas como uma das mais importantes fontes de novos realizadores e ideias para o cinema do futuro.



















Ainda não vi estes filmes no entanto sempre achei que o cinema devia de ir num direcção tipo Cronenberg e deixar de produzir tripa comercial nada original mas claro isso nunca vai acontecer, no céu escuro ainda vai aparecendo umas estrelas.
cinemateca boy
Além de tentar descobrir a derradeira realidade gosto de ver filmes.
What else is there to do?
https ://www.youtube.com/watch?v=mcbqFtn7bEo
Acho que é por aí que se vai separando o trigo do joio. Percebendo a fraca experiência e procura de feedback em plateia das ideias a explorar, não deixa de ser algo muito próprio de quem produz conteúdo, que contrasta com quem cria algo por visão.
Seguindo a lógica, não deixa de ser interessante (e ridículo) imaginar as bandas em estúdio a enviar alguns compassos de temas a desenvolver para perceber se o público vai gostar de ouvir. Total perda de algo genuíno. Mas neste mundo de produtoras, estúdios e investidores, its just business.
Fico surpreendido que não tenham incluído o Iron Lung do Markiplier, que foi definitivamente uma bofetada monumental a Hollywood.
“Os dois maiores filmes do momento” é uma frase com muita confiança! Não sei se concordo porque neste momento o cinema está cheio de bons filmes